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Traduzir ou incorporar? Estrangeirismos na terminologia da área moveleira
Giselle Mantovani
Universidade de Caxias do Sul
gomdcorn@ucs.br
Flávia Gisele Saretta
Universidade de Caxias do Sul
fgs@royalnet.com.br
Brasil
Resumo: Em meio ao debate sobre o fenômeno dos estrangeirismos, suscitado pelo Projeto de Lei 1676/1999, este trabalho pretende oferecer uma contribuição da terminologia da área moveleira para apontar a “coexistência pacífica” de termos vernaculares e termos originários de diferentes línguas estrangeiras, coletados em revistas de arquitetura e decoração destinadas a um público iniciado ou relativamente iniciado na área, durante um período de quatro anos (1998-2001). A amostra coletada é também analisada com base no modelo de variação terminológica proposto por Faulstich (2002).
PALAVRAS-CHAVE: empréstimos e estrangeirismos; variação terminológica; terminologia da área moveleira.
ABSTRACT: As the linguistic community discusses the phenomena concerning linguistic borrowings and foreign words raised by government Bill 1676/1999, this paper intends to bring a contribution from analysis of the furniture terminology in order to point out the “pacific coexistence” of vernacular terms and terms from different languages, collected from architecture and decoration magazines aimed at initiates or uninitiated people in the field, in a period of four years (1998-2001). The sample is also analysed in the light of Faulstich's (2002) model of terminological variation.
KEY WORDS: linguistic borrowings and foreign words; terminological variation; furniture terminology.
Introdução Nunca antes o mundo esteve tão integrado e os países engajados em trocas de diversas naturezas com a rapidez que se verifica hoje. O contato entre comunidades lingüísticas diferentes é estimulado e, em decorrência, constata-se a utilização, por parte dos falantes de uma determinada língua, de vocábulos de línguas estrangeiras, “importados” juntamente com o produto ou a moda por eles descritos. Nos últimos dois anos, muito se tem debatido no Brasil sobre o fenômeno dos estrangeirismos, em função de um projeto de lei que tramita em instâncias governamentais, determinando a substituição, em prazo dado, de palavras ou expressões em língua estrangeira impressas e expostas, pelo fato de serem lesivas ao patrimônio cultural brasileiro.
Uma breve incursão pelo mundo de certas línguas de especialidade, como a da área moveleira, objeto de nosso estudo, que se relaciona de perto com a arquitetura e a decoração, permite observar o uso constante de termos em diferentes línguas estrangeiras ou delas originários, muitos deles já dicionarizados, quer numa situação de co-ocorrência, quer numa situação de competição (conforme definidos por Faulstich, 2002 – ver adiante). Sendo as revistas de arquitetura e decoração um dos principais veículos de divulgação de novas tendências, realizamos um levantamento de termos dessa natureza em edições da revista Casa Cláudia, entre 1998 e 2001, dedicadas à divulgação do evento Casa Cor. Uma análise preliminar permite apontar para uma “coexistência pacífica” de termos originários de diferentes línguas estrangeiras, cujo emprego na área é geralmente motivado, sendo representativo de variação lingüística e terminológica.
Assim, num momento em que a comunidade de lingüistas brasileiros envolve-se nesse importante debate sobre os rumos políticos de nossa língua pátria, este trabalho pretende oferecer uma contribuição da terminologia na área moveleira, buscando corroborar a tese de que são os falantes, e não órgãos governamentais, que “gerem o funcionamento do léxico de sua língua” (Faraco, 2001) .
A semente da discórdia
O Projeto de Lei 1676/1999, de autoria do deputado Aldo Rebelo, tem provocado grandes debates no seio da comunidade lingüística brasileira. Com a finalidade de dispor “sobre a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa”, o projeto aborda brevemente questões fundamentais, como a melhoria das condições de ensino e de aprendizagem da língua portuguesa e o incentivo ao estudo e à pesquisa sobre seu uso, para depois centrar-se num combate quase que ferrenho ao uso de estrangeirismos, ao declarar lesivo ao patrimônio cultural brasileiro “todo e qualquer uso de palavra ou expressão em língua estrangeira” (Art. 4 o ) e determinar sua substituição em 90 dias da publicação da lei (Art. 5 o ). Isto seria uma decorrência, segundo parece prever o projeto, da obrigatoriedade do uso da língua portuguesa por “brasileiros natos e naturalizados, e pelos estrangeiros residentes no país há mais de 1 (um) ano” (Art. 3 o ) em diversos domínios socioculturais, inclusive nos meios de comunicação de massa – instância essa que parece ter motivado a criação do projeto, conforme se lê na Justificação que o acompanha. Alguns meses depois, a deputada gaúcha Jussara Cony propõe um projeto praticamente idêntico à Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul (Projeto de Lei no. 65/2000), provocando o a mesmo tipo de reação que o primeiro.
De imediato, as três maiores associações nacionais representantes da comunidade científica na área da Lingüística – ABRALIN, ALAB e ANPOLL [1] – manifestaram-se, através de requerimento ao Senado da República, contra a série de equívocos constantes do projeto, propondo uma audiência pública para debater o assunto e colocando-se à disposição para prestar assessoria, na sua condição de especialistas, para as adequações necessárias. Na ausência de qualquer resposta, a alternativa encontrada para sensibilizar igualmente a opinião pública e a academia tem sido a promoção de encontros da comunidade lingüística e de publicações específicas dedicados ao tema, algumas das quais serão utilizadas para nortear as discussões neste trabalho.
Os vilões da história: estrangeirismos
Os estrangeirismos ocorrem em qualquer língua natural viva, no âmbito de uma das condições de variação lingüística denominada empréstimo , que é definida de maneira sucinta no Novo Dicionário Aurélio Século XXI como o “[E]feito causado quer pelo contato prolongado entre línguas diferentes, quer por influência de uma cultura sobre outra, quer pelo aprendizado de uma língua por grupos sociais estrangeiros, e que se traduz em mudanças no sistema lingüístico e/ou no léxico, que passa(m) a incluir elementos não vernaculares.”
Barbosa (1990: 72), ao propor uma caracterização dos procedimentos teóricos da tradução, combinando visões de diferentes autores, situa o estrangeirismo dentro de um macro-procedimento chamado transferência – introdução de material textual da língua de origem no texto da língua traduzida – e assim o define:
Conceituado pela lingüística, o estrangeirismo vem a ser um empréstimo vocabular não integrado à língua que o toma, conservando da outra os fonemas, a flexão e a grafia. Com o passar do tempo, sendo o vocábulo da língua estrangeira amplamente aceito pelos falantes da que o acolheu, tende este a se adaptar à fonologia e à morfologia desta última, caso em que se transforma em empréstimo (cf. Câmara Júnior, 1977: 111), através de um processo denominado aclimatação (cf. Pei, 1966: 3-4).
