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Propriedades e caracterização das unidades fraseológicas especializadas
Cleci Regina Bevilacqua
Projeto Termisul
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
cleci.bevilacqua@terra.com.br
Neste trabalho temos o objetivo de apresentar alguns resultados da pesquisa que desenvolvemos para a tese de doutorado [1] referente às Unidades Fraseológicas Especializadas (UFE). Inicialmente, apresentaremos a definição que elaboramos para estas unidades. Em seguida, e a partir de um conjunto de unidades fraseológicas coletadas para esta pesquisa, faremos referência a algumas de suas propriedades, principalmente aquelas referentes aos aspectos semânticos, pragmáticos e sintáticos. Desse modo, pretendemos oferecer elementos que contribuam para a compreensão da conformação e do funcionamento das UFE como unidades transmissoras de conhecimento especializado. Inserimos o estudo da fraseologia especializada no âmbito da terminologia e, dentre os novos paradigmas propostos para esta área, enfocamos nosso objeto de estudo levando em conta os pressupostos teóricos da Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT) proposta por Cabré (1999, 2001), porque consideramos que somente uma teoria comunicativa que leve em conta não apenas os aspectos lingüísticos, mas também os comunicativos, e que, além disso, tome o texto como base de análise, pode dar conta do caráter essencialmente discursivo das UFE.
Ressaltamos, no entanto, que embora este paradigma ofereça novos elementos para a descrição e explicação do funcionamento das Unidades Terminológicas (UT) e também de outras Unidades de Conhecimento Especializado (UCE), entre as quais incluímos as UFE, é uma teoria ainda em elaboração. No que diz respeito a estas últimas unidades ainda deve ser desenvolvida uma proposta para sua identificação e descrição dentro dessa teoria. Portanto, a TCT nos serve como ponto de partida ou ainda como subsídio a partir do qual dirigimos o olhar para nosso objeto de estudo. Nesse sentido, pensamos que a pesquisa desenvolvida na tese de doutoramento, e da qual alguns resultados apresentamos neste trabalho, poderá contribuir em muito para a conformação deste paradigma, na medida em que pretendemos chegar a um conjunto de elementos de caráter teórico-descritivo que sirva para a caracterização das UFE e de seu funcionamento nos textos especializados.
Estabelecidos estes pressupostos de partida, passamos a apresentar nossa definição de UFE. Embora sejamos conscientes da diversidade de definições propostas para as unidades fraseológicas especializadas [2], trataremos aqui somente um tipo de unidade, levando em conta os resultados obtidos em trabalhos anteriores (Bevilacqua 1996 e 1999). Desse modo, consideraremos como fraseológicas as unidades caracterizadas pelas seguintes propriedades:
são unidades sintagmáticas formadas por um ou mais de um termo, que denominamos de núcleo terminológico (NT), e um núcleo eventivo (NE), assim denominado por ser procedente de verbo;
o NT representa um nó de conhecimento na estrutura conceptual de um âmbito especializado, tem valor referencial e categoria nominal e possui um caráter denominativo (calor, energia, energia solar, luz, radiação, raio, sol, etc. [3]);
o NE é de categoria verbal ou derivada de verbo (nominalização ou particípio) e denota atividades, ações e processos próprios de determinada área de conhecimento ou temática;
entre estes dois núcleos se estabelecem relações de tipo sintático, mas principalmente de caráter semântico determinado pelas condições pragmático-discursivas, o que confere à unidade um caráter estável, isto é, de unidades semifixas;
são, portanto, unidades que se conformam pelo e no discurso em que ocorrem, passando a ter valor especializado pelas características do texto em que são utilizadas, principalmente pelos aspectos pragmáticos como a temática e a situação comunicativa (interlocutores envolvidos, graus de especialização e finalidade dos textos);
conseqüentemente, podem ser compreendidas como Unidades de Significação Especializada (USE) e passam a ter um caráter de unidades transmissoras de conhecimento específico de uma área de conhecimento.
