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Índice por autores

 

 

Qualificação da pesquisa terminológica:
cooperação para a identificação de terminologias químicas

Maria José Bocorny Finatto
Susana Kerschner
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto de Letras
Projeto TERMISUL
Brasil

 

1. Introdução

O reconhecimento mais abrangente dos perfis e condições de uma linguagem especializada é fundamental para a identificação de suas terminologias, que, de modo ideal, não devem ser tomadas em separado de um ambiente de significação que as circunda e perpassa. Esse pressuposto tem marcado nossos trabalhos em diferentes oportunidades e, de modo particular, integra um estudo sobre as terminologias de Química [1]. Tal estudo é estabelecido, em alguns de seus segmentos, em regime de cooperação entre pesquisadores vinculados à Área de Educação Química de nossa Universidade (AEQ/UFRGS) e membros da equipe do Projeto TERMISUL.

A tomada de consciência sobre as características da linguagem que utiliza e sobre o papel das terminologias, por parte do especialista, ressaltamos, é peça fundamental nessa cooperação. Nesse sentido, as particularidades da linguagem química, analisadas no plano mais amplo da área de conhecimento e sua expressão, são, em boa proporção, reconhecidas pelos próprios químicos. Esses, na medida em que se dedicam aos problemas da construção e veiculação do seu conhecimento, reconhecem a própria conformação da linguagem como uma das causas de dificuldades ao seu acesso por parte de diferentes aprendizes.

De outro lado, como é sabido, adquirir razoável mobilidade no interior da linguagem química é uma possibilidade de qualificação para o trabalho do pesquisador em Terminologia, sobretudo quando é posta em relevância a interface Terminologia/Tradução. Nesta interface, o reconhecimento da variação lingüística, intralíngua e interlínguas, é uma conseqüência natural do fazer tradutório associado à identificação de terminologias químicas, o que, por sua vez, implica a necessidade de alguma familiarização com a estruturação de conhecimentos da área e a busca de colaboração de especialistas.

Numa outra via, a compreensão das peculiaridades terminológicas, vistas de uma perspectiva lingüística, pode beneficiar também a pesquisa desenvolvida pelos próprios especialistas especialmente quando, como no nosso caso, tratem dos processos e problemas de aquisição de seu conhecimento.

Buscando um reconhecimento da linguagem Química, já observamos uma variada gama de fenômenos atinentes à comunicação profissional, em diferentes modalidades e circunstâncias (vide FINATTO 1996, 1999 e 2000). Dessas experiências, destacamos aqui alguns aspectos da percepção crítica dos colegas químicos sobre a feição de alguns dicionários monolíngües de sua especialidade. E, nesse recorte, ainda mais especificamente, enfocamos aqui apenas as especificidades percebidas a partir da tradução parcial, por nós efetuada, daqueles dicionários publicados em espanhol disponíveis na biblioteca do Curso de Química de nossa Universidade, utilizados por alunos e professores.

Essas traduções, no escopo da cooperação citada, foram objeto de revisão crítica por parte dos professores da AEQ/UFRGS, uma vez que o texto dicionarístico é um dos tipos textuais que integram nossas pesquisas sobre a linguagem e terminologias químicas.

Ao enfocar uma amostra das particularidades envolvidas nessa tradução, discordamos de Vega quando diz que “El rendimiento profissional, es decir, económico, que un traductor pueda sacar de la teoría, de la descripción terminológica, es escaso” (VEGA, 1996, p.66). Somos contrários a tal posição porque, embora a afirmação do autor envolva uma questão epistemológica de fundo vinculada à relação entre Tradução/Terminologia na interface da descrição terminológica, que não discutiremos aqui, vemos que é necessário refletir sobre esse rendimento num sentido mais amplo do que aquele que envolveria uma relação apenas unilateral.

Ademais, achamos válido também pensar sobre como o tradutor e a tradução poderiam ser beneficiados frente aos elementos apontados pelos especialistas e ordenados pelo terminólogo. Por terminólogo denominamos aqui o lingüista que se dedica à pesquisa de fenômenos da comunicação entre profissionais especializados, sendo que os fenômenos por ele percebidos não são tomados como conformadores de línguas ou linguagens à parte daquela tida como comum ou geral.

Neste particular, vemos a necessidade de agilização do trabalho tradutório e a obtenção de um texto o mais fiel possível ao domínio e à linguagem de especialidade envolvidos como rendimentos mais imediatos da cooperação do tradutor com especialistas e terminológos. Isso, em um mercado tão concorrido e imediatista como é o da tradução especializada no Brasil, naturalmente qualifica o trabalho, além de lhe agregar valor econômico.

