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As unidades terminológicas complexas
no âmbito da linguagem enológica

Denise dos Santos Duarte – UFRGS / FAPA [1]

 

RESUMO – Esta pesquisa investigou o comportamento das unidades terminológicas complexas (UTCs) no âmbito da Análise Sensorial Enológica. Para tanto, adotamos os resultados encontrados em Café (1999), os quais forneceram dez regras de formação para as UTCs na área da Biotecnologia dos Vegetais, e verificamos o comportamento de tais unidades léxicas em uma das áreas da Enologia. O corpus foi extraído de Ratti (1984), recebendo tratamento computacional dos programas desenvolvidos por Zinglé (1997 e ss.). Os resultados apontam para a predicação nuclear do tipo [f [x1]] como sendo o padrão de formação no domínio examinado.

ABSTRACT – This research investigated the behavior of complex terminological units (UTCs) in the scope of enologic sensory analysis In order to reach that purpose, we adopted the results found in Café (1999), which supplied 10 formation rules for the UTCs in the area of biotechnology of vegetables, and we verified the behavior of such lexical units into one of the areas of enology. The corpus was extracted from Ratti (1984), receiving computerized treatment by programs developed by Zinglé (1997). In the sequence, the UTCs were organized according to the formation rules and their respective syntactic and morphologic representation. In conclusion, the results point to the nuclear predication of type [f [x1]]] as being the standard formation in the investigated domain.

 

 

1 Introdução

Para investigar o comportamento das unidades terminológicas complexas (doravante UTCs), assumimos os resultados encontrados em Café (1999), os quais, fundamentados nos pressupostos da Gramática Funcional de Dik (1977), forneceram dez regras de formação para as UTCs na área da Biotecnologia dos Vegetais. A partir destes resultados, verificamos o comportamento de tais unidades léxicas em uma das áreas da Linguagem Enologia, ou seja, a Análise Sensorial Enológica [2].

Desta forma, a presente pesquisa está inserida no âmbito terminológico, uma vez que seu objeto de estudo pertence a um domínio de especialidade. O estudo destes domínios, isto é, das linguagens de especialidade (doravante LE), é um ramo recente dos estudos lingüísticos e os pesquisadores têm buscado descrever e explicar o seu funcionamento singular.

 

2 O âmbito terminológico

Delimitar as “fronteiras” do âmbito terminológico nos estudos lexicológicos é crucial para situar adequadamente o objeto do presente estudo.

Por Lexicologia entendemos a ciência que estuda a constituição do léxico da língua, objetivando sua modelização com o fim de “criar condições padronizadas para a formação de novas unidades lexicais” (Faulstich, 1994: 316).

A Terminologia, por sua vez, é considerada uma “disciplina de intersecção” (Faultich, 1994: 317) que estuda a constituição das LEs, objetivando à compilação, descrição, tratamento e apresentação dos termos próprios dos campos especializados.

Então, a unidade base aqui estudada não é o lexema, mas, sim, o termo. Os termos (ou unidades terminológicas) são as unidades de base da Terminologia e designam os conceitos próprios de cada disciplina especializada. As UTs podem ser simples, compostas ou complexas.

O nosso estudo focaliza especificamente as estruturas lexicais complexas, ou seja, as chamadas unidades terminológicas complexas (UTCs). Por UTCs, entende-se as construções sintáticas complexas com estatuto de unidade lexical, as quais carregam um todo de sentido e identificam um conceito no âmbito de uma LE. As UTCs, além de, segundo Basílio (1999:30), “denominar e/ou caracterizar seres”, são, necessariamente, dotadas de referencialidade.

 

3 O paradigma funcional de DIK

Antes de procedermos a análise do corpus , faz-se necessário entender o paradigma funcional de DIK (1977), referencial teórico desta pesquisa. Para tanto, vejamos na Figura 1 o Diagrama da organização de uma Gramática Funcional (doravante GF).

Figura 1 – Diagrama da organização de uma GF

A Figura 1 revela que a organização de uma GF começa a sua construção ainda dentro do léxico, o qual contém as expressões básicas da língua. Estas, por sua vez, dividem-se em dois subconjuntos: os predicados básicos e os termos básicos. Cada um desses subconjuntos, “pode ser estendido por meio de regras sincronicamente produtivas, formando, respectivamente, predicados derivados e termos derivados” (Neves, 1997: 83). Assim, o léxico é um repositório de marcos predicativos (estruturas que especificam um predicado e fornecem informação sobre sua forma léxica; a categoria sintática a que pertence; o número de argumentos que requer; as restrições de seleção que estabelece sobre seus argumentos; as funções semânticas que realizam os argumentos). Além dos marcos predicativos, o léxico é, também, repositório de estruturas de termos para a construção de predicações.