A aclimatação, também chamada decalque, é o processo através do qual “um radical estrangeiro se adapta à fonologia e à estrutura morfológica da língua que o importa” (Barbosa, 1990: 73). [2] É um fenômeno amplamente reconhecido por gramáticos e lingüistas, constando de diversos manuais de uso da língua portuguesa e geralmente sendo chamado de “aportuguesamento”. Martins e Zilberknop (1993: 429-430) informam que “[O]s estrangeirismos, quando não aportuguesados, escrevem-se de acordo com o seu idioma original” e que “deverão ser escritos entre aspas, negrito ou itálico, ou ainda sublinhados”, para marcar seu caráter de elemento estranho à língua, enquanto que os vocábulos já aportuguesados “obedecem às normas de nossa língua”.
Não é necessária a presença de um tradutor profissional para que a transferência ocorra como procedimento lingüístico, seja sob a forma de um estrangeirismo, seja sob a forma de um empréstimo. Basta o contato entre duas línguas, tão comum - hoje mais do que nunca - em diversas situações, para se verificar mudanças observáveis nas línguas, em diferentes níveis e registros, mais ou menos duradouras, de maior ou menor extensão geográfica, caracterizando a variação lingüística.
Variação lingüística, variação terminológica e estrangeirismos
Conforme Mattoso Camara (1986: 239), variação é uma “conseqüência da propriedade da linguagem de nunca ser idêntica em suas formas através da multiplicidade do discurso”. Assim, apesar de haver, subjacente, a “invariabilidade de um modelo”, que constitui o padrão de determinada língua e que compensa a “variação real”, [3] pode-se verificar que cada “elemento padronizado da língua tem suas VARIANTES”. Sendo as linguagens de especialidade parte efetiva de uma língua, é natural que também estejam sujeitas a essa mesma propriedade.
Como se sabe, a terminologia moderna, em suas origens, tinha por objetivo maior a padronização (monolíngüe ou interlíngüe) de nomenclaturas. Nesse âmbito, então, a variação era considerada algo a ser eliminado, já que a terminologia era o local da estabilidade conceitual e da homogeneidade designativa. Mais recentemente, porém, especialmente sob a influência da escola canadense, que advoga uma socioterminologia e da catalã, que vem procurando firmar uma teoria comunicativa da terminologia, vem-se abrindo espaço para abordagens que contemplam estudos de cunho variacionista.
Como afirma Krieger (2001: 30), “(...) a visão lingüística da terminologia, influenciada pela Sociolingüística, vem demonstrando que o adequado reconhecimento da natureza e do funcionamento de um item lexical terminológico implica também reconhecer sua dimensão de variante ou, eventualmente, de sinônimo ou quase sinônimo”.
Finatto (2001: 153) corrobora essa visão ao afirmar que as “melhores perspectivas para uma comunicação especializada de melhor qualidade, em qualquer área de conhecimento, constroem-se também a partir do reconhecimento da naturalidade e inerência da variação terminológica como um tipo de variação lingüística”.
Ainda para Faulstich (2002), “[V]ariação e terminologia não se confrontam na abordagem atual. Pelo contrário, defendemos que a terminologia é passível de variação porque faz parte da língua, porque é heterogênea por natureza, e porque é de uso social.” [4]
Ao estudar a variação terminológica, Faulstich (2002) verificou que a variação se dá através de um processo em que determinadas variáveis produzem termos variantes, “que funcionam nas línguas de acordo com as lacunas que elas venham a preencher”. A autora identificou três grandes categorias de variantes, a saber: as concorrentes, as coocorrentes e as competitivas. Enquanto as variantes concorrentes são variantes formais, “uma forma lingüística ou forma exclusiva de registro que corresponde a uma das alternativas de denominação para um mesmo referente”, as variantes coocorrentes são as que apresentam duas ou mais denominações para um mesmo referente, formalizando a sinonímia terminológica. O empréstimo lingüístico, por sua vez, é a base para o surgimento das variantes competitivas, quando um item lexical de uma língua B preenche lacunas de uma língua A.
As variantes competitivas se realizam por meio de pares formados por empréstimos lingüísticos e formas vernaculares. Os empréstimos lingüísticos são itens lexicais que se originam de língua estrangeira e, depois, no contexto social da língua recebedora, se tornam variantes porque provocam o surgimento de uma forma vernacular equivalente, por causa do ambiente lingüístico estranho à sua presença natural. (Faulstich, 2002)
Como resultado concreto do empréstimo, pode-se ter ou uma forma estrangeira ou uma forma híbrida, que provocam o aparecimento da forma vernacular em competição (Faulstich, 2002), conforme mostra a Figura adiante.
Lamberti, em sua dissertação de mestrado (1999), verificou comportamentos específicos do empréstimo lingüístico, especialmente os de origem na língua inglesa, no português do Brasil (doravante PB). Segundo ela, a unidade lexical pode
a) manter a forma tal qual na língua estrangeira, gerando uma forma lingüística no PB;
b) gerar palavras derivadas ou compostas híbridas e motivar o surgimento de um novo significado para um termo vernacular já existente no PB;
c) gerar unidades terminológicas complexas (UTCs) híbridas e UTCs vernaculares;
d) abandonar a forma de origem em favor de um decalque no PB;
e) manter a forma tal qual na língua estrangeira e gerar uma forma adaptada às regras morfofonêmicas do PB.
Figura. Adaptação do constructo teórico da variação em terminologia de Faulstich (2002), com ênfase nas formas competitivas
Por essas observações, percebe-se que um termo em língua estrangeira não entra em outra língua desnecessariamente, e dificilmente permanece sem se “acomodar” à língua que o recebe, seja gerando formas híbridas (adaptadas/aclimatadas), seja provocando o surgimento de uma forma vernácula Assim, podemos concluir com Faulstich (2002) que o empréstimo lingüístico cumpre “funções dentro da língua recebedora. Normalmente, atua como um item lexical harmonizador no plano da comunicação interlingüística e enriquecedor do sistema lexical nacional no qual entra.”
Razões da polêmica
Se a lingüística consegue perceber o importante papel dos estrangeirismos como promotores da variação na evolução das línguas naturais, por que um projeto de lei contra eles? Pode-se apostar na eficácia de uma proibição legal para um processo tão natural e freqüente como o empréstimo lingüístico? Não é o que parecem afirmar nossos cientistas da linguagem.
Duas importantes publicações traduzem em textos a preocupação da comunidade lingüística do Brasil com os graves equívocos que servem de base aos Projetos de Lei 1676/1999 e 65/2000: o Boletim da ALAB (ano 4, n. 4, julho/2000) e Estrangeirismos: guerras em torno da língua, organizado por Carlos Alberto Faraco (2001). Numa série de artigos, vários lingüistas engajam-se no debate, procurando corrigir falsas idéias e revelar alguns pressupostos a elas subjacentes que, certamente, se essas leis passassem a vigorar, acarretariam muito mais problemas do que aqueles que nossos políticos, por melhor intencionados que possam ser, hoje percebem como sérios. Resumimos os argumentos apresentados em três grandes itens, discutidos a seguir.
a) A pureza de uma língua é um mito.
