|
O dicionário terminológico como simulacro
de universo de discurso
Cidmar Teodoro Pais
Universidade de São Paulo
Brasil
Résumé
Ce travail se propose de faire une étude des conditions d’élaboration des dictionnaires terminologiques. Il examine, à titre d’exemple, le Projet d’Élaboration d’un Dictionnaire Bilingue (Français-Português) des Termes Préferenciels de l’Écologie, en cours dans le cadre de la Convention Internationale de Coopération entre l’Université Lumiére Lyon 2 et l’Université de São Paulo. L’auteur présente les objetifs, les chercheurs membres des deux équipes, ainsi que certains aspects de la méthodologie et du développement de la recherche. D’autre part, ce travail se propose d’examiner, encore, les rapports qui s’établissent entre le dictionnaire technique et/ou scientifique, en tant que traitement des termes d’un langage de spécialité et le discours de ce dictionnaire, en tant que simulacre de l’Univers de Discours concerné.
Mots-clé: Dictionnaire, Lexicographie, Terminologie.
0. Introdução
Este trabalho propõe-se a estudar as condições de produção de dicionários terminológicos bilíngües e multilíngües. Examina, a título de ilustração, o caso do Projeto de Elaboração de um Dicionário Terminológico Bilíngüe (Francês-Português) dos Termos Preferenciais da Ecologia Fundamental, em andamento, como Projeto Comum de Pesquisa da Universidade de São Paulo e da Universidade Lumière Lyon 2, assim como certos aspectos da metodologia e do desenvolvimento da pesquisa. Por outro lado, propõe-se a examinar, ainda, relações que se estabelecem entre o dicionário técnico e/ou científico, enquanto compilação e tratamento dos termos de uma linguagem de especialidade e o discurso manifestado desse dicionário, como simulacro do Universo de Discurso da área/domínio envolvidos.
1. Estudo de um caso: o Dicionário Terminológico Bilíngüe (Francês-Português) dos Termos Preferenciais da Ecologia Fundamental
O Projeto UC-16/96 do Acordo USP/COFECUB vem sendo desenvolvido como Projeto Conjunto de Pesquisa, no âmbito do Convênio Internacional de Cooperação firmado e vigente entre a Universidade Lumière Lyon 2 e a Universidade de São Paulo. São seus coordenadores o Professor Emílio Milton Giusti, pela parte francesa, e a Professora Maria Aparecida Barbosa, pela parte brasileira.
São membros da equipe francesa os Professores Philippe Thoiron, terminólogo, Michel Dupupet, ecólogo, da Universidade de Lyon 1, e as Professoras Rosa Maria Queirós Fréjaville e Eliana Aparecida Barbosa, de Lyon 2. São membros da equipe brasileira os Professores Azis Ab’ Saber, geógrago e ecólogo, Cidmar Teodoro Pais, lingüista, João Teodoro D’Olim Marote, lingüista, e Nádia Dalla Déa, tradutora.
Numa primeira etapa, iniciada em 1986, no quadro do Convênio USP/Lyon 2, foram selecionadas 850 obras de bibliografia especializada de Ecologia, aí incluídos livros e revistas científicas, bem como documentos de instituições governamentais e não-governamentais. Esse conjunto de textos constituiu o corpus de base da pesquisa. Procedeu-se ao levantamento e à análise dos termos técnico-cientríficos da área. Desse primeiro trabalho resultou a formação e consolidação de um banco de dados, constituído por 30.000 termos de Ecologia, com a indicação dos subdomínios e das fontes, dentre outras informações.
As duas equipes, levando em conta as características inter e multidisciplinares da área e dos textos, deliberaram proceder a uma nova seleção, com base em critérios qualitativos - epistemológicos (quanto à especificidade e quanto às relações inter e multidisciplinares), léxico-semântico-conceptuais -, e quantitativos, de freqüência e distribuição regular. Dessa maneira, chegou-se a um subconjunto de 4.600 termos que podem ser considerados, em função dos critérios acima, termos preferenciais da Ecologia, suscetíveis de configurar uma metalinguagem técnico-científica e uma norma de universo de discurso. Constituirão esses termos o Dicionário Bilíngüe Francês-Português dos Termos Preferenciais da Ecologia, do Projeto UC-16/96 do Acordo USP/COFECUB.
