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Vocabulário Controlado em Artes do Espetáculo
Maria Cecilia Soubhia
(co-autoria Jair Leal Piantino)
Biblioteca Jenny Klabin Segall
Museu Lasar Segall
São Paulo
Brasil
Introdução
A presente comunicação está dividida em três partes. A primeira traz informações sobre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – e as instituições vinculadas na cidade de São Paulo: Museu Lasar Segall e Cinemateca Brasileira. A segunda apresenta um panorama sobre o trabalho de construção de vocabulários controlados no campo das Artes e do Patrimônio Cultural, levado a efeito pelos bibliotecários destas instituições. A terceira parte dá conta da metodologia e da estruturação do Vocabulário Controlado em Artes do Espetáculo.
1. O IPHAN e as unidades especiais em São Paulo
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN - é hoje uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura do Brasil. Sucedeu, após consecutivas etapas, o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, criado em 1937, pela Lei nº 378 [1]. Já então estava prevista, no texto da própria lei, a manutenção dos museus nacionais que fariam parte da estrutura do novo órgão [2].
Atualmente o IPHAN tem como objetivo “pesquisar, proteger, fiscalizar e promover o patrimônio cultural brasileiro”(4). Sua estrutura organizacional compreende, entre outros, 14 superintendências regionais, 9 museus, 1 arquivo e 2 centros culturais, que representam suas unidades descentralizadas.
Muitas dessas unidades possuem bibliotecas, num total de 27, localizadas em 19 Estados brasileiros. O acervo dessas bibliotecas é constituído de aproximadamente 300.000 obras. Vinte bibliotecas têm como especialidade as áreas de Arte, Arquitetura, Patrimônio Histórico e História do Brasil. São exceções as bibliotecas da Cinemateca Brasileira, do Museu Lasar Segall, do Museu de Biologia Mello Leitão e do Museu Sítio Burle Marx, que possuem acervos voltados para outras áreas.
1.1. Museu Lasar Segall O Museu Lasar Segall foi criado legalmente em 1970 e incorporado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com plena autonomia administrativa e cultural, em 1º de janeiro de 1985(5). Tem por finalidade precípua “reunir, documentar, estudar, conservar, expor e divulgar a obra artística de Lasar Segall, bem como realizar outras atividades culturais e artísticas pertinentes...”(6), caracterizando-se “como uma instituição de natureza museológica e educacional, preservadora da memória e do patrimônio cultural, representados por seus acervos, sua história e experiências, e geradora de produção artístico-cultural...”(7) Para tanto, organizou-se em setores como museologia, biblioteca, arquivo, pesquisa, administração e atividades criativas.
A Biblioteca Jenny Klabin Segall [3], instalada juntamente com o Museu Lasar Segall, recebeu essa denominação em homenagem à esposa do artista, idealizadora do Museu Lasar Segall, e tradutora de clássicos do teatro alemão e francês, entre eles Goethe, Racine, Corneille e Molière. Surgiu nos anos 70, com características peculiares: era pública, dirigida ao público em geral, sem pertencer ao poder público; e era também especializada, sem estar vinculada a uma universidade ou a um instituto de pesquisa. A especialização de seu acervo, voltada para as manifestações das Artes do Espetáculo, procurou preencher uma lacuna, oferecendo ao público recursos bibliográficos não facilmente disponíveis na cidade de São Paulo(9).
De acordo com o regimento interno do Museu(10), à Biblioteca Jenny Klabin Segall compete: “a) reunir, processar, atualizar, divulgar e preservar seu acervo bibliográfico e documental; b) permitir e facilitar o acesso de estudantes, professores, pesquisadores e público em geral ao seu patrimônio bibliográfico e afim, especializado em cinema, teatro, fotografia, rádio e TV, bem como ao acervo documental impresso sobre a vida e a obra do artista plástico Lasar Segall, assim como realizar outras atividades afins”.