“Na visão alarmista de que os estrangeirismos representam um ataque à língua, está pressuposta a noção de que existiria uma língua pura, nossa, isenta de contaminação estrangeira”, afirmam Garcez e Zilles (2001: 29). Isto, aliás, não é verdade nem da língua portuguesa nem de qualquer outra língua natural viva. Fiorin (2001) mais adiante explica:
O léxico possui um fundo comum, que caracteriza uma língua e é tão resistente quanto a gramática, porque as noções que ele expressa, de um lado, não são afetadas por mudanças econômicas e sociais, e, de outro, porque são de uso geral e coloquial. Esse fundo comum é o sustentáculo da estrutura léxica de uma língua. (p. 116-117)
(...) Por outro lado, temos que verificar que o léxico é constituído, além de palavras do fundo léxico comum, de criações vernáculas e de empréstimos de línguas estrangeiras. (...) O léxico de uma língua é um conglomerado de formas provindas de fontes diversas e não se pode evitar o empréstimo lingüístico, um dos meios de renovação lexical. O léxico é resultado da história de um povo, de seus contatos, da divisão internacional do trabalho num dado momento, da correlação de forças entre os diferentes países numa determinada época. O léxico do português foi formado com empréstimos do árabe, das línguas germânicas, do italiano, do espanhol, do francês, de línguas africanas, de línguas indígenas etc. É evidente que as línguas que têm hegemonia política, num determinado momento, fornecem mais empréstimos do que outras. (p. 118-119)
Pode-se perceber que essa última afirmação é uma resposta direta à preocupação expressa no projeto de lei com a “invasão indiscriminada e desnecessária” de “palavras e expressões importadas, em geral do inglês norte-americano, que dominam o nosso cotidiano”, conforme reza a Justificação.
No entanto, para que uma língua permanecesse idêntica ao que era quando nasceu (supondo que houvesse a possibilidade de precisar o momento histórico em que uma língua nasce), teoricamente seria necessário que fosse de tal forma isolada de qualquer contato externo que não haveria sequer condições de observá-la. Pois, se pudéssemos observá-la, não estaríamos de certa forma interferindo e, assim, provocando uma mudança? Não seria hoje a possibilidade de total isolamento também um mito? Para Bagno (2001: 82), sim: “Não existe língua pura: o vocabulário de qualquer língua do mundo é o resultado de séculos de intercâmbios com outros povos, outras culturas e, conseqüentemente, outras línguas. E agora que esses intercâmbios são ainda mais intensos e freqüentes, e muito mais velozes, lutar contra os empréstimos lingüísticos é uma luta desde já perdida.”
b) A verdadeira essência da língua é a fala, não a escrita.
A fala precede a escrita em todas as línguas naturais, e sabe-se que há mesmo línguas que jamais desenvolveram a escrita. A importância da escrita é inegável, e todos os esforços despendidos em sua promoção e melhoria contribuem para o progresso da língua e de seus usuários como cidadãos. No entanto, ignorar os apelos da energia vital da oralidade como propulsora desse mesmo progresso é de certo modo condenar uma língua à mumificação. Tentar legislar em prol da estabilidade de uma língua só poderá ter como resultado uma bela peça de museu – intacta, perfeita, mas morta.
Garcez e Zilles (2001) explicitam essa idéia:
Ao tomar-se equivocadamente a escrita como núcleo da linguagem, perde-se de vista a sua verdadeira essência que é fala, dotada de vitalidade incontrolável. Isso quer dizer as línguas humanas estão em constante movimento, por variação e mudança dentro da comunidade lingüística, de uma geração para outra, sendo o contato entre os dialetos e línguas uma força motriz comum e de grande relevância nesse processo. Ou seja, empréstimos sempre houve e sempre haverá. ( p. 28-29)
c) Não é necessário ter uma lei para proteger a língua, já que os próprios falantes decidem o que deve ou não ser usado e quem pode ou não usá-lo.
Assim como outros itens formadores do caráter e da cultura de um provo ou grupo social, a língua é usada como um elemento de identidade, aproximando ou excluindo os indivíduos, já que “usamos a linguagem, com ou sem estrangeirismos, o tempo todo, para demarcarmos quem é de dentro ou de fora dos grupos sociais aos quais queremos nos associar ou dos quais queremos nos diferenciar” (Garcez e Zilles, 2001: 31)
Fiorin (2001: 114) corrobora a idéia: “A variação é inerente às línguas, porque as sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e os mais velhos, os que habitam uma região ou outra, os que têm esta ou aquela profissão, os que são de uma ou outra classe social e assim por diante. O uso de determinada variedade lingüística serve para marcar a inclusão num desses grupos, dá uma identidade para seus membros.”
Assim, em nossa hipotética língua isenta de contaminação, seria possível garantir que, na transmissão de uma a outra geração, ela permaneceria inalterada? Seria a vida do grupo sempre igual, utilizando sempre o mesmo conjunto de vocábulos para descrevê-la? E quando surgisse algum fato novo, que procedimento teria o grupo para referi-lo? Se optassem por usar um item lexical já existente, atribuindo-lhe um novo significado, isso seria uma forma de variação. Se fosse criado um neologismo para designar o novo fato, teríamos novamente variação. Em termos de variação, não há diferença de importância entre em um novo sentido para um vocábulo antigo ou a criação de um novo vocábulo, seja ele autóctone ou motivado pelo contato com outra língua.
Cabe aqui também a ressalva feita por Bagno (2001):
(...)embora as línguas mudem inevitavelmente, essa mudança se processa de maneira muito lenta e é, na prática, imperceptível para os falantes de uma mesma geração e de gerações contíguas, justamente porque, durante longos intervalos de tempo, o sistema lingüístico consegue manter um equilíbrio mínimo essencial entre forças desestabilizadoras (externas e internas) e forças estabilizadoras, capazes de permitir aos falantes o mútuo entendimento. E as línguas são sistemas auto-reguladores porque são faladas por seres humanos que querem se fazer entender e ser entendidos: é deles – do trabalho que empreendem com a língua, pela língua e sobre a língua – que provém essa qualidade homeostática do idioma. (p. 72)
d) Ao tentar defender a língua dos ataques externos, corre-se o risco de não perceber os perigos internos. preconceito lingüístico
Uma das perguntas mais freqüentes nos artigos mencionados é: QUAL é língua portuguesa que os projetos de lei se propõem a defender? Assim como nenhuma língua é pura, nenhuma língua é homogênea. Nem é preciso que falemos das já tão difundidas diferenças entre o português lusitano e o brasileiro; basta que observemos os diferentes falares característicos das diferentes regiões brasileiras, dos diferentes registros, do modo de expressão diferente das diferentes classes sociais. E que lembremos que existem formas escolhidas por grupos hegemônicos como de prestígio, em contraposição a formas estigmatizadas [5]. Não é isso também uma espécie de ataque à língua, talvez mais prejudicial que algumas palavras tomadas emprestadas de outras línguas estrangeiras?
