Actas / Atas
1988-2002
Presentación / Apresentação
I Simposio (1988)
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VIII Simpósio (2002)
Índice por autores

 

 

Palavras de abertura

Maria Helena Mira MATEUS
Instituto de Linguística Teórica e Computacional
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Portugal

 

Ao estabelecer uma relação entre Terminologia e Indústrias da Língua, no tema deste VII Simpósio da RITerm, Portugal pretendeu dar um relevo especial à criação e utilização de terminologias no âmbito das tecnologias da informação. Todos sabemos que, se as preocupações terminológicas datam de séculos, as indústrias da línguas são uma das mais importantes áreas de investigação aplicada nos dias de hoje.

Não é obviamente necessário enfatizar a importância da criação de terminologias junto dos participantes deste Simpósio. Julgo, no entanto, compreensível tentação à qual não consigo fugir, o lembrar o lugar que ocupam as terminologias científicas e técnicas no enriquecimento, difusão e consistência de uma língua. E para tanto tomarei o exemplo do português.

Falada por cerca de duzentos milhões de pessoas, a língua portuguesa estende-se pelos cinco continentes. É língua nacional em Portugal e no Brasil, língua de escolarização em cinco países africanos e em Timor Lorosae e factor de identificação de alguns milhões de emigrantes espalhados pelo mundo. Todavia, a intercompreensão dos falantes torna-se por vezes difícil visto que, na utilização pelas diferentes comunidades nacinais (e não raro, no uso individual) se concretiza uma das maiores riquezas de qulquer língua: a sua variação.

Assim, torna-se urgente criar, por cooperação entre os países luso falantes, terminologias que integrem a variação normativa e de uso ligada a campos de acção mais ou menos especializados, o que facilitará a circulação de profissionais em todos os países que falam português, reforçará as condições para uma maior aproximação entre eles e aprofundará o mútuo conhecimento. A constituição de uma Rede Lusófona de Terminologia será um cenário apropriado para o desenvolvimento de terminologias nos países africanos de expressão portuguesa e estimulará um contacto mais estreito entre as instituições que, em Portugal e no Brasil, se consagram à produção neste domínio.

O problema, porém, não se limita aos países da lusofonia. A difusão de uma língua em ambientes linguísticos em que é mal conhecida, ou inteiramente desconhecida, implica uma bem concebida política de língua que integra, obrigatoriamente, a criação de instrumentos de apoio no domínio do léxico. Entre eles, têm as terminologias lugar de relevo. Se pretendemos que uma língua como o português seja entendida como língua de trabalho em instituições internacionais, ou se queremos que a sua aprendizagem se apresente a falantes de outras línguas como sugestiva e gratificante necessitamos de multiplicar os instrumentos adequados para conhecimento do léxico. Neste contexto deve enfatizar-se a vantagem da criação de terminologias bilingues e multilingues.

Pelas duas ordens de razões, acima brevemente enunciadas, pode constatar-se a importância que assumem os trabalhos lexicográficos de um ponto de vista político, cultural e simplesmente pragmático.

Mas o tema deste Simpósio relaciona a Terminologia com as Indústrias da Língua, indispensável conexão a estabelecer na actual Sociedade de Informação. É indubitável que a utilização dos meios tecnológicos não é hoje exclusiva de países desenvolvidos e é factor de comunicação a nível mundial. Assim, a informatização das terminologias – e, de um modo geral, todas as aplicações da investigação em Processamento da Língua Natural – aproximam os utilizadores, facilitam e multiplicam o acesso à informação e permitem a acumulação e disponibilização dos dados linguísticos. Acrescente-se que tal informatização pode constituir-se como motor da criação de instrumentos que relacionem as diferentes vertentes lexicológicas da língua.

A preparação deste Simpósio teve a colaboração de várias entidades a quem pretendo exprimir, em nome da Comissão Organizadora, um vivo agradecimento. Refiro-me à participaçã empenhada e competente dos elementos da Termip e do ISEC que nos acompanharam durante largos meses, bem como ao apoio que sempre tivemos da União Latina através da sua sede em Paris e, em especial, do seu escritório em Lisboa. Não posso ainda deixar de mencionar o prazer que temos de ver finalmente constituída a Associação de Informação Terminológica que, como esperamos e desejamos, virá a ser um polo dinamizador do crescimento na área da terminologia do português e um eficaz meio de interacção com associações congéneres de outras línguas.

Quando em 1998 foram apresentadas por Portugal algumas razões para que se realizasse neste país o VII Simpósio Ibero-Americano de Terminologia, o momento que agora estamos a viver era apenas um longínquo desejo. Hoje podemos celebrar a sua concretização no meio de amigos que vieram de perto e de longe e que com tanta alegria recebemos. Da qualidade do trabalho que se desenvolverá durante o Simpósio pode julgar-se pelos textos insertos neste livro. Mas sabemos todos que as discussões a que a sua apresentação dará lugar constituirão uma agradável e valiosa recordação que transportaremos connosco quando nos separarmos.

 

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