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A propósito da relação entre terminólogo e especialistas.
O caso do SdT da Comissão Europeia

Paulo Correia
Luis Gonzalez
Serviço de Tradução da Comissão Europeia

 

Resumo

No sector de apoio linguístico da unidade de terminologia do Serviço de Tradução da Comissão Europeia é frequente a consulta de especialistas. Contudo, agora que a facilidade de acesso a fontes documentais através das redes de informação nos permite muitas vezes prescindir do especialista para questões mais simples (embora aquilo que é simples para um especialista possa não o ser para um leigo), somos levados a reflectir melhor sobre como e quando recorrer aos ditos especialistas.

A primeira questão a resolver é encontrar a entidade adequada (comissões técnicas de normalização, universidades, institutos públicos, ministérios, empresas) e, dentro da entidade contactada, localizar os interlocutores realmente qualificados para esclarecer a dúvida terminológica. A cuidada preparação prévia da questão (etapa de documentação, geralmente na língua do original) revela-se fundamental nesta primeira fase –crucial– do nosso trabalho. Uma vez localizado o especialista, a estratégia utilizada pelo terminólogo no seu papel de mediador entre especialistas e tradutores deve adaptar-se em função não só do tipo de questão colocada como também da atitude dos especialistas consultados. Os exemplos que iremos apresentar, decorrentes do nosso trabalho, ilustram a importância de uma posição flexível caso se pretenda, mais do que a simples resolução de um problema de tradução, tratar terminologicamente os dados recolhidos junto dos especialistas com o objectivo de facilitar uma utilização coerente pelos tradutores, condição sine qua non para a futura implantação da terminologia. O trabalho terminológico acrescenta, assim, valor à informação inicial, com benefício também para os especialistas.

 

A terminologia enquanto apoio à tradução. Terminologia pontual

A Comissão Europeia é uma instituição que se ocupa dos temas mais variados, da investigação à agricultura, aos transportes, à energia, etc., etc., o que constitui uma especificidade relativamente a outras organizações internacionais, de tendência mais sectorial. Outra especificidade é o facto de línguas nacionais de todos os Estados-Membros, entre as quais o espanhol e o português, serem simultaneamente línguas oficiais e de trabalho. Esta situação tem importantes implicações no trabalho desenvolvido pelo Serviço de Tradução (SdT) da Comissão Europeia, serviço que desempenha um papel importante para o funcionamento da instituição no respeito do regime linguístico instituído.

Uma das implicações óbvias é a variedade de terminologia técnica, científica, comercial, administrativa e política com que os tradutores do SdT devem lidar diariamente, sendo os terminólogos regularmente chamados a participar na resolução de questões terminológicas em todos estes domínios. A missão global da unidade de terminologia do SdT é fornecer apoio terminológico orientado para as necessidades da tradução, coligindo os diferentes conceitos, definindo-os, estabelecendo os equivalentes nas várias línguas e organizando o acesso aos dados, a fim de facilitar a comunicação multilingue. A terminologia produzida pela unidade não pretende desempenhar um papel normativo ou prescritivo, mas sim descritivo, com o objectivo fundamental de contribuir para a harmonização da terminologia ao nível da Comissão Europeia e da União Europeia.

A unidade de terminologia conta com dois grandes sectores: EURODICAUTOM e Apoio Linguístico. O trabalho terminológico mais clássico e sistemático/temático, a montante e a jusante da tradução, é realizado pelo sector EURODICAUTOM, encarregue da alimentação e gestão da grande base de dados terminológicos. Por seu lado, o sector de Apoio Linguístico [1] dedica-se às seguintes tarefas:

A. Terminologia pontual (isolada)
Pesquisa de equivalências terminológicas pontuais.
Listas de “acompanhamento terminológico”.

B. Trabalho de validação temática (em bloco)
Glossários.
Acompanhamento e actualização de colecções terminológicas “vivas”.

C. Outras actividades
Recuperação da terminologia local.
Difusão da terminologia de outras instituições.
Encorajamento do debate terminológico.
Pré-tratamento terminológico, memórias de tradução.
Tradução.

Dá-se o paradoxo de os tradutores que consultam o sector de Apoio Linguístico estarem organizados em seis grupos temáticos e, por esse motivo, terem adquirido, caso não o possuíssem já, um certo grau de especialização nos domínios bastante vastos que traduzem. Pelo contrário, por razões óbvias de eficiência organizativa e de custos (em princípio, um terminólogo por língua em Bruxelas e no Luxemburgo), os terminólogos são “generalistas”. O facto de os tradutores deterem, em princípio, um conhecimento mais especializado do que os terminólogos serve, por um lado, de filtro a muitas questões terminológicas mais elementares e, por outro lado, torna-nos mais dependentes da consulta a especialistas.