Garcez e Zilles (2001) argumentam:
Ora, ao se configurar um elemento externo como ameaça comum, apagam-se as diferenças lingüísticas que marcam as divisões internas dos grupos que disputam recursos na sociedade. Dissimulam-se as identidades de classe dos brasileiras desiguais que, ao contrário do mito nacional reafirmado pelo discurso legislativo antiestrangeirismos, falam diferente e marcam suas diferentes identidades justamente pelo jeito que falam. (p. 27)
Mesmo que os brasileiros decidissem por unanimidade derrubar essas diferenças, escolhendo um padrão único inquestionável, haveria dificuldades de ordem operacional, inequivocamente ligadas a questões de poder. Veja-se o seguinte exemplo: o Projeto de Lei 1676/1999 isenta das penalidades previstas aqueles casos em que ocorrem “palavras e expressões em língua estrangeira consagradas pelo uso, registradas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” (Art. 3 o ., parágrafo 1 o ., alínea VI). Considerando-se que foram impressos apenas dois mil exemplares da última edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, composto pela Academia Brasileira de Letras, como se poderia garantir uma consulta à obra? Como sugere Guedes (2001: 141), “Por que não uma lei que declare a ortografia um real e concreto direito de todos e que torne obrigatória a remessa pelo governo de pelo menos um exemplar do Guia ortográfico da língua portuguesa para cada biblioteca que cada escola do País teria?”
Outro questionamento que cabe é por que estariam nossos lexicólogos e lexicógrafos menos aptos a verificar questões de correção ortográfica que os membros da Academia Brasileira de Letras, declarada a “guardiã dos elementos constitutivos da língua portuguesa usada no Brasil” (Art. 2 o .)?
Como bem ressalta Guedes (2001), talvez a ABL não saiba que a Universidade Brasileira faz pesquisa lingüística e percebe que é possível argumentar consistentemente contra os pressupostos do Projeto de Lei 1676/1999, embora isso não apareça na mídia, não dê notoriedade, porque
a lingüística é libertadora: o que ela tem a dizer - que todo mundo é capaz de falar bem adequadamente a língua que fala, por exemplo, ou que não existe língua ou dialeto errado do ponto de vista da gramática pela qual se organizam - não vai apenas tirar o emprego dos gramáticos mas principalmente vai levar o povo a achar que pode abrir a boca e expressar suas necessidades, desejos e reivindicações sem ter vergonha por não saber falar português direito ”. (p. 129)
A partir desses comentários, é legítimo questionar a solidez e a adequação da fundamentação lingüística do Projeto de Lei.
Empréstimos e estrangeirismos na terminologia da área moveleira
A presença de estrangeirismos em diferentes áreas do conhecimento, bem como em diferentes tecnologias, como vimos anteriormente, dependerá de que lacunas a língua recebedora tem que não possam ser preenchidas por termos vernáculos. Geralmente, a chegada de um novo produto, de um novo material ou de uma nova técnica acarreta a “importação” de um termo estrangeiro para denominá-los, e muitas vezes são os usuários do produto, do material ou da técnica os responsáveis por sua divulgação e fixação (ou não) na língua. Para verificar em que medida a área moveleira é afetada pelo (temido) uso de estrangeirismos, fizemos um levantamento preliminar de base textual, a título de exemplificação, e uma breve análise do comportamento dos termos assim caracterizados, a fim de buscar algumas regularidades e, por que não, especular a respeito dos rumos desta linguagem de especialidade em particular, no caso de uma aprovação do Projeto de Lei 1676/1999.
Os 21 termos que compõem nossa amostra foram selecionados num corpus em oito edições da revista Casa Cláudia (Ed. Abril) - entre os anos de 1998 e 2001 - dedicadas à divulgação do Casa Cor, considerado o maior evento de arquitetura, decoração e paisagismo do país. Desde sua primeira edição, em 1987, esse evento, atualmente franqueado, caracteriza-se pela escolha de um local – geralmente uma residência – que é reformado, adaptado e mobiliado, com diferentes ambientes, por profissionais ligados ao ramo previamente escolhidos. O Casa Cor acontece anualmente em diversos estados brasileiros (geralmente nas capitais), apresentando o que há de mais inovador na área e resultando numa grande exposição de móveis, artigos de decoração e utensílios. As revistas são, assim, um veículo de comunicação entre especialistas ou relativamente especialistas e um público iniciado ou relativamente iniciado na área.
As revistas pesquisadas referem-se às edições do Casa Cor de São Paulo (1999 e 2001), do Rio de Janeiro (1998, 1999 e 2000) e do Rio Grande do Sul (1998, 1999 e 2000). Os dois primeiros caracterizam-se por serem os maiores pólos econômicos e de vanguarda no; o terceiro, por ser um dos maiores pólos moveleiros do país.
Os 21 termos selecionados incluem estrangeirismos e empréstimos, conforme conceituados por Barbosa (1990), e são listados a seguir em ordem alfabética, todos em itálico e no singular, de acordo com a primeira grafia registrada ou com a mais freqüente: art déco, bergère, buffet, capitonê, chaise-longue, chenile, clean, closet, design, designer, divã, MDF, náilon, nobuk, noce, ofurô, pufe, PVC, rack, recamier, sofá.
O Quadro 1 apresenta na primeira coluna os termos ordenados alfabeticamente, sem grifo, a fim de enfatizar as diferentes grafias e notações em suas realizações nos contextos de ocorrência (revistas), apresentadas nas colunas 2 a 9. Os Quadros 2 e 3 (em anexo) mostram os diferentes registros desses termos nos três dicionários mais importantes do português do Brasil: Aurélio Século XXI (1999), Michaelis (1998; 8. ed., 2000) e Houaiss (2001). [6] São estes os dados que serviram de base para nossas análises, que fará referências ao modelo teórico de Faulstich (2002) e à classificação do comportamento das unidades lexicais apresentada por Lamberti (1999).
