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Índice por autores

 

 

Leitura em análise documentária [1]

Mariângela Spotti Lopes Fujita
Departamento de Biblioteconomia
UNESP – Marília
Brasil

 

Resumo

Estudos teórico-práticos realizados em Análise documentária constatam que o processo de análise inicia-se pela leitura do texto e dela depende a qualidade da análise, síntese e representação. Com os objetivos de identificação e extração de termos, a “leitura documentária” está sujeita a condições específicas: limite de tempo, propósito definido, geração de produtos, conjunto limitado de tipos de textos e áreas de assunto. A partir dessas evidências, realizou-se estudo formal sobre leitura documentária mediante diagnóstico e caracterização do indexador, do sistema documentário e das atividades de análise. O sistema utilizado como estudo de caso foi a Sub-Rede Nacional de Informação na área de Ciências da Saúde Oral composta de dez núcleos básicos sediados em Bibliotecas de Odontologia. Após diagnóstico do funcionamento da rede, foram aplicados questionários junto aos indexadores para identificação de perfil profissional e procedimentos de análise documentária adotados. Para observação dos procedimentos de leitura foi adotado o Protocolo Verbal como método introspectivo em entrevista realizada com quatro indexadores com mais tempo de serviço na Sub-Rede. Resultados indicam que as estratégias de leitura dos indexadores são metacognitivas sem procedimentos sistematizados para a identificação de conceitos; a linguagem documentária documentária do sistema e a estrutura textual dos documentos de odontologia são os elementos de domínio e funcionam como conhecimento prévio da leitura dos indexadores.

 

1. A leitura do indexador

Em um consenso empírico da atividade de análise documentária, sabe-se que indexadores enfrentam dificuldades no momento de extrair conceitos significativos e, também, representativos do tema do documento. À primeira vista concordamos, porque o indexador tem que indexar muitos documentos e isso implica em ler documento por documento. Assim, nossa primeira suposição é de que, para extrair conceitos o indexador precisar ler e o faz durante a leitura.

Para averiguarmos as causas das dificuldades de extração de conceitos, é preciso examinarmos, então, o processo de leitura do indexador. De imediato, várias questões surgem: a leitura do indexador é igual ao do leitor comum? O indexador é um leitor rápido? O indexador faz a leitura de todos os documentos de maneira idêntica, ou muda os procedimentos de acordo com o assunto? A leitura para a indexação de livros é igual a de artigos de periódicos?

Entretanto, uma questão, de ordem metodológica, antepõe-se às outras: Como o indexador lê um documento para a indexação? Ou ainda, se um indexador têm dificuldades na extração de conceitos de um documento, como ele faz a leitura desse documento?

Estudos sobre as dificuldades da fase de análise, realizados a partir da observação da prática profissional, revelam que os indexadores estão sujeitos a condições específicas de leitura.

Além disso, o indexador também está vinculado aos propósitos de exaustividade e especificidade em função do sistema documentário e do usuário desse sistema para decidir a escolha de conceitos, pois existe, com o indexador, um compromisso assumido com o sistema documentário disseminador e seu usuário, que deverá influenciar a leitura documentária e inviabilizar sua “neutralidade” (Cintra, 1987: 29; Cunha, 1987: 38-9).

Portanto, ao lado das questões iniciais, surgem, também, considerações de ordem prática relativas ao contexto de trabalho do indexador, à metodologia de indexação do sistema e ao perfil profissional do indexador, destacando-se as seguintes evidências:

as atividades de análise e síntese na análise documentária não são suficientemente investigadas a despeito de sua importância;

o processo de análise inicia-se pela leitura do texto e dela depende a qualidade da análise, síntese e representação;

a leitura total do texto é operacionalmente impraticável para fins de análise documentária;

existe distinção entre o processo global de leitura e a “leitura documentária”;

a “leitura documentária” está sujeita a condições específicas: limite de tempo, propósito definido, geração de produtos, conjunto limitado de tipos de textos e áreas de assunto;

a neutralidade da “leitura documentária” é inviabilizada pelas variáveis: o sistema documentário e o usuário desse sistema;

a identificação e extração de conceitos são os objetivos da leitura documentária.

em conseqüência, foi necessário investigar:

o agente que pratica a leitura documentária e as variáveis condicionantes;

os procedimentos de leitura documentária utilizados para exame do documento e identificação de conceitos.

A proposição exposta implicou no desenvolvimento de estudo teórico sobre leitura e estratégias de leitura em Análise documentária e estudo de caso com bibliotecas universitárias de Odontologia que participam da Sub-Rede Nacional de Informação em Ciências da Saúde Oral do convênio BIREME/KELLOGG/USP para caracterização do indexador e levantamento das atividades de Análise Documentária com os objetivos de:

diagnóstico de infra-estrutura e funcionamento dos serviços de análise documentária.

caracterização do perfil do indexador brasileiro em Centros de informação especializados;

fornecer subsídios teóricos-práticos para a compreensão do significado e dos procedimentos de leitura com fins de análise documentária;

análise das atividades de análise documentária atualmente desenvolvidas em Centros de Informação especializados;

 

2. Leitura e leitura documentária

A análise teórica sobre “Leitura” e “Estratégias de Leitura” indicou que a leitura para fins documentários exige que o leitor-documentalista seja metacognitivo por ser necessário usar estratégias que permitem a interação com o texto de forma a propiciar uma compreensão suficiente para sua representação.