1.2. Cinemateca Brasileira A Cinemateca Brasileira tem suas origens no início da década de 40, quando intelectuais como Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e Antônio Cândido de Mello e Souza, então jovens estudantes da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, criaram o Clube de Cinema. O clube foi fechado pela polícia do Estado Novo, mas a idéia de uma instituição semelhante aos arquivos de filmes que se organizavam desde 1935 na Europa e nos Estados Unidos renasceu num segundo clube de cinema que, em 1949, se tornaria a Filmoteca do Museu de Arte de São Paulo, futura Cinemateca Brasileira. Desde essa data, é membro efetivo da FIAF – Fédération Internationale des Archives du Film. Em 1984, a instituição foi incorporada ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, mantendo sua autonomia administrativa.
A Cinemateca Brasileira constitui-se num polo de informações e de difusão da cultura cinematográfica. Possui um acervo de imagens em movimento, que representa a maior coleção de filmes da América Latina. São obras de ficção, documentários, cinejornais, publicidade e registros familiares, brasileiros e estrangeiros, abrangendo o período de 1895 até os dias de hoje. Além de abrigar a produção cinematográfica, a Cinemateca também guarda a coleção de imagens – filmes e vídeos – da primeira emissora de televisão brasileira, a extinta TV Tupi.
O centro de documentação recolhe e processa, permanentemente, documentos bibliográficos sobre os diferentes aspectos da atividade cinematográfica, com especial ênfase em cinema brasileiro, e ainda fundos arquivísticos pessoais de pesquisadores, críticos e cineastas. Além de permitir o acesso a esta documentação, o Centro efetua pesquisas para a sistematização da Enciclopédia e da Filmografia Geral do Cinema Brasileiro.
2. A construção de Vocabulários Controlados
Como sabemos, "as linguagens documentárias são tradicionalmente consideradas instrumentos de controle terminológico que atuam em dois níveis: na representação da informação obtida pela análise e síntese de textos; e na formulação de equações de busca de informação"(11) .
Tesauro, vocabulário controlado e lista de cabeçalhos de assunto são os exemplos mais freqüentes de linguagens documentárias, e seus parâmetros se confundem. Estas linguagens exercem, no entanto, a mesma função nos sistemas de recuperação da informação, pois representam o assunto de uma maneira consistente; permitem a coincidência entre linguagem do indexador e do pesquisador; e possibilitam ao indexador modular o nível de sua pesquisa, do mais geral para o mais específico, e vice-versa, segundo a necessidade do usuário(12).
De acordo com Bruschini, o tesauro, “por ser um mecanismo de processamento, é forçosamente simplificador, ele não é um sistema de descrição detalhada de uma área do saber”(13). Assim, “cada palavra listada no tesauro é um conceito, e as palavras que designam conceitos não são mais simples palavras, mas tornam-se termos ou descritores”(14), cuja função é expressar o conteúdo do documento. Hoje em dia, esta formulação se aplica tanto ao vocabulário controlado quanto à lista de cabeçalhos de assunto, visto que estes deixaram de ser simplesmente uma listagem ordenada de palavras para se estruturar de maneira sistematizada, similar à do tesauro. Desse modo, as múltiplas expressões e alternativas oferecidas pela linguagem natural são reduzidas a um conjunto de termos ou descritores, controlados e dispostos de forma sistemática, dentro de uma rede de relações semânticas.
Como não existissem, na língua portuguesa, instrumentos de controle de terminologia para representar e recuperar a informação no campo das Artes e do Patrimônio cultural, era imperativo a direção de esforços no sentido de elaborar tais instrumentos. Já eram conhecidas fontes documentárias como o Tesauro Internacional do Desenvolvimento Cultural(15), que abordava, como o próprio nome indica, uma dimensão mais ampla das manifestações no campo da Cultura, bem como metodologias em língua inglesa, como o RILA Subject Headings(16), utilizado para a pesquisa na base de dados RILA e no Art Literature Index, o Library of Congress Subject Headings(17), ou o Subject Headings for the International Federation of Film Archives - FIAF(18). No entanto, este instrumental não supria as necessidades locais para a catalogação e a indexação dos acervos das bibliotecas de arte.