Descrição e análise dos dados obtidos
Um breve olhar sobre os termos selecionados permite identificar algumas formas lingüísticas com estrutura mórfica característica da língua portuguesa (capitonê, chenile, divã, náilon, ofurô, pufe e sofá), sendo, portanto, considerados empréstimos, e outras formas estrangeiras (art déco, bergère, buffet, chaise-longue, clean, closet, design, designer, nobuk, noce, rack, recamier), além de duas siglas (MDF e PVC). Conforme se observa no Quadro 1, os primeiros são realizados sempre da mesma forma nos contextos de ocorrência (apenas capitonê aparece no plural). Já os termos estrangeiros têm comportamentos diferentes, apresentando alguma variação em suas realizações nos contextos de ocorrência e algumas peculiaridades, que podem indicar seu grau de lexicalização.
Quadro 1. Empréstimos e estrangeirismos em Casa Cláudia, edição especial Casa Cor Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo (1998-2001)
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REALIZAÇÃO DO TERMO NOS CONTEXTOS DE OCORRÊNCIA |
TERMO
(sem grifo) |
CASA COR RJ 98 |
CASA COR RS 98 |
CASA COR RS 99 |
CASA COR RJ 99 |
CASA COR SP 99 |
CASA COR RJ 2000 |
CASA COR RS 2000 |
CASA COR SP 2001 |
art déco |
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leve toque déco |
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peças art déco |
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art déco |
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bergère |
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bergères |
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buffet |
buffet |
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bufê |
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capitonê |
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estofados capitonês |
chaise-longue |
chaise |
chaise longue |
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chaise |
duas chaises |
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chaises |
chaises-longues; chaise |
chenile |
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chenile |
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clean |
estilo clean |
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ambientes clean |
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closet |
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closet |
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closet |
closet |
design |
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design |
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design |
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designer |
designer |
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designers |
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designer |
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divã |
divã |
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MDF |
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MDF |
MDF |
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MDF |
MDF |
MDF |
MDF |
náilon |
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náilon |
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náilon |
nobuk |
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nobuk |
nobuck |
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noce |
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madeira noce (importada da Itália) |
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folheado de lâmina noce; lâmina noce (nogueira) |
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ofurô |
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banheira de ofurô |
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ofurô |
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pufe |
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pufe |
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pufe |
pufe |
pufe |
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PVC |
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PVC |
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rack |
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rack |
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rack |
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recamier |
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recamier |
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recamiê |
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sofá |
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sofá |
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sofá |
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1 Os empréstimos Capitonê, chenile, divã, náilon, ofurô, pufe e sofá são termos que constam em pelo menos um dos dicionários consultados, com indicação da etimologia (ver Quadro 2). Segundo o modelo de Faulstich, seriam formas híbridas, já que mantêm o radical da forma estrangeira, mas adaptam-se aos padrões silábicos e morfofonêmicos do português. No caso de ofurô, temos ainda uma transliteração anterior, em que os sons correspondentes aos ideogramas do japonês foram grafados de acordo com o alfabeto latino.
A permanência da forma original nylon permite a classificação do par formado com náilon, de acordo com Lamberti, entre aqueles que mantêm “a forma tal qual no inglês e gera[m] uma forma adaptada às regras morfofonêmicas do PB”. Os demais termos não se enquadram perfeitamente em uma das outras quatro categorias, pois, apesar de serem formas híbridas, não motivam o surgimento de um novo significado para formas vernáculas, nem se tratam de decalques na acepção usada pela autora [7].
É somente nos casos em que há indicação da datação (chenile e divã, no Houaiss) que se pode identificar o momento em que os termos passaram a pertencer à língua portuguesa. O uso cotidiano de termos como divã, pufe, sofá revela familiaridade dos falantes nativos do português, que, em grande medida, ignoram estar lidando com vocábulos de origem estrangeira. A homogeneidade de sua realização nos contextos de ocorrência parece também corroborar sua incorporação ao léxico do português do Brasil.
2 Os estrangeirismos A maioria dos termos em língua estrangeira, no corpus selecionado, já está presente nos dicionários de língua portuguesa. O Aurélio utiliza um sinal gráfico (uma seta) e o Houaiss, letras em itálico como recursos para indicar que se tratam de palavras estrangeiras; ambos utilizam notação fonética para indicar a pronúncia, enquanto o Michaelis representa-a da forma mais aproximada possível em alfabeto latino. Há também indicação da classe gramatical, etimologia, datação, exemplos de uso e, quando aplicável, informações específicas sobre flexão e uso de maiúsculas (ver Quadro 3).
No modelo de Faulstich, são formas estrangeiras, já que mantêm a grafia de sua língua de origem, mas nem todas geraram uma forma híbrida ou vernácula com a qual entrar em competição. É o caso de bergère, closet, design, designer e rack. Pode-se observar que nenhum dos termos é grafado entre aspas, em itálico ou negrito nos contextos de ocorrência, o que marcaria “seu caráter de elemento estranho à língua”, e isso também caracteriza, em nosso entender, uma forma de variação. Paralelamente, verifica-se a formação do plural designers seguindo a regra da língua original, o inglês. Tomamos esses resultados como indicação da (tendência a) lexicalização dos termos.
Segue abaixo a descrição e a análise dos demais termos.
art déco
O Aurélio e o Michaelis registram para art déco a variante decô (embora não tenha se realizado nos contextos analisados), caracterizando a ocorrência de um par constituído de forma estrangeira - forma híbrida, portanto em competição. Não pode se adequar exatamente a nenhuma das categorias previstas por Lamberti, já que, mesmo com a adaptação do segundo componente do termo (déco) às regras morfofonêmicas do português, ocorre a perda de um componente do termo (art), justamente o núcleo substantivo da locução. Nas três realizações observadas, o termo não é grifado como palavra estrangeira. Além disso, conforme previsto nos dicionários, o termo, quando usado como adjetivo, é invariável (peças art déco). Pode-se concluir, assim, por uma forte tendência à lexicalização do termo na língua de especialidade.
buffet
A forma estrangeira não está dicionarizada, mas são registradas duas formas aclimatadas: bufete (nos três dicionários) e bufê, que é também uma das realizações do termo (Casa Cor RS 2000). A forma estrangeira não aparece com qualquer grifo em sua ocorrência. Temos, assim, formas variantes em competição.
chaise longue
Entre os termos selecionados, é o que apresenta maior variação. Há cinco ocorrências do termo reduzido (chaise), sendo a primeira delas italicizada, assim como a primeira ocorrência do termo completo. Há ainda um registro do termo hifenado. Podemos considerar que são formas variantes competitivas, não se adequando a nenhuma das categorias propostas por Lamberti.
clean
O adjetivo aparece ora em itálico, ora não. Conforme prevêem os dicionários que o registram, ele não varia em número, de acordo com as regras de sua língua original, o inglês. Apesar disso, observa-se um comportamento sintático adaptado ao PB, já que o adjetivo não antecede o substantivo, o que aconteceria no inglês.