Propomo-nos apresentar aqui uma reflexão sobre a nossa actividade no sector de Apoio Linguístico de Bruxelas no que se refere à resolução de problemas de terminologia pontual, ou seja, a terminologia/produto destinada a dar resposta a dúvidas que se colocam durante a tradução de um determinado documento. O terminólogo actua, assim, como intermediário entre o tradutor, o principal utilizador no nosso circuito terminológico, e os especialistas, igualmente utilizadores (e quase sempre os mais qualificados) da terminologia da sua área de especialização e de áreas conexas. Centrar-nos-emos neste tipo de pesquisas terminológicas dada a sua importância, complexidade e riqueza nas relações estabelecidas entre o terminólogo e os especialistas.

Quanto aos problemas da validação terminológica temática em bloco, que não poderão ser aqui abordados por falta de espaço, referiremos apenas que o trabalho sobre conjuntos mais coerentes de termos é feito em diálogo muito estreito com peritos das diferentes matérias [v.g.: Léxico da Vinha e do Vinho, Office International de la Vigne et du Vin (OIV); Glossário Marítimo Comercial, Sociedade de Geografia de Lisboa] ou em consulta permanente das fontes relevantes [v.g.: lista de países [2], colecção terminológica “viva”].

 

A terminologia pontual

“Quem pergunta é ignorante por cinco minutos, mas quem não pergunta, fica ignorante para sempre.” Provérbio chinês.

Quando a pesquisa nas fontes conhecidas ou imediatamente disponíveis para o tradutor (EURODICAUTOM, CELEX, bases documentais, memórias de tradução, ou mesmo a Internet) não dá resultados satisfatórios, a consulta ao terminólogo permite libertar o tradutor para a sua principal tarefa – a tradução.

Não é, à partida, previsível o volume e os tipos de perguntas a que o terminólogo deve procurar responder. As consultas dos tradutores, geralmente urgentes, referem-se a termos isolados ou listas de termos, que podem ser incluídas numa das seguintes categorias no que se refere ao conhecimento da solução na língua de chegada:

dúvidas absolutas: desconhecimento completo do termo na língua de chegada. Por ordem de frequência, estas questões referem-se a termos cuja definição é conhecida do tradutor e a termos cuja definição não é conhecida do tradutor;

dúvidas relativas: dúvidas sobre a pertinência ou idoneidade de um ou mais termos na língua de chegada. Está implícito um conhecimento mínimo da matéria e, neste caso, o que se pede é a validação de uma solução de entre várias propostas.

Estas dúvidas referem-se à extensa gama de domínios de actividade da Comissão Europeia. De uma maneira simplificada, podemos classificar essas questões em quatro grandes categorias, às quais estão geralmente associadas entidades específicas.

Neologismos técnico-científicos e termos com valor normativo ou legal > investigadores, universidades, centros tecnológicos da indústria, organismos públicos de referência.

Termos referentes a produtos ou serviços (nomenclaturas industriais ou comerciais) > fabricantes e distribuidores.

Terminologia administrativa ou específica de uma determinada tradição cultural, jurídica, económica, etc. > especialistas da administração, funcionários.

Internacionalismos, europeísmos (jargão comunitário) e demais neologismos difusos da linguagem político-económica > especialistas da administração, funcionários, jornalistas, políticos.

Vejamos alguns exemplos.

a) Neologismos técnico-científicos e termos com valor normativo ou legal:

Neologismos técnico-científicos [v.g.: nanobe (en) > “nanobio” (es), “nanóbio” (pt)] e termos com valor normativo ou legal [v.g.: artefact (en) (radiologia) > “artefacto” (es); traceability (en) > “trazabilidad” (es), “rastreabilidade” (pt)]. Nesta categoria podemos incluir também termos aparentemente menos “sólidos”, mas comuns no discurso de divulgação científica [v.g.: quark soup > “sopa de quarks” (es)].

Trata-se, muitas vezes, de novos conceitos que decorrem de necessidades do legislador europeu e para os quais, geralmente, não existem ainda termos espanhóis ou portugueses [v.g.: construction products (en) > “productos de construcción” (es), “produtos de construção” (pt) é um neologismo que pretende englobar simultaneamente materiais e sistemas de construção; formulator (en) > “formulador” (es), tem uma definição muito restritiva na legislação comunitária sobre biocidas: “fabricante o persona designada por éste como su representante” (es)].

Cada vez mais o discurso técnico e científico é originalmente conceptualizado e normalizado em inglês e traduzido de seguida para as outras línguas, pelo que se pode dizer que este tipo de terminologia em espanhol e português é muitas vezes de origem tradutiva [v.g.: em Espanha e Portugal, a terminologia normalizada é em grande parte traduzida, pois as normas UNE e NP são geralmente traduções ou adaptações de normas ISO]. Este simples facto contraria as bases da terminologia clássica, segundo a qual a normalização conceptual se deveria realizar sem interferências linguísticas. Esta situação leva a que, na prática, um mesmo termo em inglês possa facilmente gerar usos divergentes na língua de chegada, em função das diferentes traduções que dele tenham sido feitas.