Partindo dessa definição, resultante da análise dos dados coletados para a tese, foi possível elaborar a hipótese de que o NE e o NT formam uma estrutura subjacente que superficialmente pode estar representada por três estruturas sintáticas como vemos a seguir:
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[NE]V + [NT]N: consumir energía / captar rayos solares |
| [NE] + [NT] |
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[NE]Nominalização/N + [NT]SP: consumo de energía / captación de rayos |
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[NT]N + [NE]Part : energía consumida / rayos solares captados |
Portanto, nosso corpus de análise está constituído por unidades que pertencem a estes três tipos estruturais básicos. A seguir, apresentaremos algumas de suas propriedades, enfocando sobretudo as estruturas formadas por verbo, pois é a partir delas que se derivam as outras duas estruturas. Inicialmente, faremos referência às propriedades semânticas, seguidas das pragmático-discursivas para, finalmente, mencionar suas características sintáticas.
Propriedades semânticas
São propriedades fundamentais para a caracterização da fraseologia especializada e se encontram estreitamente relacionadas aos aspectos pragmático-discursivos. Entre estas propriedades destacamos as seguintes:
a) Significado ou valor especializado que assumem o NT e o NE determinado tanto pela relação que se estabelece entre estes dois núcleos como pelas condições pragmáticas como o âmbito, a temática e os interlocutores implicados na produção de um texto especializado. Em princípio, segundo os pressupostos da TCT, o que existe é uma unidade léxica que por seu uso passa a ser uma palavra ou um termo. No caso das UFE, para o NT, como seu próprio nome diz, sua identificação como unidade que adquire valor especializado parece ser, em princípio, mais fácil, dado seu caráter denominativo e sua função referencial a um nó de conhecimento na estrutura conceptual de uma área. Por sua vez, o NE passa a adquirir este valor a partir da relação que estabelece com o NT, o que lhe confere determinado valor semântico, isto é, seu valor especializado só se configura quando identificamos as relações que estabelecem com os NT. Desse modo, passam a designar os processos e atividades relacionados aos NT com os quais co-ocorre e, portanto, a fazer referência a processos e atividades específicos de determinada área de conhecimento. Por essa razão seria possível considerar os NE também como termos próprios da temática tratada nos textos do corpus utilizado [4]. Como conseqüência, podemos considerar a relação estabelecida entre o NE e o NT como uma propriedade semântica fundamental para caracterizar uma unidade como UFE.
b) Representação das UFE através de uma estrutura profunda formada por estes dois núcleos. É através do reconhecimento ou da identificação das relações semântico-pragmáticas estabelecidas entre os dois núcleos que é possível chegar a estrutura profunda comum a partir da qual se derivam as três estruturas básicas superficiais das UFE que propomos em nossa hipótese e que nos serve de base para explicar a formação dessas unidades e seu funcionamento nos textos especializados.
c) Grau de fixação das UFE: Essas relações também passam a determinar o grau de fixação dessas unidades, ou seja, do nosso ponto de vista, a estabilidade das UFE se define principalmente pelo estabelecimento dessas relações e, em menor grau, pelas propriedades sintáticas ou por sua freqüência elevada em determinado texto ou âmbito, como costumam propor os estudiosos do tema. Ressaltamos que esse enfoque se diferencia das propostas feitas em geral para determinar o grau de fixação das unidades fraseológicas.
A partir dessas propriedades fundamentais que determinam o caráter fraseológico de determinadas unidades sintagmáticas, salientamos que os dois núcleos que as formam passam a constituir-se como dois pólos semânticos que possuem igual importância para essas unidades lingüísticas. Tal fato também representa uma perspectiva diferente em relação a outras propostas relativas às UFE, pois nestas o núcleo central da unidade são os termos.