nobuk
Ambas as forma grafadas no contexto de ocorrência não estão dicionarizadas, embora a que indica o termo no Quadro 1 (nobuk) seja a mais comumente encontrada. É necessário recorrer ao Houaiss para buscar a forma original estrangeira, nubuck . Desconhece-se a razão pela qual as variantes apresentem, na primeira sílaba, um o no lugar do u, quando o processo mais comum é geralmente o inverso, uma redução. Também se verifica que a pronúncia do original não influenciou a geração das formas variantes (algo semelhante a “nubâc”). Podemos, assim, considerar a existência de formas competitivas, embora as variantes não sejam nem híbridas, nem vernáculas.
noce
De ocorrência restrita, em nossa amostra, a um estado brasileiro (RS), o termo em língua italiana (pronunciado como “nôtche”) aparece inicialmente em itálico (1998), com indicação entre parênteses de que se trata de madeira importada. Nas duas ocorrências seguintes (2000), o grifo desaparece, e numa delas há a indicação, entre parênteses, do tipo de madeira em português (“nogueira”). Nenhum dos dicionários o registra. Isso pode ser tanto uma indicação de que o termo entra no PB já como uma forma em competição, como de que em breve será substituído pela forma vernácula ou de que desaparecerá em decorrência do mecanismo, bastante comum na área, que torna ultrapassados alguns itens (como, neste caso, a matéria-prima para revestimento) que poucos anos antes eram a tendência mais moderna. Cabe ressaltar que o uso de termos originários do italiano se justifica na área moveleira pelo fato de a Itália ser um dos grandes centros mundiais de design de móveis, sendo isso às vezes até uma importante estratégia de marketing.
recamier
A grafia observada na amostra analisada, em itálico, corresponderia ao original em francês registrado em nossos dicionários, exceto pela ausência do acento agudo (récamier). Numa segunda ocorrência, observa-se a aclimatação do termo, adaptado segundo regras morfofonêmicas do PB (recamiê). Temos formas em competição, sendo esta última uma forma híbrida, conforme Faulstich e Lamberti.
Uma observação válida para os termos estrangeiros é que, se fosse levada em consideração a variedade oral, as diferenças de pronúncia regionais, e até mesmo os diferentes registros, provavelmente gerariam mais variantes, acompanhando a ampla variação fonética do PB.
3 As siglas Alguns termos consagrados nas linguagens de especialidade são constituídos por siglas representativas de palavras em língua estrangeira. Essas siglas dificilmente mudam, mesmo que a unidade lexical complexa que as letras representam venham a ser traduzidas ou aclimatadas, e dificilmente são abandonadas em favor da forma por extenso traduzida ou aclimatada. É o caso de PVC (cloreto de polivinila, ou policloreto de vinila), que entrou representando o termo em inglês polyvinyl chloride, já dicionarizado. Pelo que tudo indica, MDF deverá seguir o mesmo rumo, já que o material medium density fiber (fibra de média densidade) representado pela sigla é presença constante em todos os anos do evento Casa Cor aqui pesquisados. Pode-se considerar os pares formados pela sigla e pela forma por extenso variantes em competição, mas esta última é raramente usada.
Algumas conclusões A observação e a análise dos dados obtidos permitem supor que, se aprovado o Projeto de Lei 1676/1999, haverá muitas dificuldades para fazê-lo ser cumprido, pelo menos no âmbito da terminologia da área moveleira. Um bom número de empréstimos está já cristalizado no PB, e muitos estrangeirismos estão gerando formas híbridas que repetem os padrões de formação morfofonêmica já verificados. Outro padrão de comportamento dos termos estrangeiros é sua “instalação” na língua portuguesa, sendo o registro em nossos mais importantes dicionários um atestado de que os falantes os utilizam na forma tal qual foram “importados” juntamente com o item que denominam, inclusive na forma oral. Uma vez que o item deixa de ser usado, também o termo estrangeiro tende a desaparecer.
Seria, assim, mais fácil legislar sobre “listas de termos”, como queria a terminologia em seus primórdios. No entanto, dada “a relevância do contexto para a identificação das realizações terminológicas” (Krieger, p. 30) e a mútua influência do termo e de seu entorno, a tarefa de controle não consegue encontrar limites de atuação e é inviabilizada. Como afirma Faulstich (2002), “[A] pura autonomia do léxico terminológico não se sustenta em nenhum quadro teórico, tendo em vista que a língua – na sua essência formal - engendra mecanismos ao produzir termos, estruturados segundo as regras que regulamentam os componentes dos sistemas lingüísticos.”
Assim, como bem afirmam nossos lingüistas, somos nós, os falantes de nossa língua portuguesa, os responsáveis por sua proteção e manutenção, e parte desta tarefa consiste justamente em proporcionar-lhe a oxigenação necessária – em forma de variação lingüística – para seu crescimento e sua sobrevivência.
Bibliografia
ASSOCIAÇÃO DE LINGÜÍSTICA APLICADA DO BRASIL. Boletim da ALAB, ano 4, n. 4, julho/2000.
AZENHA JR., João. Tradução técnica e condicionantes culturais: primeiros passos para um estudo integrado. São Paulo: Humanitas, 1999.
BARBOSA, Heloisa Gonçalves. Procedimentos técnicos da tradução: uma nova proposta. São Paulo: Pontes, 1990.
CAMARA JR., J. Mattoso. Dicionário de lingüística e gramática. Petrópolis: Vozes, 1986.
DICIONÁRIO eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Versão 1.0. Editora Objetiva, 2001.
FARACO, Carlos (org.). Estrangeirismos: guerras em torno da língua. São Paulo: Parábola, 2001.
FAULSTICH, Enilde. Aspectos de terminologia geral e terminologia variacionista. In: TradTerm : Revista do Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia. São Paulo: Humanitas/FFLCH-USP, agosto de 2002 (no prelo).
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 1999.
FINATTO, Maria José Bocorny. Unidade e variação em língua portuguesa: a variação em terminologia. In: KRIEGER, Maria da Graça; MACIEL, Anna M.Becker (orgs,). Temas de terminologia. Porto Alegre/São Paulo: Editora da Universidade/UFRGS/ Humanitas/USP, 2001.
LAMBERTI, F. “Empréstimos lingüísticos no português do Brasil: uma interpretação variacionista”. Dissertação de Mestrado, UnB, LIV, 1999, 108p.
MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português instrumental. 15. ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1993.
MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 1998.
PEARSON, Jennifer. Terms in context. Amsterdam & Philadelpnia: Benjamins, 1998.
SILVA, Fábio Lopes da; MOURA, Heronildes M. de Melo (org.). O direito à fala: a questão do preconceito lingüístico. Florianópolis: Insular, 2000.