Passou-se, então, ao tratamento lexicográfico-terminológico dos 4.600 termos, utilizando-se uma microestrutura completa dos verbetes correspondentes acordada entre as duas equipes.
Foi elaborado, também, o fluxograma conceitual de área, domínios e subdomínios.
Para os termos franceses, foram buscados os termos equivalentes mais adequados em português. Buscaram-se, também, os possíveis termos equivalentes franceses, para os termos relativos à ecologia brasileira.
As definições foram construídas com base na análise sêmica dos conceitos, ordenando-se os metatermos dos semas por ordem de abrangência e implicação não-recíproca, e confrontando-se os contextos extraídos das 850 obras constitutivas do corpus.
As notas foram elaboradas para fornecer informações adicionais, explicativas e/ou de caráter enciclopédico, que permitam ao usuário a compreensão do fenômeno em causa.
As remissivas finais enviam ao hiperônimo imediato, ou a co-hipônimos (Ver/Voir) ou, ainda, a ‘sinônimos complementares’ (V. também/ Voir aussi).
Ao final do verbete, dá-se a informação relativa à(s) área(s), domínio(s), subdomínio(s), área(s) de aplicação (Ecologia fundamental, aplicada, urbana, industrial, etc.).
A microestrutura dos verbetes do Dicionário está assim constituída:
1. N.º da Entrada. Termo em francês; Informações gramaticais, idioma e país. 2. Abreviatura. 3. Variante ortográfica. 4. Quase-sinônimo. 5. Termo equivalente em português, informações gramaticais, idioma e país. 6. Abreviatura. 7. Variante ortográfica. 8. Quase-sinônimo. 9. Definição. 10. Nota 1 (explicativa,). 11. Nota 2 (de caráter enciclopédico). 12. Nota 3 (eventualmente). 13. Remissivas. 14. Domínio, subdomínio, área de aplicação.
Para o tratamento lexicográfico-terminológico está sendo usado, desde o início, o Programa File Maker, para Macinstosh e para PC. Para o levantamento dos contextos, e tratamento do vocabulário, utilizam-se o programa Hyperbase, criado pelo Professor Carlos Maciel, da Universidade de Nice, e o Programa Stablex, criado pelo Professor André Camlong, da Universidade de Toulouse.
As equipes se têm defrontado com problemas complexos de tradução de muitos termos. Inserem-se aqui, como também quando da formulação das definições e das notas, questões conceptuais e léxico-semânticas decorrentes do confronto e da compatibilização entre as ‘visões de mundo’ e os sistemas de valores sustentados pelas duas línguas e culturas envolvidas. Daí se obtêm importantes subsídios para estudos lexicológicos. Trata-se de um trabalho ao mesmo tempo intenso e produtivo.
Cumpre observar, enfim, que todos os arquivos do banco de dados, da lista de termos preferenciais, dos textos utilizados no levantamento de contextos e do tratamento lexicográfico-terminológico têm sido sistematicamente convertidos, do Macintosh, de Lyon 2, para o IBM PC Pentium, da USP, e vice-versa, de modo que as duas equipes têm sempre à sua disposição os arquivos completos e atualizados referentes ao Projeto e trocam informações continuamente.
2. O dicionário terminológico como simulacro de universo de discurso
Propusemo-nos a examinar, igualmente, neste trabalho, alguns aspectos do estatuto lingüístico, pragmático, semiótico e sociocultural dos dicionários terminológicos bilíngües e multilíngües.