b) Termos referentes a produtos ou serviços (nomenclaturas industriais ou comerciais):

Um exemplo deste tipo de terminologia pode encontrar-se nos documentos internos da Comissão Europeia sobre operações de concentração de empresas. Nesses documentos é feita a descrição de produtos de fabricantes bem determinados [3] [v.g.: cyalume (fr) é uma marca registada que, segundo os especialistas, deveria traduzir-se em espanhol por “cebo luminiscente” ou “añagaza luminescente”; ctp technology (en) é uma tecnologia patenteada de impressão informatizada que em Espanha é conhecida como “tecnología ‘directo a plancha’” e na América Latina como “offset digital”; vaspar (en) é uma marca registada que designa a mistura de vaselina e parafina > “vaspar” (es)].

A Nomenclatura Combinada e a pauta integrada das Comunidades Europeias (TARIC) contêm exemplos que ilustram a dificuldade de conceptualizar (para poder converter em termos) todos os produtos [v.g.: os diferentes tipos de corte de carne referidos no capítulo 2 da Nomenclatura Combinada]. À medida que se desce no nível de pormenor de uma nomenclatura mais difícil se torna encontrar categorias comuns a todas as línguas.

De assinalar que, relativamente ao português, os sítios Web brasileiros possuem uma maior riqueza de informação e terminologia na área dos produtos e serviços [v.g.: consultar “polietileno de baixa densidade linear”].

c) Terminologia administrativa ou específica de uma determinada tradição cultural, jurídica, económica, etc.:

Os termos da Common Law, ou dela derivados, são um bom exemplo desta categoria [v.g.: a expressão inglesa no cure no pay (direito marítimo) corresponde a um princípio do direito inglês que se traduz por “principio ‘sin salvamento no hay pago’” (es), utilizando-se mesmo, por vezes, “principio ‘no cure, no pay’” (es), e que se opõe ao conceito de assistance (en), que contempla o pagamento da operação de salvamento mesmo que esta não tenha sido bem sucedida].

A tradução de sistemas diferentes que respondem a enquadramentos diferentes é uma fonte de problemas terminológicos. Como princípio geral, quando se trata de pôr em pé de igualdade, pelo menos linguisticamente, quinze “culturas” diferentes, por vezes, a única solução é recorrer à terminologia descritiva para preencher vazios terminológicos.

É o que ocorre nos glossários da série European Employment & Industrial Relations Glossary (EEIRG), da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, de Dublim. Estes glossários contêm terminologia relativa aos sistemas nacionais de direito do trabalho e relações laborais dos Estados-Membros, com termos especializados nas línguas nacionais e em inglês e definições em inglês [v.g.: “peon especializado” (es) > semi-skilled worker (en)].

A terminologia exclusiva de uma cultura pode ser também terminologia técnica, como é o caso para diferentes técnicas de cultivo específicas de um país ou região [v.g.: ao termo vitivinícola português da região do vinho do Porto “mortório” ou “mortuório” (terreno que ficou por semear ou plantar) não corresponde um equivalente imediato nas restantes línguas da OIV].

O facto de se reconhecerem os problemas não deve de forma alguma levar a admitir que estes termos são intraduzíveis. Estamos de acordo com Jakobson quando este afirma que “all cognitive experience and its classification is conveyable in any existing language” [4].

d) Internacionalismos, europeísmos (jargão comunitário) e demais neologismos difusos da linguagem político-económica:

Estes termos colocam o problema de a definição não ser clara e de a utilização obedecer mais a modas ou à necessidade de mostrar a pertença a uma certa ideologia do que à expressão clara de um conceito [v.g., palavras-talismã: “a qualidade”, “a economia do conhecimento”, “a sociedade da informação”, governance (en), empowerment (en), sustainability (en), employability (en), subsidiarité (fr), etc.]. A decisão final sobre a sua implantação não depende geralmente dos especialistas, mas sim dos políticos [v.g.: a “subsidiariedade”, que há alguns anos era referida em quase todos os textos sobre assuntos europeus, parece ter agora caído em relativo esquecimento].

Vem a propósito referir aqui o tantas vezes citado diálogo entre Alice e Humpty Dumpty em Alice do Outro Lado do Espelho, de Lewis Carrol:

“‘When I use a word’, Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone, ‘it means just what I choose to mean – neither more nor less.’
‘The question is’, said Alice, ‘whether you can make words mean so many different things.’
‘The question is’, said Humpty Dumpty, ‘which is to be master – that's all.’”

Como é evidente, e se viu em exemplos anteriores, a distinção entre as quatro categorias indicadas não é, por vezes, muito clara. Tal como as categorias de termos não são estanques, também as entidades que lhes estão associadas podem, por vezes, fornecer especialistas para diferentes categorias de termos.

 

Preparação da consulta ao especialista

A recolha prévia de toda a informação disponível sobre o contexto do termo é fundamental. Por estranho que possa parecer a quem, como nós, trabalha na área da terminologia, nem sempre é esse o reflexo do tradutor que se nos dirige, que muitas vezes omite também as fontes já consultadas.