Além dessas propriedades que caracterizam e permitem compreender o valor fraseológico e especializado que assumem determinados sintagmas ou unidades lingüísticas, neste momento, estamos na etapa de descrição do corpus de análise e mencionaremos brevemente outros aspectos semânticos que permitirão conhecer melhor seu funcionamento e indicarão parâmetros para a formulação de um conjunto de regras que expliquem sua formação. Comentaremos alguns destes aspectos a seguir.
Considerando o NE como um elemento de categoria verbal ou derivada de verbo, tomamos como ponto de partida para a descrição a estrutura [NE]v + [NT] e, a partir dela, descreveremos, posteriormente, as outras duas estruturas superficiais. Tomada esta decisão, classificamos semanticamente esses núcleos eventivos tomando por base a proposta de Faber e Mairal (1999). Desse modo, foi possível chegar a seguinte classificação semântica dos NE:
1. NE que indicam movimento, pois implicam deslocamento, mudança de lugar do NT (objeto). Fazem parte deste grupo: transmitir (transmitir calor);
2. NE que se referem a uma modificação. São ações que se exercem sobre algo, causando uma alteração ou uma transformação. Pertencem a este grupo os NE: convertir, transformar e aumentar. (Ex: transformar energía en electricidade; transformar energía en calor, aumentar a temperatura);
3. NE que designam posse, incluindo os sentidos de passar a ter algo ou de deixar de ter algo. Se subdividen em:
3.1 Passar a ter algo: obtener (obtener electricidade)
3.1.1 Obter algo como resultado de trabalho ou esforço: absorber, captar, tomar (absorber la radiación solar, captar la luz)
3.1.2 Obter algo depois que foi enviado a alguém (algo): recibir (recibir los rayos)
3.1.3 Obter um grande número de cosas por um longo período de tempo: acumular, concentrar (acumular calor, concentrar la energía)
3.2 Continuar a ter algo: conservar, almacenar (conservar o calor do sol, almacenar calorías)
3.3 Deixar de ter algo: disipar (dissipar energía)
3.4 Fazer com que alguém/algo tenha algo
3.4.1 Dar a alguém/algo o que é necessário: proporcionar, abastecer (proporcionar temperaturas elevadas, abastecer corriente)
3.4.2 Dar algo em partes/unidades a muitas pessoas: distribuir (distribuir energía eólica)
4. NE que denotam ação (fazer algo) que se subdivide nos seguintes grupos:
4.1 Fazer algo para obter determinado resultado: usar, aprovechar, emplear, utilizar (utilizar agua, utilizar una bomba de calor; usar gas natural, usar lentes o espejos);
4.1.1 Usar algo até que se esgote: consumir, gastar (gastar calorías; consumir agua caliente/combustible)
5.1 Criar algo por meio de uma ação/ atividade: generar, producir (crear / generar / producir energía);
Essa classificação tem por objetivo identificar as propriedades comuns dos NE pertencentes aos mesmos grupos para poder chegar a uma caracterização de seu funcionamento no que se refere, por exemplo, à seleção dos argumentos, às restrições combinatórias ou de derivação das outras duas estruturas superficiais que propomos em nossa hipótese, permitindo, assim, aprofundar o estudo das propriedades das UFE e chegar a algumas generalizações sobre as características e a algumas regras sobre a formação da fraseologia especializada.
No que diz respeito aos NT ainda estamos testando uma proposta para uma análise mais detalhada dos mesmos. Uma das possibilidades é a de identificar os papéis temáticos que desempenham no interior da unidade com o objetivo de poder identificar as relações entre o tipo semântico do NE e a seleção de argumentos e obter, desse modo, elementos que permitam explicar melhor o tipo de relação que se estabelece entre os NE e os NT. A seguir apresentamos dois exemplos para ilustrar a descrição que pretendemos realizar:
[malla]instrumento [absorber]proceso [calor]tema (Si se inyecta aire caliente a través de la malla, ésta absorbe calor.)