Saindo do léxico, onde o marco predicativo e os termos encontram-se selecionados, tem lugar a inserção de termos que resultará na predicação subjacente.

Neste ponto, respeitando a Hierarquia das Funções Semânticas (HFS), serão atribuídas as funções sintáticas e, a seguir, as funções pragmáticas aos termos, o que resultará nas predicações completamente especificadas.

O último processo requer a aplicação das regras de expressão (forma, ordem, entonação) para a obtenção das expressões lingüísticas.

A aplicação deste referencial teórico a linguagens de especialidade foi concebido e estruturado no modelo proposto por Café (1999).

 

4 A perspectiva funcional de Café

Como vimos na seção anterior, a estrutura geral das predicações, segundo Dik (1977), prescinde dos seguintes critérios: regra de formação das predicações, regra de formação de termos, função semântica, função sintática, função pragmática, regras de expressão, marca de casos e ordem dos constituintes. Desses critérios, Café selecionou aqueles que estavam presentes nas UTCs – a predicação e suas respectivas funções – e os transformou nos quatro critérios básicos para aplicação de uma análise de natureza funcional no âmbito das LEs com o foco nas UTCs, quais sejam: regra de formação de UTCs, função semântica, função sintática e função pragmática.

Na tabela a seguir, apresentamos as diferenças cruciais dos enfoques de Dik e de Café para o mesmo modelo, a GF:

Tabela 1 – Perspectivas funcionais: contrapondo Dik e Café

 

Dik (1977)

Café (1999)

Âmbito

LC

LE

Foco

Oração

UTC

Predicação

= predicado + Termos

= base + Termos

Estrutura:
predicação
termos

[[[f (x1)(x2)...(xn) ](y1)(y2)...(yn)]]
(? x1 : f1 (x1) : ...: fn(xi))

? = [[f[(x1)(x2)...(xn)]][(y1)(y2)...(yn)]]

Função Semântica

HFS:
Ag>Met>Rec>Bem>Instr>Loc>Temp

não hierarquizadas: ação, agente, posse, meta, composição, atitude, efeito, entidade, estado, forma, agrupamento, instrumento, intensidade, localização, modo, paciente, processo, propriedade, resultado, fonte.

Função Sintática

Sujeito e objeto.

Sujeito, complemento do nome, adjunto do nome, complemento circunstancial.

Função pragmática

•  Externa: tema e apêndice
•  Interna: tópico e foco

Tópico e foco.

Como podemos observar na Tabela 1, ao privilegiar a análise do comportamento das UTCs na Biotecnologia dos Vegetais, Café promoveu uma adaptação substancial dos quatro critérios básicos da GF aos elementos naturais de um termo complexo. Isto é, a alteração não se processa apenas quanto ao âmbito, mas, principalmente, quanto ao foco, ao redirecionar e circunscrever o contexto de sua análise aos limites de uma UTC. Ou seja, o contexto oracional, em Café, transforma-se nas fronteiras do termo complexo e, portanto, focaliza o contexto interno de suas partes.

Como já se disse, este estudo pretende investigar o comportamento das UTCs no âmbito da LE e, para tanto, assumiremos os resultados de Café (1999), isto é, estamos considerando que as dez regras identificadas por Café (1999) sejam recorrentes em outras LEs. Assim, a partir daqui, faremos a aplicação dos resultados de Café (1999) a um corpus extraído da Linguagem Enológica, com a finalidade de verificar se as regras de formação serão confirmadas.

 

5 O corpus

As 121 UTCs que compõem o corpus foram compiladas dos resultados encontrados por Abreu & Lara (2000), com o objetivo de analisar as propriedades sintático-semânticas, segundo modelo funcional, das LEs. A primeira providência foi separá-las de acordo com as regras de formação propostas por Café (1999). A seguir, cada conjunto de UTCs foi reordenado de acordo com as representações sintáticas e morfológicas pertinentes a cada uma das regras.