Quadro 2. Empréstimos - estrangeirismos aclimatados (decalques) - levantamento em dicionários do Português do Brasil
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DICIONÁRIOS |
TERMOS |
AURÉLIO SÉCULO XXI |
MICHAELIS |
HOUAISS ELETRÔNICO |
bufê |
bufê [Do Fr. buffet ] S.m. Bras. 1 V. aparador (3). 2 Mesa para servir iguarias, bebidas, etc., em casamentos, bailes, coquetéis e outras reuniões. |
(não consta) |
bufê
n substantivo masculino
1 m.q. 1 bufete ('aparador', 'mesa' e 'casa de pasto')
ETIMOLOGIA fr. buffet (c1150) 'id.', de orig.contrv.; a datação é para a acp. 'serviço que fornece iguarias e bebidas' |
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bufete ( ê ) [Do Fr. buffet] S.m. V. bufê . |
bufete ( ê ) sm ( fr buffet ) 1 Aparador de sala de jantar. 2 Móvel para serviço de bebidas, doces, etc. |
bufete
n substantivo masculino
1 Rubrica: mobiliário. armação de madeira, à guisa de mesa, ou mesa coberta de ricos panos, com as peças de ourivesaria, baixelas e iguarias, que se usava por ocasião de banquetes e ao redor da qual podiam estar os convivas Obs.: cf. aparador 2 (sXVIII) Rubrica : mobiliário . espécie de aparador ou de armário us. na sala de jantar e sobre o qual pode estar o serviço de mesa das refeições; bufê 3 Rubrica : mobiliário . mesa sobre a qual se dispõem as bebidas e iguarias a serem servidas aos convidados de uma festa, coquetel etc.; bufê 4 Rubrica : mobiliário.
mesa hoje em dia us. em salas ou no cômodo de entrada ou em outra divisão da casa ou palácio, como móvel de adorno, encostado ou não à parede 5 Rubrica : mobiliário . m.q. credência ('espécie de aparador') 6 Derivação: por extensão de sentido . Estatística: pouco usado.
casa de pasto, bar ou restaurante de estação de estrada de ferro, porto ou aeroporto, casas de espetáculo etc.; bufê Ex.: <o b. da estação de Coimbra> <o b. do teatro de ópera> 7 Rubrica : mobiliário . caixa com quatro pernas, à guisa de mesa, us. nos trabalhos de campo por engenheiros
8 Rubrica: mobiliário. mesa que se une a outra para ampliar a sua superfície 9 Rubrica : mobiliário . espécie de papeleira ou secretária antiga, de madeira preciosa |
capitonê |
capitonê. [Do Fr. capitonné] Adj. 2 g. Diz-se do estofamento ou móvel estofado com tecido, ou outro material, preso de espaço a espaço (em geral com botões) formando losangos fofos. S.m . 3 Estofamento capitonê. |
(não consta) |
capitonê
n adjetivo de dois gêneros
acolchoado em tecido de algodão, seda, lã ou outro material (couro, plástico), formando desenhos geométricos (diz-se de estofamento)
ETIMOLOGIA fr. capitonné , part. do v. capitonner (1546) 'estofar, acolchoar' |
chenile |
(não consta) |
chenile ) sf ( fr chenille ) 1 Fio fofo de lã, seda, algodão ou raiom, com fibras salientes ao redor. 2 Tecido feito com esse fio, usado para colchas, cortinas e tapetes. |
chenile
n substantivo feminino Rubrica : indústria têxtil.
1 fio aveludado de lã, algodão, seda ou raiom, com fibras protuberantes 2 tecido feito com esse tipo de fio
ETIMOLOGIA fr. chenille (1214) 'lagarta de borboleta, de corpo alongado, formado de anéis e ger. aveludado'; (1680) 'espécie de passamanaria de seda aveludada', do lat. canícùla,ae 'cadelinha' |
divã |
divã [Do persa diwan, pelo fr. divan ] S.m. 1 Espécie de sofá sem encosto. 2 Espécie de canapé que pode ser usado como cama. |
divã sm ( persa divan ) 5 Espécie de almofada em que os orientais costumam sentar-se. 6 Espécie de sofá sem encosto nem braços, que se pode utilizar como cama. |
divã
n substantivo masculino
5 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: mobiliário . almofadão onde os turcos costumam sentar-se 6 (1838) Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: mobiliário. sofá sem braços e sem encosto
ETIMOLOGIA tur. díwán 'sala do conselho do sultão, rodeada de almofadões, espécie de sofá, sem braços e sem encosto que guarnecia a sala do conselho turco', através do persa díuán orign. 'registro, recolha de folhas escritas'; acp. moderna do voc. port. prov. por infl. do fr. divan (1754) 'sofá'; f.hist. 1539 é a data para divão 'conselheiro do sultão' e 'o império otomano', 1713 é a data para divam e divan 'sala do conselho do sultão' e 1838 é a data para divan 'espécie de sofá' |
Quadro 2. Empréstimos - estrangeirismos aclimatados (decalques) - levantamento em dicionários do Português do Brasil
náilon |
náilon [Do Ingl. nylon, nome comercial] S.m. 1 Fibra têxtil sintética, derivada de resina poliamida, e que se caracteriza por ser imputrescível, elástica e de notável resistência aos agentes atmosféricos. 2 P. ext. Tecido ou outro material fabricado com essa fibra. |
náilon sm ( ingl nylon) Cada um dos numerosos materiais sintéticos, consistindo em poliamidas produzidas de ácido dicarboxílico, em forma de fibras, filamentos, fios de seda ou folhas, de largo uso na indústria têxtil.. |
náilon
n substantivo masculino
aport. de nylon
pl.: náilones e (B) náilons |
ofurô |
(não consta) |
ofurô sm ( jap ofuro ) Banheira de madeira, tradicional no Japão, com capacidade para uma ou até oito pessoas de uma vez. Geralmente usada por toda a família. |
(não consta) |
pufe |
pufe [Do Fr. pouf ] S.m. 2 Assento acolchoado, circular e baixo, sem braços e sem espaldar, geralmente recoberto de estofo, que dissimula os pés. |
pufe sm ( fr pouf ) 2 Banquinho estofado; espécie de banqueta de toucador. |
pufe
n substantivo masculino
2 espécie de assento baixo, ger. de forma circular e acolchoado
ETIMOLOGIA fr. pouf (1755) 'espécie de toucado avolumado', (1859) 'espécie de assento, em geral, de forma circular e acolchoado', (1872) 'armação para tornar saias mais volumosas', de orig.onom.; fonte do v. fr. pouffer 'soprar, inflar'; f.hist. 1881 puff ; 1881 é a data para a acp. 'armação' e sXX, para a acp. 'assento' |
sofá |
sofá [Do ár. Suffa(t) , ‘esteira', ‘coxim', pelo turco sofa e pelo fr. sofa. ] S. m. 1 Móvel, estofado ou não, ordinariamente com braços e encosto, onde podem sentar-se duas ou mais pessoas. |
sofá sm ( fr sofa, do ár Suffa ) 1 Canapé estofado. 2 desus Estrado alto em com tapete, usado pelos orientais. |
sofá
n substantivo masculino Rubrica: mobiliário.