Assim, de um outro modo, acreditamos na contribuição positiva das teorias de Terminologia e da descrição terminológica, o que ultrapassa a simples utilização, pelo tradutor, dos instrumentos terminográficos convencionais como glossários e dicionários, na medida em que se configura uma relação de benefício mútuo entre o tradutor, o terminólogo e o especialista.

 

2. Dicionários, verbetes e apreciação da tradução

Em um conjunto referencial de quatro dicionários monolíngües, sendo dois em português e dois em espanhol, analisamos um significativo número de verbetes segundo as condições de delimitação e coleta do corpus de textos da pesquisa mais ampla. Os dicionários selecionados estão a seguir indicados no quadro 1:

Quadro 1- Dicionários monolíngües de Química utilizados

Desses dicionários, aqueles em espanhol (identificados como DIC3 e DIC4 respectivamente), tiveram os verbetes traduzidos para o português. Devidamente identificados, foram encaminhados para apreciação dos especialistas, que procediam a uma revisão conceitual e avaliavam os diferentes graus e níveis de adequação dos textos.

Sua atuação, entretanto, não se limitava apenas a uma revisão de tradução, visto que os verbetes traduzidos eram acompanhados dos correspondentes coletados em dicionários publicados em português (identificados como DIC1 e DIC2), o que permitia, pela amostra, uma visão da situação textual dicionarística disponível para comunidade de docentes e estudantes.

Além disso, como se pode ver nas referências do Quadro 1, DIC1 é o único genuinamente publicado em português brasileiro, enquanto que DIC2, publicado em Portugal, é uma tradução a partir do inglês. DIC3, por sua vez, foi traduzido para o espanhol a partir do original em inglês, enquanto DIC 4 foi originalmente escrito em espanhol. Essas condições, naturalmente envolvem a situação de “traduzir de tradução”, procedimento pouco recomendado em função do distanciamento do texto original e a sucessão de alterações em sobreposição de língua para língua.

Entretanto, como apenas esses quatro dicionários monolíngües de Química estão disponíveis nas biblioteca dos cursos de Química de nossa Universidade, conformam a única opção para o consulente não familiarizado com a língua inglesa e que procure um dicionário especializado monolíngüe, de modo que, também em função de outros critérios, integram nosso corpus de coleta e observação.

Como ilustração, indicamos a seguir a apresentação de uma amostra de revisão, tal como encaminhada ao especialista. Os segmentos sublinhados e em negrito foram, no retorno do material para o tradutor e para o terminólogo, apontados como impróprios, salientando-se que o avaliador, além dessa identificação, fazia ponderações sobre os motivos da inadequação, assim como também sugeria alterações. Destacamos que o especialista não teve acesso ao texto original em espanhol, reproduzido mais adiante:

DIC1
actínio.
(Ac)
-- Elemento radioativo. Peso atômico 222. Número atômico 89. Descoberto por Debierne em 1899. Forma-se pela desintegração do proactínio.

DIC2
Actínio

Símbolo Ac. Um elemento prateado, metálico e radioativo que pertence ao grupo IIIB da tabela periódica; z=89;número de massa do isótopo mais estável 227 (meia-vida 21,7 anos); p.f.1050 ± 50º C; p.eb.3300ºC (estimativa). O actínio-227 ocorre no urânio natural até à volta de 0.715%. O actínio-228 (meia-vida 6.13 horas) também ocorre na natureza. Há mais 22 isótopos artificiais, todos reativos e com meias-vidas muito curtas. O seu comportamento químico é idêntico ao do lantânio. É usado principalmente como fonte de partículas alfa. O elemento foi descoberto por A. Debierne em 1899.

DIC3. Tradução do espanhol
ACTÍNIO
. Ac. Número atômico 89; peso atômico 227. É um membro da série radioativa desintegrante do actínio. É formado de proto-actínio por perda de uma partícula alfa, o mesmo decompõe-se por emissão de raios beta e gama para formar radio-actínio. Este elemento tem um período médio de vida de 28,8 anos. São também membros da série do actínio: o actínio A, o B, o C, o C’, etc. O actínio pode ser concentrado pelos meios químicos de separação usuais e se comporta como um elemento trivalente do grupo III da tabela periódica.