[evaporador]instrumento [captar]proceso [calor]tema/origen (Un evaporador que capta el calor del manantial a baja temperatura)
Além destes, outros aspectos semânticos podem ser analisados como as questões de sinonímia e antonímia entre as UFE. São aspectos que pretendemos estudar posteriormente e, por esta razão, não fazemos menção a eles neste momento.
Propriedades pragmático-discursivas
Já afirmamos anteriormente que a inter-relação entre as propriedades semânticas e as pragmático-discursivas é fundamental para a constituição e caracterização das UFE, uma vez que são estas últimas (temática, objetivos do texto, situação comunicativa, etc.) que conferem valor especializado às unidades fraseológicas. A existência dessa estreita inter-relação poderia levar-nos a tratar conjuntamente estas propriedades, mas preferimos mencionar alguns aspectos pragmático-discursivos separadamente para poder tratá-los de forma mais aprofundada e também para ressaltar sua importância. Alguns destes aspectos são:
a) Caráter relacional das UFE . Se comparamos as UT com as UFE, observamos que as primeiras possuem um caráter referencial e denominativo, isto é, cumprem a função de fazer referência a um determinado núcleo ou nó de conhecimento na estrutura conceptual de determinado domínio, conforme já afirmamos anteriormente. Por sua vez, as UFE, embora estejam constituídas por dois núcleos que podem ter caráter referencial, como unidade possuem um valor relacional, uma vez que estabelecem uma relação entre os dois núcleos que a constituem que é semântica, como vimos, mas que também é de caráter pragmático-discursivo, ou seja, que está determinada pelo discurso em que ocorrem.
b) Função discursiva das UFE e caráter estável. A caracterização das UFE a partir de determinadas propriedades pragmáticas como domínio, temática, objetivo do texto em que são utilizadas, lhe confere uma função discursiva própria que é a de transmitir conhecimento especializado específico. Essa função, juntamente com suas especificidades semânticas, determinam o seu caráter de unidade estável e própria de determinada área.
c) Nível de especialização dos textos. Outro aspecto pragmático importante é o nível de especialização dos textos [5] que influenciam na realização sintática das UFE a partir das três estruturas básicas que propomos. Sobre este aspecto, selecionamos um texto de maior nível de especialização e outro de menor nível, e constamos que, no texto de maior nível de especialização, há a tendência de utilizar-se as UFE em suas formas básicas ([[NE]V + [NT]N]; [[NE]nominalização + [SP]Prep+NT]; [[NT] + [NE]Part) sem a inserção de outros elementos lingüísticos (artigos, adjetivos, advérbios). São unidades com menor variação sintática, isto é, as UFE são sintaticamente mais estáveis, refletindo, o caráter mais conciso e direto do texto determinado pela temática e seus objetivos. Já para o texto de menor nível de especialização, ocorre uma variação sintática maior das estruturas básicas com a inserção de outros elementos lingüísticos entre os dois núcleos. Essa variação sintática está relacionada ao caráter mais genérico, menos direto e conciso do texto, que trata de uma temática mais abrangente e está dirigido a um público leigo para o qual é necessário explicitar mais detalhadamente os processos a que faz referência para que sejam entendidos da melhor forma possível.
Das afirmações feitas anteriormente, é possível observar que, para a caracterização que propomos das UFE, é fundamental levar em conta e, mais que isso, explicitar os fatores pragmático-discursivos, pois eles determinam em grande parte o caráter fraseológico e especializado de determinadas unidades sintagmáticas utilizadas nos textos especializados.
Propriedades sintáticas
Em relação às propriedades sintáticas das UFE, podemos dizer que a análise morfossintática das unidades recolhidas permitiu, a partir das três estruturas básicas apresentadas anteriormente, não somente estabelecer uma tipologia para as UFE coletadas, mas também identificar os elementos que se incluem entre o NE e o NT. Desse modo, foi possível chegar a algumas generalizações a respeito dos elementos lingüísticos que podem ser inseridos entre os NE e NT para cada um dessas três estruturas e, posteriormente, nos permitirá chegar a algumas conclusões a respeito do grau de fixação ou de estabilidade sintática dessas unidades.