Em 1988, foi organizado o Vocabulário Controlado em Artes Visuais(19), resultado do trabalho persistente de um grupo de bibliotecários com experiência nas diferentes áreas das Artes, que, apoiado em fontes bibliográficas e na sua prática, se reuniu semanalmente no Instituto Itaú Cultural para este fim. Integrantes da Biblioteca Jenny Klabin Segall fizeram parte desse grupo, que se desfez em 1992.
De 1997 a 1999, representantes da Biblioteca Jenny Klabin Segall e de outras 4 instituições do Rio de Janeiro (Museu Histórico Nacional, Museu Nacional de Belas Artes, Paço Imperial e 6ª Superintendência Regional), todas pertencentes ao IPHAN, constituíram o Grupo de Estudos sobre Vocabulário Controlado para a Rede de Bibliotecas do IPHAN, com a finalidade de elaborar um vocabulário(20) que pudesse estabelecer padrões de indexação e busca, integrar os acervos e, assim, viabilizar o projeto de criação de uma rede de informações bibliográficas no IPHAN.
3. Vocabulário Controlado em Artes do Espetáculo
Desde sua incorporação ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, os profissionais de informação das instituições vinculadas em São Paulo – Museu Lasar Segall e Cinemateca Brasileira – vêm-se dedicando, juntamente com profissionais de outras bibliotecas de arte em São Paulo, a discutir questões relacionadas à análise documentária e à representação conceitual dos documentos bibliográficos sob sua responsabilidade, particularmente nas áreas de Cinema e Vídeo.
Este fato motivou uma proximidade entre as duas entidades, que resultou em estreita cooperação, por meio da permuta de publicações, complementação de acervos e disseminação de informações, além da busca de soluções conjuntas para problemas comuns.
Um desses problemas era a falta de expedientes para o processamento técnico dos documentos, especialmente no que se refere à terminologia a ser adotada para a representação e a recuperação da informação. Os contatos das duas instituições com outras, inclusive em âmbito internacional, resultaram na obtenção de algum instrumental, que reduzia parcialmente o problema, mas não o resolvia, pois não contemplava o cinema nacional e suas particularidades.
Num primeiro momento, os bibliotecários do Museu Lasar Segall e da Cinemateca Brasileira traduziram a Lista de Cabeçalhos de Assunto da FIAF, com algum esforço de adaptação para nossa realidade. A partir de 1990, um novo grupo de profissionais destas duas bibliotecas desenvolveu um trabalho específico na área do audiovisual, tomando como base a tradução da Lista de Cabeçalhos de Assunto da FIAF, acrescida dos cabeçalhos adotados em cada uma das bibliotecas. Inicia-se a construção do Vocabulário Controlado de Cinema, Televisão e Vídeo, cuja versão preliminar é concluída em 1996. No ano em curso, o Vocabulário passa a ter seu escopo ampliado, com a introdução de descritores referentes às Artes Cênicas (Teatro, Dança, Ópera, Circo); junta-se ao grupo de estudos a Divisão de Pesquisa em Artes Cênicas do Centro Cultural São Paulo.
Tem início, então, a formação do Vocabulário Controlado em Artes do Espetáculo e é provável que, no futuro, este vocabulário seja reunido ao do IPHAN, compondo assim um único Vocabulário Controlado em Artes e Patrimônio Cultural, pois as metodologias adotadas tendem a se aproximar.
3.1. Metodologia Dada a abrangência das Artes do Espetáculo, que compreendem, segundo Giteau(21), as áreas de Teatro, Cinema, Circo, Dança, Ópera, Rádio e Televisão, o desenvolvimento do Vocabulário se deu por módulos, a fim de atingir maior aprofundamento e especificidade. Deste modo, os descritores referentes a Cinema e Televisão e suas respectivas relações foram objeto de análise mais detalhada e estão consubstanciados, o que ainda não ocorre com os descritores referentes às Artes Cênicas e Rádio, que deverão ser melhor estudados, discutidos e definidos. Isto se deve porque, como já foi mencionado, as bibliotecas envolvidas na primeira etapa do trabalho possuíam em comum um acervo de Cinema e TV.