Vejamos dois exemplos que podem ilustrar a importância do conhecimento exacto do contexto, sobretudo quando se traduz a partir do inglês, devido à grande concisão, mas escassa precisão, de muitos termos ingleses em relação às línguas latinas.

Palavras como shell, cluster, etc., podem ser, ou fazer parte de, termos polissémicos.

shell (zoologia) > concha, almeja (es)
shell (siderurgia) > cuba del horno (es)
shell (metalurgia) > lengüeta, cáscara (es)
shell (informática) > carcasa de un disquete (es)
shell (informática -sistema operativo UNIX-) > interfaz “shell”, intérprete de comandos (es).

Quando utilizadas em conjunto com outras palavras, as possibilidades de novos significados são logicamente maiores, pelo que aumenta a polissemia. Assim, por exemplo, em mortar shell (armamento), shell passa a significar obus (de morteiro), enquanto que em building shell, shell refere-se à estrutura ou esqueleto de uma obra e a tradução do sintagma pode ser “obra gruesa”(es). Não é estranho encontrar também acepções baseadas em sentido figurado: shell company (en) > “empresa ficticia”ou “tapadera” (es).

No caso de cluster, as traduções estão mais ou menos relacionadas com o significado primário em inglês:

cluster > racimo, grupo (es)
gene cluster (genética) > agrupamiento génico (es)
molecular clusters (biologia) > agregados moleculares (es)
metal clusters (metalurgia) > agregados metálicos (es)
stellar clusters, galactic clusters (astronomia) > cúmulos estelares, cúmulos galácticos (es)
cluster (estatística) > conglomerado, racimo (es).

Neste caso, há que ter em conta o uso em espanhol (e em português) do empréstimo espúrio e snobe “cluster” para os agrupamentos de empresas nas quais baseou a sua teoria o “guru” empresarial Michael Porter.

Hoje em dia, com a total informatização do circuito de documentos no SdT, a tarefa de extracção de informação contextual está de sobremaneira simplificada. O terminólogo tem acesso electronicamente à totalidade do texto original, a partir do número de registo do documento, e a textos similares já traduzidos, partindo de palavras-chave e utilizando a base documental interna – SdTvista.

Na posse do contexto, recorre-se à documentação e bases de dados disponíveis no nosso serviço, incluindo a Intranet, e à Internet (motores de pesquisa ou directamente sítios exteriores já conhecidos). A utilização intensiva da Internet tornou-se um facto inquestionável nos últimos anos. Poder-se-ia mesmo dizer, sem exagero, que ela é hoje em dia a nossa principal ferramenta de trabalho. Para além da vantagem óbvia da obtenção de muita informação sobre o termo em análise, permite ainda:

a) procurar soluções (certos neologismos aparecem em páginas em espanhol ou português acompanhados do termo inglês);

b) testar/comprovar/validar soluções intuitivas directamente do original ou a partir de uma língua mais próxima da nossa língua de chegada, por exemplo tirando partido das semelhanças entre o espanhol e o português;

c) consultar glossários em linha;

d) obter elementos para definir as áreas geográficas de utilização de um termo [5] ou dos seus diferentes registos ou níveis (divulgação, hiperespecializado, jargão, etc.);

e) obter os dados (nome, número de telefone, endereço electrónico, áreas de especialização) dos especialistas.

Em muitos casos, a consulta da Internet, se devidamente ponderada a fiabilidade das fontes, corresponde à consulta indirecta de um especialista virtual, muitas vezes anónimo ou colectivo, podendo substituir totalmente o contacto directo com o especialista. Dois exemplos:

Para resolver a questão (não demasiado espinhosa) do termo buiatrics (en) e obter uma definição precisa destinada à nossa base de dados, a fonte mais autorizada e rápida foi um sítio Web sobre a Associação Mundial de Buiatria, com informação em alemão, inglês, espanhol e francês.

No caso da tradução de um texto inglês da antiga DGVIII (Desenvolvimento) relativo à recuperação de estradas em Moçambique, as dúvidas terminológicas que se colocavam ao tradutor português tiveram resposta imediata com a consulta do glossário dos conceitos da Política e Estratégia de Estradas colocado na Internet pela Direcção Nacional de Estradas do Ministério das Obras Públicas e Habitação da República de Moçambique.

Pode dizer-se que, tal como a prática nos permite desenvolver estratégias para tirar o máximo partido do diálogo directo com os especialistas, também a prática (e a formação específica) nos está a ensinar a tirar o máximo partido de motores de pesquisa como o AltaVista ou o Google ou de outros sistemas de pesquisa (Babylon) para melhorar a nosso diálogo com estes especialistas à distância.