Tabela 2 – Descrição de UTC

1 ª UTC:

ACIDEZ FIXA

Fórmula sintática:

[N[SA]]

Fórmula morfológica:

[N[Adj]]

Regra de formação:

[f[x1]]

Elemento:

(1) acidez

(2) fixa

Predicação nuclear:

Base

Argumento 1

Categoria gramatical:

Nome

Adjetivo

Função semântica:

Efeito

Propriedade

Função sintática:

Sujeito

Adjunto do nome

Função pragmática:

Tópico

Foco

Conectivo:

----------------

--------------

Assim, como se vê na Tabela 2, primeiramente, para cada UTC, foi reescrita a fórmula sintática e a fórmula morfológica. Após a identificação da estrutura morfossintática da UTC, buscamos a correspondente regra de formação, de acordo com os padrões de formação propostos no modelo de Café. Além disso, cada elemento constitutivo da UTC foi analisado e classificado quanto ao seu papel dentro da predicação ( isto é, base, argumento ou satélite); a sua categoria gramatical; a sua função semântica; a sua função sintática; e, a sua função pragmática. O resultado pode ser observado na Tabela 2, na qual, a título de exemplificação, apresentamos a descrição da UTC “acidez fixa”:

 

6 Análise dos dados

Feita a necessária ordenação e classificação, promovemos a análise dos resultados obtidos através da descrição das 121 UTCs intra corpus, isto é, aquilo que pertence ao corpus e, portanto, coletadas e tratadas computacionalmente.

As UTCs foram agrupadas de acordo com a complexidade estrutural de cada uma delas e a respectiva regra de formação. As regras de formação analisadas foram as seguintes:

Tabela 3 – As regras de formação de UTCs na Biotecnologia dos Vegetais (Café, 1999)

Regras de formação

UTC

(1) [f[x1]]

Embriogênese somática

(2) [[f[x1]] [y1]]

Recombinação homóloga in vivo

(3) [f[y1]]

Embriogênese in vitro

(4) [f[x1[x1/1]]]

Cultura de tecidos de plantas

(5) [f[x1[x1/1[x1/1/1]]]]

Vetor de clonagem de genes de plantas

(6) [f[x1][x2]]

Árvore elite adulta

(7) [f[x1] [x2[x1/2]]]

Clone sadio livre de virose

(8) [f[x1] [x2[x1/2[x1/1/2]]]]

Propagação clonal com fidelidade ao tipo original

(9) [f[x1[x1/1]] [x2[x1/2]]]

Bactéria de vida livre fixadora de nitrogênio

(10) [f[x1] [x2] [x3]]

Componente genômico nuclear de plantas

A Tabela 3 apresenta as dez regras de formação das UTCs na LE estudada por Café (1999).

Assim, o primeiro passo da análise permitiu uma visão geral do padrão morfossintático destas unidades na linguagem da Análise Sensorial Enológica. Para melhor visualização dos resultados encontrados, vejamos o Gráfico 1 .

 

Gráfico 1 – Ocorrência de UTCs por regra de formação

Este gráfico desenha a substancial diferença no padrão comportamental para as duas linguagens, aqui comparadas. Isto é, a Biotecnologia dos Vegetais apresentou 100 (47,61%) ocorrências contra 104 (86,00%) na Análise Sensorial Enológica para as unidades com estrutura do tipo da Regra 1.

Para melhor compreensão dos resultados no âmbito da Análise Sensorial Enológica, vejamos alguns exemplos:

( 1 ) UTCs com estrutura do tipo da Regra 1

w    = [        f       [ x1 ] ]

UTC = [ base    [ argumento ] ]

        açúcares     residuais

        avaliação    por pontos

( 2 ) UTCs com estrutura do tipo da Regra 6

w =     [ f        [ x1 ]                [ x2 ] ]

UTC = [ base    [ argumento1 ]   [ argumento2 ] ]

           acidez    total                  expressa

Como se vê, em (1), todas as UTCs constituem-se de [base + argumento] – estrutura aqui denominada de Regra 1; enquanto, em (2), a única ocorrência é constituída de [base + argumento + argumento] – estrutura aqui denominada de Regra 6. Portanto, em (1) temos algumas das 104 UTCs que, no Gráfico 1, assinalaram a Regra 1 como padrão de formação no léxico da Análise Sensorial Enológica.

Este gráfico revela que, em ambas as linguagens, a Regra 1 representa a estrutura mais produtiva para a formação de UTCs.

Vejamos o Gráfico 2, o qual mostrará, com maior clareza, os resultados obtidos no âmbito da Análise Sensorial Enológica, já contendo o desdobramento da Regra 1 de acordo com sua representação morfossintática.

Gráfico 2 – As UTCs no âmbito da Análise Sensorial Enológica

Como se vê, dos 86% de ocorrências na Regra 1, 60% são compostas por [ nome + sintagma adjetival ] e 26% por [nome + sintagma preposicional]. As ocorrências na Regra 6 são de 1%, sendo os restantes 13% de desvios. As ocorrências intituladas “desvios” correspondem a UTCs com base elíptica ou casos especiais, que veremos mais adiante.