A seguir, apresentamos algumas de suas propriedades morfossintáticas.
a) Tipologia das UFE
Para a estrutura básica [[NE]V + [NT]N] identificamos as estruturas morfossintáticas que apresentamos abaixo, nas quais podemos observar a inserção de artigos, preposições, adjetivos, quantificadores e advérbios:
[[NE]V + [NT]N]: absorber energía:
V+ Art+ N: absorbe la energía gratuita
V+Art+Adj+N: absorben una determinada energía solar
V+Prep+Art+N: se aprovecha una energía (de baja temperatura)
V+Pron adjetivo (anafórico)+N: disipar esa energía sobrante
- N+V+Prep+N: la energía potencial se convierte en energía cinética
Por sua vez, as estruturas identificadas para o padrão [NE]Nominalização + [NT]SP somente admitem a inserção de artigos e adjetivos como se vê nos exemplos:
[[NE]N + [NT]Sp(Prep+N)]: aprovechamiento de energía
N+Prep+Art+N: aprovechamiento de la energía solar
N+Adj+Prep+N: almacenamiento económico de energía solar
N+Prep+N+ Prep+N: conversión de la energía solar en electricidad
N+Adj+Prep+ Art+N: conversión biológica de la energía solar
Finalmente, para as unidades correspondentes à estrutura [NT]N + [NE]Part detectamos uma variação mínima na estrutura, admitindo apenas a inclusão de adjetivos como vemos nos casos seguintes:
[[NT]N + [NE]Part]: energía consumida
N +Adj + Part: energía necesaria consumida
b) Variação sintática e aspectos pragmático-discursivos. Além do estabelecimento dessa tipologia, já mencionamos ao tratar dos aspectos pragmático-discursivos, que foi possível observar que há relação entre o nível de especialização de cada um dos textos utilizados e a realização superficial das UFE.
c) Variação sintática e estabilidade. Apesar de existir essa variação na estrutura morfossintática das UFE, do nosso ponto de vista, elas refletem a organização interna do discurso e os diversos matizes ou efeitos de sentido que o emissor pretende gerar a partir da estrutura subjacente de uma determinada UFE ou mais concretamente da estrutura [NE] + [NT]. Com isso queremos dizer que, para nós, as estruturas sintáticas não são as responsáveis pela estabilidade ou pelo maior ou menor grau de fixação das UFE e sim, como afirmamos anteriormente, as relações semânticas que se estabelecem entre seus núcleos. Mais que isso, explicar as UFE a partir desses dois núcleos nos permitiu registrar toda a variação sintática das unidades derivadas da estrutura subjacente, o que reforça uma vez mais a importância de ambos na constituição das unidades que estudamos.
Conclusões :
Para concluir, gostaríamos de dizer que, embora não tenhamos apresentado aqui exaustivamente as propriedades que caracterizam as UFE, acreditamos ter arrolado alguns fatores fundamentais que nos ajudam a entender a formação e o funcionamento dessas unidades.
Entre estes aspectos, ressaltamos os semânticos e pragmático-discursivos que embasam nossa definição de UFE e oferecem subsídios para aprofundar ainda mais na sua descrição, ao mesmo tempo que nos ajudam a explicar a representação superficial ou sintática dessas unidades. Nesse sentido, nossa proposta congrega diversos níveis de análise (morfossintático, semântico e pragmático), possibilitando uma descrição mais completa dessas unidades e, portanto, se diferencia em relação às propostas feitas até o momento para sua identificação e tratamento.