De referir ainda que, nesta fase de preparação das questões, a consulta do autor do documento é por vezes necessária para resolver problemas de compreensão na língua original motivados por interferências linguísticas [v.g.: o pseudotermo certitude juridique apareceu num texto francês em lugar de sécurité juridique, o termo usual em francês, por deficiente retroversão do autor inglês (legal certainty)]. Este tipo de interferências pode colocar às vezes falsos problemas terminológicos quando os autores, como ocorre frequentemente em instituições internacionais, não redigem na língua materna, ou quando são usados neologismos ou regionalismos [v.g.: as "bortas" (es) são "restos de patatas de cosechas anteriores que quedan en las lindes y se convierten en plantas". É um termo agrícola que se utiliza exclusivamente em Castilla y León e que no SdT se traduziu em francês com a "trouvaille" éclat-rejet]. Muitas vezes o autor não é especialista de certos aspectos técnicos referidos num documento resultante da compilação de relatórios técnicos. Regra geral o autor desconhece a terminologia nas outras línguas.

Dado o carácter multilingue do sector Apoio Linguístico, a consulta dos colegas permite, por vezes, encontrar no próprio sector esclarecimentos importantes para a procura de uma solução. Esses esclarecimentos podem ter a ver quer com a interpretação do texto original quer com a resolução do mesmo problema para outras línguas próximas (caso do espanhol e do português). O multilinguismo do nosso sector permite-nos também detectar incoerências terminológicas, inclusive na língua original [v.g.: lista europeia de resíduos perigosos].

Mesmo que as primeiras etapas de consulta de documentação, bases de dados ou a Internet, ou ainda o autor, possam não fornecer respostas (ou as respostas necessitem ainda de uma confirmação), elas são sempre de importância fundamental no passo seguinte - a consulta ao especialista. O terminólogo procurará, assim, entrar em contacto com o especialista numa posição de (minimamente) conhecedor das matérias em análise. Na prática, as possibilidades que a Internet nos oferece permitem-nos transformar a maior parte das dúvidas absolutas em dúvidas relativas.


Figura 1: Esquema de um caso típico de consulta aos especialistas - Preparação

 

2. O diálogo com o especialista

A cuidada preparação prévia da questão revela-se fundamental na fase do contacto directo com o especialista, pois permite-nos tirar maior partido da consulta. Utilizando o diálogo com uma finalidade maiêutica, isto é, trocando elementos de reflexão que servem para a correcta colocação do problema, o terminólogo pode ir averiguando, em função da atitude do especialista, se a resposta obtida é convincente ou válida no contexto preciso em que se coloca. Por exemplo, uma resposta demasiado expeditiva, ou uma confirmação por parte do especialista de uma possível proposta mesmo antes de dispor de todos os dados que consideramos pertinentes, deverá ser cotejada com outras fontes documentais ou a opinião de outros especialistas.

A primeira questão a resolver é encontrar a entidade adequada (comissões técnicas de normalização, universidades, institutos públicos, ministérios, empresas, outras instituições comunitárias, a própria Comissão, ou inclusive o SdT, onde para além de linguistas de formação há também engenheiros, médicos, economistas, advogados, etc.) e dentro desta os interlocutores realmente qualificados para esclarecer a dúvida terminológica.

Localizado o especialista para o tipo de questão, a estratégia utilizada pelo terminólogo no seu papel de mediador entre especialistas e tradutores deve adaptar-se em função não só do tipo de questão colocada como também da atitude dos especialistas consultados. Os exemplos que iremos apresentar, decorrentes do nosso trabalho, ilustram a importância de uma posição flexível caso se pretenda, mais do que a simples resolução de um problema de tradução, tratar terminologicamente os dados recolhidos junto dos especialistas com o objectivo de facilitar uma utilização coerente pelos tradutores, condição necessária para a futura implantação da terminologia. O trabalho terminológico tem, assim, como objectivo acrescentar valor à informação inicial, com benefício também para os especialistas.

Casos "típicos" de especialistas contactados:

a) Grau elevado de sensibilidade terminológica/conhecimentos linguísticos. A situação ideal

Trata-se do verdadeiro especialista do domínio. O especialista a quem o documento a traduzir diz directamente respeito, o especialista com sensibilidade para os problemas terminológicos, autor habitual de documentos em mais que uma língua.

Estes especialistas estão em condições de entender melhor os problemas colocados pela terminologia tradutiva e, às vezes, oferecem-se mesmo para cooperar na difusão das soluções encontradas face a traduções pouco claras.

Um bom exemplo é a colaboração de Gregorio García Herdugo, catedrático de biologia que se ofereceu, por proposta nossa, a promover junto dos demais especialistas espanhóis uma tradução mais transparente para endocrine disrupter (en) > "perturbador endocrino" ou "alterador endocrino" (es), em lugar do calque usual "disruptor endocrino" (es).