1 assento comprido, ger. estofado e dotado de braços e encosto, para duas ou mais pessoas 2 Diacronismo: obsoleto. estrado alto forrado com tapete, us. no Oriente
ETIMOLOGIA ár . suffa 'esteira; coxim', pelo tur. sofa e pelo fr. sofa (1519); f.hist. 1858 sophá |
Quadro 3. Estrangeirismos incorporados à língua portuguesa com manutenção da grafia original): levantamento em dicionários do Português do Brasil
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DICIONÁRIOS |
TERMOS |
AURÉLIO SÉCULO XXI |
MICHAELIS |
HOUAISS ELETRÔNICO |
art déco |
Þ art déco [Fr., f. red. de arts décoratifs, ‘artes decorativas') Loc. s. m. 1 Movimento nas artes decorativas que surgiu na década de 1920 e dominou a década de 1930, e que, inspirado basicamente no cubismo e nos preceitos da nova arquitetura, buscava o equilíbrio dos volumes, certa singeleza linear e uma fácil adaptação à produção industrial. adj. 2g. e 2n. 2 Referente a, ou próprio do art déco; decô: um salão art déco . |
art déco (ardecô) sm (fr) Movimento nas artes decorativas, comum nas décadas de 1920/30, e que, inspirando-se basicamente no cubismo e nos preceitos da nova arquitetura, buscava o equilíbrio dos volumes, singeleza de linhas e facilidade de adaptação à produção em escala industrial. adj. m+f sing e pl Relativo ou pertencente a esse movimento; decô: móveis art déco |
art déco
n locução substantiva Rubrica: história da arte.
estilo decorativo de artes aplicadas, desenho industrial e arquitetura caracterizado pelo uso de materiais novos e por uma acentuada geometria de formas aerodinâmicas, retilíneas, simétricas e ziguezagueantes [Representado em 1925 pela Exposição Internacional das Artes Decorativas, em Paris, teve seu apogeu nos anos 30, mas suas bases estéticas já haviam sido lançadas antes da guerra de 1914.]
Obs.: inicial freq. maiúsc. tb. us. como apos. invariável (moda art déco; tendências art déco) |
bergère |
Þ bergère [Fr.] S.f. Poltrona cujo encosto, alto, se prolonga para os lados numa espécie de orelha. [Sin. (lus.): cadeirão-de-orelha .] |
bergère (bergér) (fr) sf Poltrona de encosto alto, com as partes laterais largas, formando uma espécie de orelha. |
bergère
n substantivo feminino Rubrica: mobiliário.
1 poltrona, larga e profunda, de madeira, com partes estofadas, braços fechados lateralmente, encosto recurvo e uma almofada solta sobre o assento [Criada por volta de 1720.] 2 Regionalismo: Brasil. poltrona completamente estofada, de encosto alto que se prolonga para os lados, semelhante a duas orelhas
ETIMOLOGIA fr. bergère (1746) 'espécie de poltrona', fem. do fr. berger (fim sXII) 'guardião, pastor', do lat.vulg. *vervecarìus doc. b(e/i)rbicarìus (c600) 'pastor, pai'; acp. específica do fem. prov. p.ext. metonímica de sentido |
chaise longue |
Þ chaise-longue [Fr.] S.f. Poltrona apropriada para a pessoa sentar-se de corpo estendido. |
(não consta) |
chaise longue
n locução substantiva Rubrica: mobiliário.
cadeira de braços, ger. de abrir e fechar, em que se pode reclinar o corpo e estender as pernas
Obs.: cf. espreguiçadeira
Ex.: uma chaise longue de lona
ETIMOLOGIA fr. chaise longue (1710) 'id.', subst. chaise <chaire (com assimilação do -r-) 'cadeira geralmente com encosto e sem braços' + adj. longue 'longa'; chaise <do lat. cathèdra,ae <gr. athédra,as ; ver cadeir- |
clean |
Þ clean [Ingl.] Adj. 2 g. e 2 n. Diz-se de estilo de decoração, vestuário, etc., sem excesso de ornatos, e em tons claros ou pastel. |
(não consta) |
clean
n adjetivo de dois gêneros Uso: informal.
despojado, sem excessos (diz-se de estilo de decoração, de vestuário etc.)
ETIMOLOGIA emprt. ing. clean (1040) |
closet |
Þ closet [Ingl.] S.m. Numa edificação (3), compartimento, ou parte dele, para guardar louças, roupas de cama e mesa, etc., e peças de vestuário, e acessórios. |
closet sm ( ingl closet ) Armário embutido anexo ao dormitório, às vezes um compartimento semelhante a um quarto, porém sem janelas, para guardar peças do vestuário, roupas de cama e calçados. |
closet
n substantivo masculino
numa habitação, pequeno compartimento interno, ger. sem janela, us. esp. para guardar peças do vestuário, roupas de cama e mesa, louça e outros utensílios domésticos ou mesmo material de limpeza
ETIMOLOGIA ing. closet (sXIV) 'id.', do fr.ant. closet 'id.' dim. de clos 'fechado', do lat. clausus,a,um , part.pas. de claudère 'fechar' |
design |
Þ design [Ingl] S.m. 1 Concepção de um projeto ou modelo; planejamento. 2 O produto desse planejamento. 3 Restr. Desenho industrial. 4 Restr. Desenho de produto. |
design (dizáin) sm ( ingl ) 1 Concepção de um projeto ou modelo; planejamento. 2 O produto desse planejamento. |
design
n substantivo masculino Rubrica: desenho industrial.
1 a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), esp. no que se refere à sua forma física e funcionalidade 2 Derivação: por metonímia. o produto desta concepção
ETIMOLOGIA ing. design (1588) 'intenção, propósito, arranjo de elementos ou detalhes num dado padrão artístico', do lat. designáre 'marcar, indicar', através do fr. désigner 'designar, desenhar'; ver sign- |
Quadro 3. Estrangeirismos incorporados à língua portuguesa com manutenção da grafia original): levantamento em dicionários do Português do Brasil (cont.)
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DICIONÁRIOS |
TERMOS |
AURÉLIO SÉCULO XXI |
MICHAELIS |
HOUAISS ELETRÔNICO |
designer |
Þ designer (dizáiner) sm+f ( ingl ) Indivíduo que planeja ou concebe um projeto ou modelo. |
designer (dizáiner) sm+f ( ingl ) Indivíduo que planeja ou concebe um projeto ou modelo. |
designer
n substantivo de dois gêneros
Rubrica: desenho industrial.
ver desenhista industrial
pl. designers (ing.)
ETIMOLOGIA ing. designer (1662) 'aquele que cria u | |