Ao compararmos estes resultados com os de Café, constatou-se que a categoria adjetivo, para os argumentos na Regra 1, efetivamente se confirma como a mais produtiva. Contudo, a categoria de sintagma preposicional apresentou uma ocorrência mais expressiva no âmbito da Análise Sensorial Enológica, conforme o Gráfico 3:

Gráfico 3 – Categoria gramatical do argumento na Regra 1


Neste gráfico, fica demonstrado que, no âmbito da Análise Sensorial Enológica, a base preferentemente exige um argumento da categoria gramatical dos adjetivos .

Isto determina que a função sintática de adjunto do nome seja a mais exigida pela base, como podemos verificar na Tabela 4 abaixo.

Tabela 4 – Função sintática do argumento na Regra 1

Função sintática do argumento

Biotecnologia dos Vegetais

Análise Sensorial Enológica

%
%

Adjunto do nome

91

91.00

72

69.23

Complemento do nome

4

4.00

32

30.77

Complemento circunstancial

5

5.00

0

0.00

TOTAL

100

100

104

100

Quanto à função semântica, na Análise Sensorial Enológica, os resultados indicaram 63,46% como entidade e 31,73% como processo para a base, enquanto que para o argumento a indicação foi de 53,84% como propriedade e 26,92% como vínculo .

Para melhor compreensão dos resultados no âmbito da Análise Sensorial Enológica, vejamos alguns exemplos:

(3) a) UTCs com função semântica entidade para a base:

•  avelã tostada

•  borracha queimada

•  células da mucosa

       b) UTCs com função semântica processo para a base:

•  graduação alcoólica

•  individuação das características

(4) a) UTCs com função semântica propriedade para o argumento:

•  impressões olfativas

•  julgamento geral

•  matéria corante

       b) UTCs com função semântica vínculo para o argumento:

•  substâncias aromáticas

•  uvas americanas

Como até aqui a análise apontou exclusivamente para o padrão do tipo da Regra 1, utilizamos as UTCs extra corpus na tentativa de verificarmos a procedência deste padrão, uma vez que o corpus desta pesquisa partiu de uma amostragem piloto. Por UTCs extra corpus endende-se as unidades coletadas casualmente e portanto não receberam tratamento computacional, nem tão pouco o crivo do especialista da área.

O Gráfico 4 , a seguir, mostra as ocorrências nos dois grupos de dados (intra e extra corpus) das UTCs na linguagem da Análise Sensorial Enológica.

Gráfico 4 – UTCs na linguagem da Análise Sensorial Enológica

A evidência de produtividade da Regra 1 é inegável nesta LE, porém é preciso chamar a atenção para o número de ocorrências da Regra 6 nos dados extra corpus , pois estas 29 ocorrências, além de representarem um número significativo da Regra 6, podem ser um índice de produtividade em uma pesquisa que explore um número maior de UTCs neste domínio.

Além da confirmação de maior ocorrência de UTCs no padrão da Regra 1, constatou-se que a estrutura morfossintática e a categoria gramatical do argumento também confirmam a preferência de seleção de adjetivos pela base destas unidades, conforme pode ser observado no Gráfico 5 , abaixo:

Gráfico 5 – Categoria gramatical do argumento na Regra 1 no âmbito da Análise Sensorial Enológica

A partir do que demonstramos, é possível afirmarmos que as UTCs, no léxico da Análise Sensorial Enológica, têm um comportamento próprio para designar seus conceitos. Tanto que, embora em pequena escala, encontramos o que foi denominado de “desvios”, isto é, ocorrências com base elíptica e casos especiais.

Os casos de base elíptica corresponderam a apenas 11 unidades das UTCs intra corpus , cujo processo só pode ser confirmado através da análise do contexto no qual estas unidades foram utilizadas. Embora as ocorrências não sejam expressivas neste corpus , consideramos possível que este processo caracterize o comportamento das UTCs no âmbito da Análise Sensorial Enológica. Assim, faz-se necessária a verificação e conseqüente confirmação da ocorrência de base elíptica em outras fontes documentais, buscando exaurir sua terminologia, uma vez que sua formalização poderá redirecionar a análise e viabilizar a automação das mesmas.

Vejamos um exemplo:

(5) UTCs com base elíptica:

Quando nos referimos à presença de gás, falamos do anidrido carbônico, que é um componente natural, formado durante o processo fermentativo e que freqüentemente permanece dissolvido (...)

Porém, o anidrido carbônico também poderá ser visível na forma de pequenas bolhas, em vinhos alterados pela ação de bactérias ou leveduras.

(Lona, 1996)

Neste fragmento, o contexto evidencia a elipse da base, que é a unidade lexical “gás”.