A metodologia de trabalho consiste em: a) levantamento e análise terminológica das fichas catalográficas de cada biblioteca; b) cotejamento dos cabeçalhos adotados com aqueles encontrados nas fontes documentárias existentes e com os termos de busca utilizados pelos usuários; e c) conceituação, seleção dos descritores e estabelecimento das relações pertinentes.
A consulta a fontes bibliográficas especializadas - dicionários, enciclopédias e outros textos de referência – é sempre fundamental, não só para o esclarecimento e maior consistência e precisão dos conceitos, como também para a contextualização dos descritores. É claro que, em se tratando de acervos especializados, muitas soluções já estão apontadas, quer em razão da familiaridade dos bibliotecários com a leitura crítica e o processamento da literatura cinematográfica, quer em razão da forma como os assuntos são procurados pelos usuários, quer pela consulta a pesquisadores e especialistas, quando necessário.
A revisão e a atualização do vocabulário têm sido um procedimento constante; ele deve acompanhar o dinamismo da área, incorporando as mudanças de linguagem ou os conceitos de uso recente, uma vez que novos termos surgem continuamente, novas relações se estabelecem e antigos termos adquirem novos significados.
Este vocabulário é composto por uma listagem de descritores, dispostos alfabeticamente, formados por palavras e expressões que representam conceitos, apresentados cada um deles com sua estrutura de relações semânticas e hierárquicas.
Além do corpo propriamente dito, o vocabulário traz ainda uma série de tabelas, quais sejam: tabelas de área de especialização, de forma, geográfica, de temporalidade, de eventos, de grupos, companhias e teatros, criadas para tornar possível a pós-coordenação entre os termos. A tabela de área de especialização registra os campos temáticos atinentes às Artes do Espetáculo; a tabela de forma contém as formas de apresentação de uma obra; a tabela geográfica indica os países, continentes e regiões, estados e cidades, e também os acidentes geográficos; a tabela de temporalidade determina os séculos, as décadas e os grandes recortes de tempo da História; a tabela de eventos normatiza os nomes de eventos, como festivais, encontros, mostras etc.; e a tabela de grupos, companhias e teatros traz uma relação dos nomes de grupos e companhias de teatro, ópera e dança, e das casas de espetáculo. Estas tabelas estão sendo construídas passo a passo, ou seja, incorporam os termos à medida que eles aparecem nos novos textos analisados.
Inicialmente o vocabulário empregou termos pré-coordenados, numa clara transposição da catalogação manual para a informatizada. Este procedimento, inadequado para a descrição de documentos em bases de dados, acarretou uma série de problemas, como a grande profusão de descritores, que se repetiam a cada diferente área de especialização, o tamanho excessivo do descritor e a imprecisão no momento de sua recuperação, já que era preciso acessá-lo com todas as suas subdivisões e alguns programas recuperavam apenas um número limitado e insuficiente de caracteres.
Os novos recursos de informática e a objetividade advinda do processamento informatizado propiciaram a associação dos descritores a posteriori. O processo de pós-coordenação “assegura uma economia de indexação, pois evita o recurso às extensas listas de descritores pré-coordenados, como no caso dos cabeçalhos de assuntos”(22) e propicia o enxugamento de termos na estrutura do vocabulário. Não necessitamos, por exemplo, pré-coordenar os cabeçalhos cartaz de cinema ou dramaturgo brasileiro, se é possível associar aos termos cartaz e dramaturgo, respectivamente, o delimitador de área cinema ou o delimitador geográfico Brasil.
Entretanto, como o vocabulário é composto por conceitos, fizemos uso de alguns descritores na forma pré-coordenada, para evitar a ambigüidade semântica ou a perda de sentido, caso fossem apresentados como termos simples. Exemplos: Fotografia cinematográfica, Teatro do absurdo, Teatro de revista, entre muitos outros.