Esperamos desse modo, poder chegar a algumas generalizações que permitam reconhecer de forma mais eficaz e adequada a fraseologia especializada e explicar sua formação e funcionamento nos textos especializados e que, ao mesmo tempo, sirvam de subsídios para complementar e implementar os pressupostos teóricos da TCT.
Referências Bibliográficas
ALEMANY, J. (1982). Las otras energías. Energía solar, directa e indirecta. Eólica – Hidtráulica – Biogas. Barcelona: Círculo de Lectores. (Colección Alternativas)
BEVILACQUA, Cleci R. (1999) Las unidades fraseológicas especializadas: propuesta complementaria para su identificación. Em: Cabré, M. T; Feliu, J. La terminología científico-técnica: reconocimiento, análisis y extracción de información formal y semántica. Barcelona: Universitat Pompeu Fabra, Institut Universitari de Lingüística Aplicada.
BEVILACQUA, Cleci R. (1998). Unidades Fraseológicas Especializadas: novas perspectivas para sua identificação e tratamento. Organon, 26, vol. 12. Porto Alegre, Instituto de Letras/UFRGS, p. 119-132.
BEVILACQUA, Cleci R. (1996). A fraseologia jurídico-ambiental. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Curso de Pós-Graduação em Letras. [Dissertação de Mestrado]
CABRÉ, María T. (1999) Terminología: Representación y comunicación. Una teoría de base comunicativa y otros artículos. Barcelona: Universitat Pompeu Fabra, Institut Universitari de Lingüística Aplicada.
CABRÉ, M. T. (2001). “Sumario de principios que configuran la nueva propuesta teórica”. En: CABRÉ, M.T.; FELIU, J. La terminología científico-técnica: reconocimineto, análisis y extracción de información formal y semántica (DGES PB96-0293). Barcelona: Institut Universitari de Lingüística Aplicada, Univesitat Pompeu Fabra, p.19-25.
CABRÉ, M. T. (2001) Consecuencias metodológicas de la propuesta teórica (I). En: CABRÉ, M.T.; FELIU, J. La terminología científico-técnica: reconocimineto, análisis y extracción de información formal y semántica (DGES PB96-0293). Barcelona: Institut Universitari de Lingüística Aplicada, Univesitat Pompeu Fabra, p.27-36.
DOMENECH, M. (1998). Unitats de coneixement i texts especializats: primera proposta d'anàlisi. Barcelona: Universitat Pompeu Fabra, Institut Universitari de Lingüistica Aplicada.
FABER, P.; MAIRAL USÓN, R. (1999). Constructing a lexicon of English verbs. Berlin: Mouton de Gruyter.
GARCÍA-BADELL LAPETRA, J. X. (1983). Cálculo de la energía solar. Madrid: Ministerio de Agricultura, Pesca y Alimentación. Instituto Nacional de Investigaciones Agrarias.

[1] Realizado no Instituto Universitário de Lingüística Aplicada da Universidade Pompeu Fabra, Barcelona, sob a orientação da Profa. Dra. Maria Teresa Cabré.

[2] Para uma revisão das diferentes denominações e definições referentes às Unidades Fraseológicas Especializadas, ver Bevilacqua (1996, 1999).

[3] Os exemplos aqui apresentados foram coletados em dois textos sobre a temática da energia solar, um de nível de especialização maior e outro menor, que totalizam 84.500 ocorrências. Estes textos fazem parte do Corpus Técnico (CT) IULA que possui textos das áreas do Direito, Economia, Informática, Medicina e Meio Ambiente.

[4] O caráter de termo do NE ainda deve ser melhor analisado e esperamos, no final da pesquisa, poder oferecer

[5] Para a seleção dos textos que constituem nosso corpus textual, nos baseamos na proposta Hoffmann (1998) e Cabré (1998) que apresentam vários parâmetros que caracterizam os diferentes níveis de especialização que pode ter um texto especializado. Os textos selecionados são de Alemany e García-Badell Lapetra que se encontram arrolados nas referências bibliográficas.
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