Como sabemos, os processos semióticos verbais (as chamadas ‘línguas naturais’) - os sistemas lingüísticos, enquanto instância de competência, e os discursos que os manifestam (e, por isso mesmo, realimentam os sistemas e promovem sua auto-regulagem), dialeticamente articulados – são espacialmente delimitados e históricamente determinados. Constituem não somente instrumentos de comunicação, como também produzem, acumulam, reiteram e transformam significações, informações; sustentam e reiteram uma ‘visão de mundo’, uma axiologia, um sistema de valores, em estrutura hiper-profunda, ou, noutras palavras, um mundo semioticamente construído, próprio a determinada cultura e sociedade, subjacente aos discursos de todas as semióticas-objeto verbais, não-verbais e sincréticas integrantes da mesma macrossemiótica, ou seja, comum a todos os membros da comunidade, que compartilham certo ‘saber sobre o mundo’ e o tomam por ‘referência’. Verifica-se semelhante situação, quanto aos universos de discurso, microssemióticas, caracterizados por normas discursivas, e que, por sua vez, sustentam e reiteram a ‘visão de mundo’ de segmentos sociais, de regiões, classes sociais, grupos profissionais – a variação diatópica, diastrática e diafásica (Coseriu, 1980) – e, especificamente, no caso que nos interessa mais de perto, neste trabalho, a ‘visão de mundo’ dos segmentos sociais constituídos por especialistas das áreas e domínios técnico-científicos: como os demais segmentos sociais, sustentam um universo de discurso e através dele se sustentam. Esse último aspecto assume particular relevância nas sociedades heterogêneas e extremamente heterogêneas, isto é, nas sociedades industriais e pós-industriais, em que as ‘linguagens de especialidade’ contribuem decisivamente para definir o modo de existência e de manifestação das pessoas e das equipes que atuam nas áreas científicas e tecnológicas, mais ainda, na medida em que o mundo contemporâneo depende de ciência, tecnologia e informação, para incentivar as atividades econômicas e assegurar o desenvolvimento sustentável.
Levamos em conta modelos teóricos concernentes aos diferentes patamares do percurso gerativo da enunciação e às relações que se estabelecem entre as unidades correspondentes a cada nível, como a relação entre conceptus, ‘modelo mental’ e recorte cultural, ou conceptualização; a relação de denominação, entre, de um lado, o ‘modelo mental’, conjunto noêmico ou dos semas conceptuais – noemas determinantes de atributos de ‘objetos do mundo’, noemas determinantes de atributos de processos, noemas relativos a atributos de atributos (Pais, 1993: 382-403, 522-553, 554-602) elemento do metassistema conceptual – pré-semiótico e trans-semiótico – e, de outro lado as unidades lexicais, do sistema e das normas lingüísticas; a relação de designação, entre a unidade lexical/terminológica e o recorte cultural; a referência, entre a função semiótica, intra-sígnica, no texto-enunciado-manifestado, e os ‘objetos do mundo’, ousía, na expressão de Aristóteles. Formalizaram-se, assim, complexas redes de relações semântico-conceptuais, léxico-semânticas, semântico-sintáxicas e referenciais, inclusive do ponto de vista pragmático.
Pudemos chegar, assim, a uma explicação, mais satisfatória, a nosso ver, dos processos segundo os quais os dicionários terminológicos realizam uma reelaboração do mundo semioticamente construído e, simultaneamente, uma reconstituição do saber, no âmbito de uma especialidade técnica e/ou científica, configurando-se, pois, a um tempo, como universo de discurso terminológico e simulacro do universo de discurso que é objeto do dicionário em questão.
Verificamos, notadamente, que o sistema de remissivas, quando bem elaborado, constitui uma rede paradigmática, que permite reconstituir a teoria científica e/ou tecnológica que toma por objeto, no plano semântico-conceptual, como também no plano das relações lingüístico-socioculturais, indicando ao usuário caminhos de acesso ao saber.
Além disso, observamos que o dicionário terminológico, enquanto simulacro do universo de discurso-objeto de seu tratamento, sustenta os microssistemas de valores relativos ao universo semiótico da especialidade em causa e, também, como é evidente, microssistemas de valores da língua em que se realiza e manifesta, da cultura e da sociedade que lhe correspondem (Pais, 1996).