DIC4. Tradução do espanhol
actinio
. a., Actinium; in., actinium. Símbolo, Ac; p. a., 227,04; n. a., 89. Elemento radioativo com um período de semidesintegração de vinte anos, descoberto por Debierne em 1889; apresenta valência III e encabeça o grupo dos actínidos. // - chumbo- Actínio D, o último elemento da série radiativa do actínio, (...)

Textos originais em espanhol – não acompanharam a amostra ACTINIO. Ac. Número atómico 89; peso atómico 227. Es un miembro de la serie radioactiva desintegrante del actinio. Está formado de proto-actinio por pérdida de una partícula alfa y él mismo se descompone por emisión de rayos beta y gama para formar radio-actinio. Este elemento tiene en sí um período medio de vida de 28,8 años. Son también miembros de la serie del actinio: el actinio A, el B, el C, el C’, etc. El actinio puede ser concentrado por los medios químicos de separación usuales y se comporta como un elemento trivalente del grupo III de la tabla periódica. Fonte: DIC3:19

actinio. a., Actinium; in., actinium. Símbolo, Ac; p. a., 227,04; n. a., 89. Elemento radiactivo com un periodo de semidesintegración de veinte años, descubierto por Debierne en 1889; presenta una valencia III y forma la cabeza del grupo de los actínidos. || - plomo. Actinio D, el último elemento de la serie radiactiva del actinio, elemento estable isótopo del plomo. Fonte: DIC4:60

Conforme percebemos nesse exemplo e na amplitude das amostras, as observações dos revisores especialistas tendem a ultrapassar a dimensão e particularidades da tradução dos verbetes dos dicionários em espanhol. Ainda que imaginássemos um contraponto e orientação “seguras” pela comparação e até balizamento com a formulação textual do mesmo verbete em dicionários similares em português, fomos levados a uma reflexão sobre nossas condições de percepção da conformação da linguagem em foco.

Afinal, os especialistas indicaram impropriedades conceituais e denominativas na grande maioria dos conjuntos de verbetes a eles submetidos, independentemente de serem uma tradução do espanhol para o português. Naturalmente, esperávamos que sua crítica incidisse mais concentradamente sobre o objeto de tradução específico.

 

3. Apreciação dos especialistas

No que se refere ao conjunto total de nossas traduções dos verbetes de DIC3 e DIC4, os revisores apontaram como principal fator interveniente para as inadequações detectadas a antigüidade dos dicionários, publicados originalmente antes de algumas regulamentações das associações internacionais de normatização de nomenclaturas químicas. Neste particular, destacamos, entre outros, alguns dos seus comentários:

a) a época de edição de DIC4 faz muito provavelmente com que a notação da fórmulas químicas dos compostos orgânicos seja recorrentemente invertida na indicação cátions e ânions como bem ilustra o caso de SO4H2 por H2SO4 (ácido sulfúrico);

b) DIC3, publicado originalmente em torno de 1935, também apresenta muitas denominações consideradas em desuso, tais como tensão superficial, substituída por tensão de superfície e sílica gel, atualmente denominada sílica gelatinosa;

c) o nome proactínio, citado no exemplo da amostra, foi substituído por protactínio;

d) o nome oxônio foi substituído por hidrônio;

e) a nomenclatura química em português europeu é bastante distinta da utilizada no Brasil.

De outro lado, a partir dos indicativos dos especialistas, foram verificadas diferentes ordens de inadequação terminológica, as quais categorizamos preliminarmente, de modo amplo, como:

Variação de não aceitação de terminologia normatizada – o termo proactínio, por exemplo, a despeito do que apontou o especialista, permanece registrado nos livros didáticos mais recentes.

Variação de diferença de orientação entre escolas de nomenclatura - a transposição da terminação –uro do espanhol para o português evidencia esse fenômeno. A alternância de denominação entre azoto (no espanhol) por nitrogênio (em português do Brasil) exemplifica o mesmo caso.

Alternância livre/permitida: íon hidrogênio versus íon de hidrogênio.

Variação de estilo condicionada por escolas de pensamento: o uso/não uso da partícula apassivadora SE é identificado pelo especialista como sintoma de uma perspectiva mais ou menos anímica dos fenômenos químicos.

 

4. Alguns pontos de crítica

Todos os dicionários da amostra, segundo os especialistas, apresentam deficiências quanto à terminologia, notação de fórmulas, construção de conceitos, etc. Nesse âmbito, o sistema lusitano de nomenclatura, além de apresentar particularidades ortográficas, tal como ião (Portugal) por íon (Brasil), adota uma “escola de nomenclatura” diferente da brasileira, tal como observamos na alternância entre sulfureto de hidrogênio (Portugal) e ácido sulfídrico (Brasil).