Quanto aos chamados casos especiais, as unidades aqui classificadas poderão indicar novas possibilidades de se representar sintática e morfologicamente a composição estrutural das UTCs. Ao que tudo indica, caso se confirmem estas ocorrências, elas irão ampliar as representações da Regra 1, pois a relação de seus elementos é do tipo [base[argumento]].

Vejamos alguns exemplos de casos especiais:

( 6 ) análise química / aspiração direta

Estas UTCs têm a seguinte estrutura:

[ Fórmula sintática ] --> [ Fórmula morfológica ]

                [ N [ SN ] ] --> [ N [ N ] ]

(7) sensação de amargo / sensação de doce

Para estas, a estrutura é a seguinte:

[ Fórmula sintática ] --> [ Fórmula morfológica ]

                [ N [ SP ] ] --> [ N [ P + Adj ] ]

Como se vê, as quatro UTCs têm o mesmo padrão da Regra 1 , [ base + argumento ], diferindo na categoria gramatical para a composição do argumento.

Contudo, como já se disse, somente abarcando o conjunto de UTCs do léxico da Análise Sensorial Enológica é que será possível fazer qualquer afirmação sobre os casos que, nesta pesquisa, foram considerados como “desvios”.

 

7 Conclusão

As dez regras propostas por Café (1999) não são recorrentes no âmbito desta LE, portanto não constituem evidência de que sejam um padrão geral de formação de UTCs.

Enfim, as UTCs no âmbito da Análise Sensorial Enológica, aqui estudadas, demonstraram ter um comportamento próprio para designar seus conceitos. Isto é, as regras de formação propostas por Café (1999) não foram confirmadas nesta LE, uma vez que apenas a predicação do tipo [f [ x1 ]] (Regra 1), devido a sua grande ocorrência – 86% do corpus, demonstrou uma substancial produtividade na linguagem de especialidade examinada nesta pesquisa. No entanto, no que diz respeito às funções (sintática, semântica e pragmática), o processo de elipse da base constitui-se num ponto de partida para futuras pesquisas.

 

Referências bibliográficas

ABREU, S. P. & LARA, L. Z. (2000) Considerações sobre a formação lexical de verbos denominais em linguagem de especialidade. Letras de Hoje. Porto Alegre, vol. 35, p. 139-154.

BASILIO, Margarida. (1999) Teoria lexical. São Paulo: Ática. Série Princípios.

CAFÉ, Lígia. (1999) La description et lánalyse des unités terminologiques complexes en langue portugaise (varieté brésilienne): une contribution à l'automatisation de la banque de donnés terminologiques du Brésil (BRASILTERM). Tomos I e II. Tese de doutorado. Québec.

DIK, Simon. (1977) Gramática funcional. Sociedade General Española de Libreria, Madrid.

DUARTE, Denise S. (2001) Unidades terminológicas complexas: um estudo lexical no âmbito da Análise Sensorial Enológica. Dissertação de Mestrado. UFRGS.

FAULSTICH, Enilde. (1994) Natureza epistemológica do lexema e do termo. In: _____. XXIII Anais de seminários do GEL, vol. I (trabalho apresentado no XLI Seminário de Estudos Lingüísticos, 1994: 313-319)

NEVES, Maria Helena de Moura. (1997) A gramática funcional. São Paulo: Martins Fontes.

RATTI, R. (1984) Como degustar os vinhos. In: ____. Manual do degustador. Bento Gonçalves: Edições AEB Latino Americana.

ZINGLÉ, H. (1997) Acquisition et traitement de données terminologiques avec Ztermino. Travaux du Lilla n.2, Publ. De la Faculté des Lettres, Arts et Sciences Humaines de l'Université de Nice-Sophia Antipolis.

[1] Dissertação de mestrado intitulada “Unidades terminológicas complexas: um estudo lexical no âmbito da Análise Sensorial Enológica”, defendida no PPGLET/UFRGS em março de 2001, sob orientação da Profª Drª Sabrina Pereira de Abreu.

[2] A Análise Sensorial Enológica é uma das áreas do domínio da Enologia. Segundo Abreu & Lara (2000), “a Enologia procura conhecer as uvas e os vinhos, a partir da análise de seus elementos constituintes, e desvendar os fenômenos químicos e biológicos com os quais estão envolvidos. (...) A Análise Sensorial Enológica, a partir das propriedades organolépticas, permite analisar do ponto de vista hedônico e principalmente técnico os vários componentes do vinho, avaliá-los e julgá-los no seu conjunto, apreciando suas características positivas e evidenciando os aspectos negativos, além de efetuar previsões razoáveis sobre eventuais evoluções e transformações.”

 

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