Nesse sentido, todo dicionário terminológico, ou, se preferirmos, todo vocabulário técnico-científico, através da rede paradigmática de conceptus e de termos, bem como da rede de remissivas, caracteriza-se, em seu inventário conceptual e léxico-semântico (conceptus x denominações), em cada um de seus verbetes e na rede de oposições configurada, em maior ou menor grau, pelo sistema de remissivas e subjacente, na verdade, ao seu texto, como um scénario, ou como uma combinatória de frames, de caráter enciclopédico – ainda que a microestrutura seja do tipo definicional. Temos, assim, um micro-universo semiótico – comparável mutatis mutandis, ao universo semiótico da língua, da cultura e da sociedade em que se inscreve a obra. Estabelecem-se, desse modo, percursos narrativos possíveis, narrativas virtuais, objetos de valor. O dicionário ou vocabulário oferece ao usuário, ao sujeito enunciatário, trajetórias de leitura e determina, ao mesmo tempo, percursos intertextuais e interdiscursivos, pelos quais pode transitar a comunicação e a cooperação entre especialistas de áreas do saber e de suas aplicações. Nessas condições, o dicionário ou vocabulário transcende sua natureza de obra lexicográfica e/ou terminológica, para revelar-se ao sujeito enunciador/enunciatário do discurso como espetáculo semiótico, no sentido em que o entende Greimas e, por isso mesmo, como simulacro dos discursos/textos de área(s) e domínio(s). Com efeito, adquirir a competência lingüística e sociocultural, enquanto instâncias que autorizam, ao mesmo tempo, a produção do discurso e a(s) prática(s) que lhe corresponde(m), equivale a ‘pensar o mundo’ da especialidade e a permanentemente (re) construí-lo, no percurso do desenvolvimento científico e tecnológico. Tal aprendizado mostra-se, quase sempre, mais difícil que o de uma língua natural, pertencente a outra cultura e sociedade.
A questão torna-se ainda mais complexa, no caso dos dicionários lexicográficos e/ou terminológicos bilíngües ou multilíngües. De fato, deparamo-nos, então, com dois ou mais simulacros, correspondentes às ‘visões do mundo’ sustentadas pelos especialistas, no âmbito de determinado universo de discurso técnico e/ou científico, em discursos aos quais subjazem a axiologia, a ideologia, os sistemas de valores produzidos e sustentados pelas comunidades lingüísticas e socioculturais envolvidas.
Nesses tipos de obra, convergem e conflitam scénarios, frames, universos semióticos (de língua) e micro-universos semióticos (de especialidade), caracterizados como ‘visões do mundo’, estruturados como enciclopédia – como, por exemplo, os distintos estatutos sociossemióticos que diferentes sociedades conferem aos discursos das várias áreas do saber e de suas aplicações, ou, noutras palavras, o modo como as comunidades humanas vêm e/ou valorizam tais áreas e os segmentos sociais que nelas atuam, segundo as condições históricas, econômicas e socioculturais que lhes correspondem. Decorrem esses aspectos, inclusive, do confronto internacional entre países altamente desenvolvidos (do ponto de vista científico, tecnológico, econômico) e aqueles ditos em vias de desenvolvimento (Pais, 1988).
3. Conclusão
Nessas condições, constatamos que dicionários lexicográficos e/ou terminológicos bilíngües e multilíngües revelam extraordinária complexidade, quanto aos sistemas de valores e às visões de mundo sustentadas, das várias línguas e culturas em causa. Determinaram-se, com o apoio dos modelos e da metodologia apontadas, diferentes relações de articulação e de confronto, de dominação, dependência e submissão lingüístico-culturais, de conflito entre identidades e diversidade culturais (Pais, 1998), dentre outros aspectos, com sérias conseqüências, para o rigor e a eficácia dessas obras, enquanto instrumentos importantes de auxílio à comunicação entre especialistas e à cooperação técnico-científica internacional.
Bibliografia
Ab’Saber, A. N. et al. (1987). Glossário de Ecologia. São Paulo: Academia de Ciências do Estado de São Paulo, CNPq, FAPESP, Secretaria de Ciência e Tecnologia.