Tal situação, como indicou-nos o especialista, exigiria uma “adaptação” do português europeu para o português brasileiro. Além disso, cabe salientar que dicionário português já é uma tradução do inglês, o que nos dá uma reescritura em terceira escala.

Não obstante, correspondências problemáticas entre o espanhol e o português brasileiro, detectadas, por exemplo, na tradução do verbete magnésia, foram: cloruro sódico (espanhol)/cloreto de sódio (português, Brasil), óxido de magnésio(português, Brasil)/óxido magnésico (espanhol).

De um modo particular, vale explicitar a já citada problemática do valor do sufixo –uro na nomenclatura de compostos químicos em espanhol, visto que, por exemplo, ao nome cianuro potássico (espanhol) corresponderia a qualquer sal derivado de CN. De tal sorte, o tradutor invariavelmente teria dúvida se a melhor tradução seria cianato de potássio ou cianeto de potássio, visto que ambos são derivados de CN.

De outro lado, uma outra observação dos especialistas referente à inadequação, em verbetes traduzidos do espanhol, e que ocorre também nos não traduzidos, diz respeito ao uso do termo peso molecular enquanto o correto seria massa molecular. Esse tipo de indicação reforça a idéia de que nosso trabalho de tradução envolvia conhecimento lingüístico, factual e terminológico em sentido amplo.

Conforme observamos, os fenômenos de inadequação terminológica apontados pelos especialistas de Química estão basicamente relacionados a:

variação diacrônica da terminologia;

não aceitação da terminologia recomendada;

sistemas ou escolas de nomenclatura distintos;

variabilidades estilísticas ou livres;

impropriedades conceituais.

A partir disso, acreditamos que seria útil para o tradutor dispor de instrumentos terminográficos e de descrições terminológicas que dessem conta desses aspectos. No que se refere ao tópico “impropriedade conceitual”, como no caso da troca de peso por massa apontada pelo revisor, acreditamos que o tradutor não tenha condições de interferir significativamente na seleção lexical do texto original, embora pudesse assinalá-la para seu usuário-leitor sob a forma de uma nota, na qual indicaria que o sintagma peso molecular seria o termo mais recomendado.

 

5. Considerações finais

Como refere Estopà (1999), quanto mais experiência tenha um tradutor em um domínio determinado, menos volumoso será o trabalho de pesquisa de unidades de significação especializada que antecede cada nova tradução. Além disso, outros autores (CABRÉ et. al, 2000) referem que o tradutor, considerando o exercício autônomo de seu trabalho, necessitaria alcançar uma competência paralela a do especialista, no que os conhecimentos de Terminologia lhe seriam muito úteis.

No nosso caso, em que enfocamos a cooperação como algo que embasa e cria condições para um reconhecimento de perfis da terminologia envolvida, o tradutor não precisaria necessariamente atingir tal competência paralela ou elaborar esquemas de conhecimento a partir dos textos que tivesse diante de si, isso porque já teria tido um contato, ainda que não em profundidade, com a feição mais geral do universo lingüístico e conceitual da especialidade com que se depara.

Colaborando com o tradutor de textos de Química e, por conseqüência, qualificando sua atuação, é preciso que seja considerado, em linhas gerais, o seguinte:

a) é necessário relativizar a idéia a priori de exatidão na linguagem Química oriunda da perspectiva de uma nomenclatura completamente padronizada. Exemplo: mesmo fórmulas químicas, usualmente tidas como elementos invariantes que não interessam ao tradutor podem apresentar divergências da língua fonte para a língua alvo;

b) a Química tem sistemas de nomenclatura e terminologias historicamente problemáticos. Exemplo: já no Tratado de Química de Lavosier há uma discussão sobre a alternância (no francês) entre os termos azoto e nitrogênio. Atualmente, no Brasil é utilizado o termo nitrogênio, sendo azoto qualificado como “em desuso”, entretanto, nos países hispânicos, permanece azoto.

Nesse âmbito, é necessário que o tradutor tenha algum conhecimento sobre a existência e mutabilidade dos diferentes sistemas e fases da nomenclatura, tendo em conta que há uma flutuação necessária e inerente nas terminologias químicas. Nessa medida, respeitar a adequação temporal e epistemológica do texto traduzido também contribui para a fidelidade do produto que oferece.