3.2. Estrutura A estrutura física do vocabulário e as relações entre os descritores são designadas pela nomenclatura em inglês, aceita internacionalmente. O arranjo hierárquico facilita as atividades de indexação e busca da informação, pois situa os descritores em seu contexto semântico, contribuindo para a precisão e adequação da escolha dos termos.
Os descritores são acompanhados de nota explicativa, nos casos em que: a) o termo não tem significado suficientemente preciso ou unívoco; b) o termo é novo ou pouco freqüente na literatura; C) há intenção de restringir o campo conceitual de determinado termo. Exemplos:

A forma dos descritores foi orientada por critérios que determinam a padronização do vocabulário. São eles:
a) Usar os descritores na forma direta. Exemplos: Filme de suspense; Teatro de revista.
b) Usar os descritores no singular, como recomenda a versão francesa da ISO 2788(23). O plural pode ser utilizado, se o singular não exprimir a significação adequada do termo. Exemplos: Efeitos especiais; Movimentos cinematográficos. Termos polissêmicos são usados no singular e no plural. Exemplo: Cinema (designando disciplina ou área) e Cinemas (designando construções, edifícios).
c) Usar os descritores na língua original, quando for mais conhecido e freqüentemente utilizado nesse idioma. Exemplos: Film noir; Filme cult; Nouvelle vague.
d) Nomes de personagens de ficção entram pela forma direta. Exemplos: James Bond; Robin Hood.
e) Usar preferencialmente a sigla de uma instituição ou evento(24), remetendo o nome completo para a sigla. Exemplos: CPC ( UF Centro Popular de Cultura); EAD (UF Escola de arte Dramática); Embrafilme (UF Empresa Brasileira de Filmes); TBC (UF Teatro Brasileiro de Comédia).
f) Existem descritores, que fazem parte das categorias gerais do conhecimento, que só adquirem sentido no vocabulário por meio da pós-coordenação com uma ou mais áreas das Artes do Espetáculo. Exemplos: Antropologia e Cinema; Política e Teatro; Sociedade e Televisão. Da mesma maneira, os descritores correspondentes aos temas tratados em uma ou mais áreas de especialização devem ser a elas relacionados, ou seja, pós-coordenados. Exemplos: Aids e Teatro; Robô e Cinema. A pré-coordenação está sendo adotada somente quando se faz necessário maior precisão e objetividade na busca da informação. Exemplos: Cinema de Fotógrafo; Filme em vídeo; Fotografia cinematográfica.
Como vimos, são cerca de 15 anos de trabalho, inúmeras vezes interrompido, outras tantas retomado, que contou com a participação de diversos profissionais e diversas instituições, o que suscita algumas reflexões:
a) a constatação da deficiência de recursos financeiros e humanos que acometem as instituições não voltadas para a Ciência e Tecnologia, ou não destinadas a suprir as informações dos ramos científico e tecnológico do país; as Ciências Humanas e as Artes são "patinhos feios" de algo mais amplo chamado Ciências da Informação, ciências estas que parecem considerar mais as primeiras do que as segundas modalidades. Isto comprova como o país destina e privilegia seus recursos, gerando uma distorção no aparelho educacional. Afinal, educar e disseminar informações são ações das Ciências Humanas tanto quanto das médicas, biológicas, tecnológicas, etc.
b) a existência de uma instituição forte e de firmes propósitos educativos (como a política cultural do Museu Lasar Segall prova à exaustão) pode, em certos aspectos, suprir, alimentar, ou até substituir a ação das áreas financeiras do Estado, transpondo, assim, nossas conhecidas limitações.
Finalmente, para não sermos pessimistas, cabe aqui um voto de louvor a bibliotecários, documentalistas ou cientistas da informação que, a despeito de todos os percalços, avanços oportunos e retrocessos demolidores, insistem em criar ferramentas e instrumentos de trabalho (eficazes ou não) para descrever e selecionar informações, visando facilitar o caminho dos pesquisadores em busca de documentos. Uma vida de perseverança, quase mística, religiosa ou compulsiva.