Barbosa, M. A. (1984). “Da constituição e transmissão do saber lexical: um modelo lingüístico pedagógico”. In: Revista Brasileira de Lingüística, 7. São Paulo: Global), pp. 83-106.
_______ (1989). “Aspectos da produção dos vocabulários técnico-científicos”. In: Estudos lingüísticos XVII. Anais de Seminários do GEL. São Paulo: GEL/USP, pp. 105-112.
_______ (1994). “Da microestrutura de vocabulários técnico-científicos bilíngües: para um microssistema terminológico de ecologia e meio ambiente”. In: IV Simposio Iberoamericano de Terminología RITERM “Terminología y Desarrollo”. Buenos Aires: Unión Latina, Secretaría de Ciencia e Tecnología de la Nación, pp. 141-146.
_______ (1992). “O percurso gerativo da enunciação, a relação de equivalência lexical e o ensino do léxico”. In: Estudos Lingüísticos XXI. Anais de Seminários do GEL. Jahu: GEL/Fundação “Raul Bauab”, pp. 258-265.
_______ (1993). “A banalização da terminologia técnico-científica: dialética intertextos”. In: Estudos lingüísticos XXII, Anais de Seminários do GEL. Ribeirão Preto: GEL/Instituição Moura Lacerda, pp. 56-63.
_______ (1998). “Terminologização, vocabularização, cientificidade, banalização: relações”. In: Acta semiotica et linguistica, V. 7. São Paulo: Plêiade, pp. 25-44.
Boutin-Quesnel, R. et al. (1985). Vocabulaire systématique de la terminologie. Québec: Publications du Québec.
Cabré, M. T. (1993). La termilogía. Teoria, metodología, aplicaciones. Barcelona: Editorial Antártida/Empúries.
Coseriu, E. (1980) – Lições de lingüística geral. (Rio, Ao Livro Técnico).
Galisson, R. (1978). Recherches de lexicologie descriptive: la banalisation lexicale. Paris: Nathan.
Galisson, R. (1991). “Entrer en langue/culture par les mots. Esquisse d’un modèle d’organisation et de description des contenus lexico-culturels d’enseignement /apprentissage”. In: Colóquio de Lexicologia e Lexicografia. Actas. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa.
Hjelmslev, L. (1975). Prolegômenos a uma teoria da linguagem. São Paulo: Perspectiva.
Lino, M. T. da F. et al. (s/d). - Terminologia da 1. Lexicologia e lexicografia. 2. Terminologia e terminografia. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa.
Pais, C. T. (1993). Conditions sémantico-syntaxiques et sémiotiques de la productivité systémique, lexicale et discursive. Thèse de Doctorat d’État ès-Lettres et Sciences Humaines. Paris: Université de Paris-Sorbonne.
_______ (1996). “Contribution à une analyse socio-sémiotique du processus culturel: lexique, métatermes, modalités”. In: Acta semiotica et linguistica, V. 6. São Paulo: Plêiade, pp. 101-132.
_______ (1998). “Conceptualisation, dénomination, désignation, référence. Réflexions à propos de l’énonciation et du savoir sur le monde”. In: Hommage à Simone Saillard. Textures. Cahiers du Centre d´Études Méditerranéennes et Ibéro-Américaines. Lyon: Université Lumière Lyon 2, pp. 371-384.
_______ (1998). “Identité et tolérance culturelles dans le cadre de la mondialisation: une approche socio-sémiotique”. In: Acta semiotica et linguistica, V. 7. São Paulo: Plêiade, pp. 169-184.
Pottier, B. (1991). Théorie et analyse en linguistique, 2a ed. Paris: Hachette.
_______ (1992). Sémantique générale. Paris: Hachette.
Rastier, F. (1991). Sémantique et recherches cognitives. Paris: PUF.
Sager, J. C. (1993). “Prólogo. La terminología, puente entre varios mundos”. In: Cabré, M.T. La terminología. Teoría, metodología, aplicaciones. Barcelona, Editorial Antártida.
|