Nessas condições, traduzir não é e nem precisa ser uma interferência conceitual direta sobre um original. Interferência dessa ordem caberia ao especialista que criticasse determinado texto, que perceba, por exemplo, que determinados dicionários especializados consultados por seus alunos usem uma linguagem defasada, não acolham as normatizações de nomenclatura nacional ou internacional ou que reflitam apenas uma escola de pensamento da especialidade.

O trabalho e a parceira entre o tradutor, o especialista e o terminológo torna-se mutuamente proveitoso quando todos começam a se questionar sobre as condições históricas e sociais da linguagem envolvida, entendendo tal linguagem em seu sentido mais amplo. À proporção em que nos perguntamos, num trabalho cooperativo, pelos motivos de determinadas escolhas feitas pelos sujeitos da linguagem em foco, fica em relevo uma dimensão cultural da terminologia, que interessa aos três.

Entretanto, poderíamos perguntar: estar familiarizado com essas circunstâncias dos textos especializados não seria exigir demais do tradutor? Talvez seja a exigência demasiada, mas se a Terminologia se ocupa disso, na teorização e na descrição dos léxicos técnicos e científicos, torna-se possível ou menos penoso o acesso dessas informações pelo tradutor, que com isso agrega qualidade ao seu trabalho.

Finalmente, do ponto de vista da tradução, não basta ao tradutor especializado encontrar as unidades de equivalência mais adequadas; pois é necessário efetuar uma verdadeira “transculturação” conceitual e lingüística, respeitando matizes e particularidades de um conhecimento dinâmico que se expressa de modo diferente da língua de partida para a de chegada.

No contexto deste trabalho, foi nosso objetivo mostrar que a cooperação entre os três parceiros atinge importância ímpar, sendo útil, de diferentes modos, para todos. O especialista, na situação que experienciamos, contribui com a revisão terminológica do texto de chegada e, também, com a adequação do registro desse conhecimento, apontando a necessidade de atualização de termos em desuso. E, no caso da terminologia Química, o especialista, além de resgatar a adequação frente às determinações das entidades de padronização nacionais e internacionais, pode refletir sobre as condições dos textos que produz e utiliza. O terminólogo, por sua vez, exercendo o papel de dinamizador da descrição da terminologia envolvida, identifica pontos de reflexão teórico-metodológica necessários à prática tradutória e ao aprimoramento da sua própria pesquisa terminológica. Enquanto isso, o tradutor, na cooperação com os dois primeiros, tem acesso a um conhecimento que amplia suas condições de reconhecer a terminologia mais adequada para que o texto traduzido esteja em harmonia com padrões de linguagem e de conhecimento dos especialistas falantes da língua de chegada.

 

6. Bibliografia

CABRÉ, M. T.; R. ESTOPÀ, J. FREIXA, M. LORENTE & C. TEBÉ (no prelo). «És la terminologia un simple instrument d’ajuda a la traducció?» In: Actas do I Congresso de Traducción Especializada. Barcelona: UPF, 10 p.

ESTOPÁ, Rosa (1999). «Eficiencia en la extracción automática de terminologia». In: Perspectives: Studies in Translatology. vol. 7-2, , pp.277-286.

FINATTO, Maria José Bocorny. (1996). «Unidade e variação na língua portuguesa: a variação em terminologia». In: Revista Internacional de Língua Portuguesa. n.º 15, jul. 1996, Lisboa: Associação das Universidades de Língua Portuguesa. pp. 64-68.

______, (1999). «Investigação interdisciplinar: enfoque lingüístico da terminologia da Química - artigos de elevada especialização». Círculo de Estudos Lingüísticos do Sul, Celsul, IV Seminário Internacional de Lingüística e X Encontro Regional do Projeto Varsul, PUCRS, PROEX, de 18 a 21 de agosto de 1999. In: Atas do... Porto Alegre: PUCRS, 13p. [no prelo]

_______, (2000). Para descrição do texto especializado de Química: questões de partida. Porto Alegre: UFRGS.[inédito]. (25 p.)

VEGA, Miguel Angel (1996). «Terminología y traducción». In: Jornada Panllatina de Terminologia. Barcelona: Institut Universitari de Lingüística Aplicada. pp. 65-71

 

[1] Essa temática integra uma pesquisa de doutoramento mais abrangente, orientada pela Profa. Dra. Maria da Graça Krieger, coordenadora do Projeto TERMISUL, na qual são investigadas as condições da definição terminológica de Química.

 

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