O verdadeiro especialista reconhece as suas limitações no que se refere a problemas terminológicos concretos na própria língua, pelo que muitas vezes nos assinala a existência de vazios terminológicos (que um especialista menos qualificado tenderia a preencher sem grande reflexão, por medo de ser considerado pouco competente), e aceita de boa vontade estudar soluções propostas pelo terminólogo. Como nem para o espanhol nem para o português existem organismos intervencionistas em questões de terminologia ou neologia (pelo menos não ao mesmo nível que em França), o tandem terminólogo/especialista será tanto mais eficaz quanto mais prematura for a intervenção face a um vazio terminológico.

Podemos citar como bom exemplo de colaboração entre terminólogo e especialistas a relação estabelecida com o Departamento de Edifícios do LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), Lisboa, no âmbito da tradução de uma série de decisões da Comissão em aplicação do disposto na Directiva Produtos de Construção.

Neste caso concreto foi possível localizar os especialistas portugueses presentes nas reuniões preparatórias destes documentos, em língua inglesa, no seio da EOTA (European Organization for Technical Approval) e que exercem a sua actividade científica nestes domínios. Além de conhecerem perfeitamente os conceitos envolvidos, estes técnicos são igualmente confrontados no seu dia-a-dia com questões de terminologia, pois produzem frequentemente documentos técnicos tanto em português como em inglês.

Para além da resolução directa de problemas de terminologia relativos a produtos/sistemas existentes no mercado português (a), resolveram-se também problemas de produtos inexistentes ou pouco frequentes em Portugal (b) e de neologismos resultantes do trabalho da EOTA de classificação de produtos de construção e para os quais, geralmente, não existem ainda termos portugueses (c). O diálogo com especialistas com sensibilidade terminológica permitiu afinar/corrigir as nossas propostas.

Exemplos:

Original A nossa proposta A solução LNEC
a) ventilating pipework tubos de ventilação colunas de ventilação
a) plastic anchor chumbador plástico cavilha plástica
b) veture painel "vêture" painel de revestimento "vêture"
c) wood based panel painel derivado de madeira placa de derivados de madeira

 

b) Graus vários de sensibilidade terminológica/conhecimentos linguísticos

b.1) O "prático" no domínio

Habitualmente, não costumam dominar (conhecer) a língua do original, pelo que em muitos casos não adianta referir o termo na língua do original. Na fase de preparação este aspecto tem de ser tido em conta, procurando-se obter previamente uma descrição completa dos conceitos. Não são muito sensíveis aos problemas de tradução/terminologia.

Às vezes é conveniente cotejar a informação obtida com a procedente de outras empresas para evitar a utilização de uma marca no lugar do termo genérico, a menos que o que se peça seja, precisamente, o nome do produto concreto e não o do genérico, algo possível no nosso serviço de tradução quando se trata de documentos sobre concentrações de empresas concretas.

Exemplos:

A categoria brown spirits (en) não existe como tal em espanhol. Em inglês utiliza-se para as bebidas alcoólicas envelhecidas, em geral de cor acastanhada. Contactado um especialista da Federación Española de Fabricantes de Bebidas Espirituosas, este sugeriu-nos "bebidas espirituosas morenas" (es), mas o tradutor acabou por preferir "bebidas espirituosas de color tostado".

Para obter a tradução do termo rendering (en), actividade agro-industrial que tem por objectivo aproveitar tudo os subprodutos de animais abatidos num matadouro, foi contactada uma empresa do ramo, no Montijo (Portugal). A solução proposta foi "transformação de subprodutos cárneos" (pt), tal como consta na classificação de actividades do Instituto Nacional de Estatística.

No entanto, em reflexão posterior verificou-se que, em certos contextos, a solução que mais nos convinha era "transformação de subprodutos de origem animal" (pt) pois englobaria com mais facilidade a utilização de ossos, para além dos tecidos adiposos.

b.2) O quadro administrativo de um departamento técnico (administração pública ou empresas)

Muitas vezes com um conhecimento superficial da terminologia, limitado ao uso administrativo, e sem sensibilidade para os problemas de tradução ou terminologia. Não é habitualmente de grande ajuda para termos técnicos ou científicos, mas pode, mesmo assim, dar algumas pistas para a resolução da questão ou encaminhar-nos para um especialista realmente qualificado.

No contexto da concentração de empresas, o termo filing fee (en) refere-se à taxa que as empresas têm de pagar às autoridades económicas no momento de notificar a concentração. A tradução "oficial" deste termo em espanhol seria "tasa por análisis y estudio de las operaciones de concentración", de acordo com o artigo 57º da recente lei de defesa da concorrência (Ley 52/99). O tradutor pode obviamente neste caso, em função da importância do texto e da frequência do termo no mesmo, "modular" esta tradução recorrendo a uma solução mais breve: "tasa de tramitación", por exemplo, ou utilizando a expressão completa a primeira vez e abreviando-a nas vezes seguintes.