Referências bibliográficas
1. Proteção e revitalização do patrimônio cultural no Brasil: uma trajetória (1980). Brasília: SPHAN/Fundação Nacional Pró-Memória, pp. 107.
2. Ibid, pp. 111
3. Ibid, pp. 118
4. “Regimento interno do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional” (1998). In: Diário Oficial da União. Brasília, n. 202, 22 out., pp. 2.
5. Museu Lasar Segall: folder (1995). São Paulo: Museu Lasar Segall/IPHAN/MinC.
6. “Regimento interno do Museu Lasar Segall” (1997) In: Diário Oficial da União. Brasília, n. 16, 23 jan., pp. 1340.
7. Ibid.
8. Histórico e estatutos, artigo 3, alínea e (1970). São Paulo: Associação Museu Lasar Segall, pp. 17.
9. 1967-1992, Museu Lasar Segall: histórico, análises e perspectivas (1992). São Paulo: Museu Lasar Segall, pp. 38-9.
10. REG. int. MLS, pp. 1342.
11. TÁLAMO, Maria de Fátima G. Moreira et al. (1992). "Contribuição da terminologia para a elaboração de tesauros". In: Ciência da Informação. Brasília, v. 21, n. 3, pp. 197-200.
12. CESARINO, Maria Augusta da Nóbrega & Maria Cristina Mello Ferreira PINTO (1978). "Cabeçalho de assunto como linguagem de indexação". In: Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 7, n. 2, pp. 268-88.
13. BRUSCHINI, Cristina, Danielle ARDAILLON & Sandra G. UNBEHAUM (1998). Tesauro para estudos de gênero e sobre mulheres. São Paulo : Fundação Carlos Chagas, Editora 34, pp. 13.
14. Ibid, pp.12.
15. VIET, Jean (1983). Thesaurus internacional do desenvolvimento cultural. Paris: UNESCO; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa.
16. RILA subject headings (1990). Massachussets: The S. Paul Getty Trust.
17. Library of Congress subject headings (1992). 15.ª ed. Washington, D.C.: Cataloging Distribution Service, Library of Congress.
18. “International Index to Film Periodicals” (1985). Subject headings for the International federation of Film Archives. London, FIAF.
19. ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de (coord.) (1992). Vocabulário controlado de arte. São Paulo.
20. Vocabulário controlado para a rede de bibliotecas do IPHAN (1999). Rio de Janeiro: IPHAN.
21. GITEAU, Cécile (1970). Dictionnaire des arts du spectacle: français - anglais - allemand. Paris: Dunod.
22. BRUSCHINI, op. cit., pp.19.
23. Macro thesaurus para el processamiento de la información relativa al desarrollo económico y social (1998). 5.ª ed. Paris : OCDE.
24. Ibid.
[1] O artigo 46 da lei determina: “Fica criado o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com a finalidade de promover, em todo o país e de modo permanente, o tombamento, a conservação, o enriquecimento e o conhecimento do patrimônio histórico e artístico nacional (1).
 [2] O decreto-lei nº 25, de 30/11/1937(2), que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional determina: “A União manterá, para conservação e a exposição de obras históricas e artísticas de sua propriedade, além do Museu Histórico Nacional e do Museu Nacional de Belas-Artes, tantos outros museus nacionais quantos se tornarem necessários, devendo outrossim providenciar no sentido de favorecer a instituição de museus estaduais e municipais, com finalidades similares”(3).
 [3] A Associação Museu Lasar Segall, antiga entidade mantenedora do Museu Lasar Segall, se comprometia, de acordo com seus estatutos, a “manter, conservar e franquear ao público uma biblioteca sobre arte denominada Biblioteca Jenny Klabin Segall, localizada no imóvel onde se encontra o Museu Lasar Segall”.(8)
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