Procurava-se a tradução de personal gifts (en) e de gifts (en) num contexto de direitos aduaneiros (documento da TAXUD - Direcção-Geral da Fiscalidade e da União Aduaneira). Contactada, em Portugal, a Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo foi-nos sugerida a solução "remessas enviadas de particular a particular sem valor comercial" (pt), o que estaria desajustado para o texto a traduzir.

b. 3) O falso especialista

Sem sensibilidade para os problemas de tradução ou terminologia. Deficiente conhecimento de línguas. Às vezes ocupa um posto com alguma responsabilidade administrativa ou política, mas não tem um conhecimento profundo da terminologia da área em que trabalha.

Nestes casos pode ser perigoso pedir a validação de uma solução porque pode ter tendência para sugerir traduções rápidas e aproximativas. Sente-se na obrigação de ter sempre uma resposta rápida para todas as questões que lhe são colocadas, face à pressão de "estarem a perguntar de Bruxelas". Cabe ao terminólogo averiguar, de forma muito diplomática, a verdadeira competência do interlocutor. É frequente a consulta ao falso especialista servir como simples etapa na busca do especialista qualificado. Esta situação pode ocorrer em qualquer contexto: empresas, ministérios ou organismos públicos.

Um responsável de área do ministério da agricultura espanhol insistiu, mesmo reconhecendo ser advogado e não ter formação técnica na matéria, que e o conceito "leche termizada" (es) [lait thermisé (fr)] era um termo no qual se incluía todo o leite submetido a tratamento térmico. Bastou verificar na legislação espanhola que "leche termizada" não é o termo genérico, mas sim, segundo o Real Decreto 402/1996, mais um tipo de leite tratado termicamente, junto com o leite pasteurizado e o leite UHT. Em casos como estes não devemos reger-nos exclusivamente pelo princípio da autoridade, mas pela certeza da qualificación do nosso interlocutor.

Em qualquer um destes casos a preparação prévia da questão por parte do terminólogo é fundamental. Só assim é possível retirar o máximo partido dos conhecimentos dos especialistas ou detectar o falso especialista.

Convém referir que, globalmente, a nossa experiência de contacto com peritos em Espanha e Portugal é extremamente positiva e enriquecedora. A atitude dos nossos interlocutores (com alguns dos quais se estabelecem mesmo contactos regulares e bidireccionais) é quase sempre positiva e de grande cooperação. Para isso contará em boa medida, estamos certos, o facto de pertencermos a uma instituição bem conhecida como a Comissão Europeia, que além disso tem um poder não desprezável para difundir ou mesmo impor terminologia, através dos seus actos legislativos da sua responsabilidade ou por ela iniciados [6]. Argumento este que podemos, se necessário, invocar diplomaticamente para fazer ver ao especialista o alcance que a sua colaboração pode ter em matérias do seu próprio interesse.

Um exemplo, pela negativa, do poder de fixação de terminologia nas mãos das instituições comunitárias é o termo "clorofluorocarbonos" (CFC), decalcado desnecessariamente do inglês chlorofluorocarbons, constante em muita legislação em língua portuguesa. "Clorofluorcarbonetos" seria o termo correcto, visto tratar-se de derivados de hidrocarbonetos (hydrocarbons) em que átomos de hidrogénio são substituídos por átomos de cloro (chlorine) e/ou flúor (fluorine).

O contacto com os peritos pode evitar o perigo da implantação de variantes "comunitárias" desnecessárias e, muitas vezes erradas, de termos já perfeitamente consagrados nas línguas nacionais.

Uma das mais frutuosas e interessantes actividades do terminólogo do sector Apoio Linguístico é, assim, o estabelecimento de redes formais ou informais, permanentemente actualizadas, de fontes, especialistas e divulgadores para troca de informação terminológica. É uma actividade que põe constantemente à prova a capacidade de iniciativa do terminólogo. Estas redes permitem uma certa antecipação terminológica [veille terminologique (fr)], que pode ser pontual (incidindo sobre determinados neologismos já surgidos noutras línguas e ainda não "traduzidos", [v.g.: biopiracy (en) > biopiratería (es), biopirataria (pt)] ou temática (quando se aborda em bloco o estudo prospectivo dos problemas que podem surgir em tecnologias ou ciências recentes (Internet, comunicações digitais, nanotecnologias, etc.). O terminólogo pode, neste contexto, ter um papel pró-activo.


Figura 2: Esquema de um caso típico de consulta aos especialistas - Diálogo

 

3. Tratamento dos dados recolhidos junto do especialista

Esclarecidas as dúvidas, o terminólogo transmite os resultados ao tradutor e organiza os dados recolhidos numa ficha normalizada.

Ao criar uma nova ficha, o terminólogo tem de ter em mente que o seu trabalho deve trazer sempre valor acrescentado relativamente à consulta do termo numa base documental multilingue. Definições, simples comentários em nota, quer na língua do original quer na língua de chegada, ou mesmo as referências (no caso de entidades com crédito reconhecido) acrescentam informação que pode futuramente ajudar o tradutor nas suas decisões, nomeadamente na resolução de termos polissémicos, e que a simples pesquisa no contexto em bases documentais ou memórias de tradução não pode fornecer. Não devemos esquecer que a decisão sobre a utilização ou não de um termo cabe em última análise ao tradutor.

Há que ter em conta que as fichas geradas nesta actividade de pesquisa pontual devem ser encaradas como fichas de trabalho, dado todos os condicionalismos que rodearam a pesquisa, nomeadamente a premência dos prazos (que impede a consulta de uma, muitas vezes, mítica entidade normalizadora capaz de encontrar a resposta definitiva e autorizada para qualquer questão).

A informação gerada por esta actividade é organizada numa base Multiterm [7], a que todos os tradutores do SdT têm acesso, e é completada pelos terminólogos do sector no maior número possível (fichas multilingues). O conteúdo da base é transferido regularmente, após revisão, para a base EURODICAUTOM, a qual é consultável igualmente a partir do exterior.

Em casos em que já existe uma ficha bem elaborada no EURODICAUTOM à qual falta apenas a língua de trabalho do terminólogo (é o caso, muitas vezes, para línguas menos representadas, como o português), é mais produtivo, lógico e rápido recorrer à função Feedback da base (função hoje ao alcance de qualquer utilizador desta base terminológica). Os dados fornecidos desta forma têm tratamento prioritário por parte da equipa de gestão EURODICAUTOM.

Este fluxo de dados entre o sector de apoio linguístico e o sector EURODICAUTOM garante a integração da terminologia pontual na base, acrescentando-lhe, assim um enorme valor do ponto vista do tradutor, já que normalmente as fichas de terminologia pontual decorrem de problemas concretos de tradução.

Convém recordar que em certas situações (particularmente nos casos que vimos de terminologia administrativa e jurídica), face aos condicionalismos em termos de informação disponível (ou falta de clareza ou precisão do original), não é possível encontrar equivalentes terminológicos perfeitos na língua de chegada. Os problemas têm de ser resolvidos de forma ad hoc com base na informação conceptual disponível, dando origem a soluções correctas apenas naquele contexto exacto. Há que ponderar nestes casos se será útil criar fichas Multiterm meramente informativas, com abundante informação pragmática.


Figura 3: Esquema de um caso típico de consulta aos especialistas - Dados

 

Conclusões

O nosso trabalho prático de todos os dias leva-nos a contactar regularmente com especialistas das mais variadas área da actividade humana para resolução dos problemas de terminologia que se colocam aos tradutores.

A Internet adquiriu nos últimos anos um lugar cada vez mais importante e central na etapa fundamental do nosso trabalho que é a preparação prévia da questão, possibilitando a rápida recuperação e processamento de grande volumes de informação terminológica e contextual.

Os conhecimentos adquiridos nesta fase contribuem decisivamente para que o terminólogo, no seu papel de mediador entre tradutores e especialistas, possa adaptar a sua estratégia em função não só do tipo de questão colocada como também da atitude dos especialistas consultados, retirando o máximo partido dos conhecimentos dos especialistas ou detectando o falso especialista.

A adopção de uma posição flexível por parte do terminólogo é fundamental para se conseguir, mais do que a simples resolução de problemas de tradução, tratar terminologicamente os dados recolhidos junto dos especialistas com o objectivo de facilitar uma utilização coerente pelos tradutores, condição sine qua non para a futura implantação da terminologia. O trabalho terminológico acrescenta, assim, valor à informação inicial, com benefício também para os especialistas.

A capacidade de consulta e o estabelecimento de redes formais ou informais de fontes e especialistas, permanentemente actualizadas, para troca de informação terminológica é uma actividade que põe constantemente à prova a capacidade de iniciativa do terminólogo e que constitui uma exigência para que possamos fornecer ao tradutor um trabalho de qualidade.

 

[1] Em rigor, existem dois sectores de apoio linguístico, um em Bruxelas e outro no Luxemburgo. No Luxemburgo, o sector chama também a si o apoio aos utilizadores das ferramentas de tradução assistida por computador. Em Bruxelas, essa tarefa é assumida por uma pequena célula autónoma.

[2] http://europa.eu.int/comm/translation/currencies/estable1.htm
http://europa.eu.int/comm/translation/currencies/pttable1.htm

[3] A consulta dos sítios Internet das empresas em questão é, aqui, muitas vezes preciosa para a obtenção de informação complementar.

[4] Roman Jakobson. «On linguistic Aspects of Translation». In: (1992) Theories of Tranlation. R. Schulte & John Biguenet (ed.). Chicago: The University of Chicago Press, p. 147.

[5] Podemos comprovar, por exemplo, que "membresía" é uma tradução usual de membership (en) em espanhol da América, mas não em espanhol de Espanha.

[6] O facto de a maior parte dos actos legislativos comunitários envolverem o Parlamento Europeu, o Conselho da União Europeia e a Comissão Europeia põe em evidência o interesse da vertente de colaboração interinstitucional na nossa actividade terminológica.

[7] Multiterm é um software de gestão e consulta local de terminologia multilingue

 

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