Durante a leitura de um texto, são ativados esquemas variados, desde conhecimento de vocabulário, conhecimento da estrutura textual, do assunto, até conhecimento de mundo.

No ato comunicativo de ler, interagem, também, restrições do contexto do leitor (seu conhecimento prévio, valores, crenças), restrições do texto (intenções do autor refletidas no contexto lingüístico) e restrições do contexto da realização da tarefa de leitura (interesse e objetivo do leitor, estado psicológico...) (Cavalcanti, 1989).

Tal interação desenvolve-se através do uso de estratégias metacognitivas, entendidas como ações conscientes do leitor direcionadas para um objetivo ou para busca de solução de problemas de compreensão ou de estratégias cognitivas como ações subconscientes durante a leitura fluida (Kato, 1987). O grau de consciência pode ser avaliado pelas ações executadas durante a leitura, conferindo natureza metacognitiva, quais sejam: explicitação dos objetivos da leitura; identificação de aspectos importantes da mensagem; alocamento de atenção a áreas importantes; monitoração do comportamento para ver se está ocorrendo compreensão; engajamento em revisão e auto-indagação para ver se o objetivo está sendo atingido; tomada de ações corretivas quando são detectadas falhas na compreensão; recobramento de atenção quando a mente se distrai ou faz digressões (Brown, 1980, citado por Nardi, 1993).

O leitor documentalista, apesar de não ser o especialista do assunto, interage com o texto mediante o domínio de uma linguagem documentária especializada, da estrutura textual e da intenção do sistema de informação para a leitura.

O leitor documentalista deve fazer uso principalmente de estratégias metacognitivas tais como a exploração do seu conhecimento de estruturas textuais e deve manter em mente o seu objetivo de representar o texto para futura recuperação, considerando as limitações da tarefa de indexação e os objetivos do sistema de informação no qual se insere.

No caso do leitor-documentalista, entendemos que as estratégias indicadas pela Norma são metacognitivas ao identificarmos aspectos de sua natureza de acordo com Brown:

Tabela 1
Identificação da natureza metacognitiva na leitura documentária

Atividades durante a leitura “Brown” Leitura Documentária
Explicitação dos objetivos da leitura; representação do texto de forma condensada (Norma)
identificação de aspectos importantes da mensagem; identificação de conceitos (abordagem sistemática mediante questionamento) (Norma)
alocamento de atenção a áreas importantes; análise do documento com domínio da estrutura textual, considerando partes do texto (Norma)
monitoração do comportamento para ver se está ocorrendo compreensão;  
engajamento em revisão e auto-indagação para ver se o objeitvo está sendo atingido;  
tomada de ações corretivas quando são detectadas falhas na compreensão;  
recobramento de atenção quando a mente se distrai ou faz digressões;  
  associação com linguagem;
  coerência temática;
  seleção de conceitos (termos ou descritores)

 

3. Leitura documentária na Sub-Rede Nacional de Informação em Ciências da Saúde Oral: estudo de caso

Com a proposta de estudo formal sobre leitura documentária, foi realizado diagnóstico e caracterização do documentalista/indexador (agente), do sistema documentário e das atividades de análise documentária a partir de um estudo de caso com Centros de informação especializados em ciência da saúde oral.

A Sub-Rede Nacional de Informação em Ciências da Saúde Oral é um Centro Cooperante da Rede Brasileira de Informação em Ciências da Saúde coordenada pela BIREME/OPAS/OMS. Além de outros serviços, esta rede de informações é responsável, principalmente, pela realização da Base de dados LILACS (Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde).

A Sub-Rede é composta por dez Núcleos Básicos que realizam a indexação da literatura nacional odontológica para registro na base de dados LILACS e dez Núcleos de Apoio para possibilitar ao usuário o acesso mais agilizado à literatura odontológica. O diagnóstico de infra-estrutura e funcionamento, bem como a observação dos procedimentos de leitura foram realizados somente com os núcleos básicos por realizarem a indexação da literatura odontológica brasileira.

A análise da infra-estrutura fisica revelou que:

após a instalação da sub-rede houve uma expansão de recursos humanos e materiais;

os núcleos básicos são polos de produção de literatura odontológica, possuindo uma comunidade de usuários interna e externa significativa;

o crescimento do acervo em todos núcleos foi significativo em termos de títulos de periódicos, livros e teses;

a área física obteve expansão menor; porém existente em todos os núcleos com uma média de 50m2;

em prestação de serviços apresentou-se um incremento de novos serviços e melhoria dos outros já existentes com particular enfâse para a pós-graduação

Os indexadores da Sub-Rede realizam a análise documentária de cada registro obedecendo a metodologia da BIREME, descrita no “Manual de indexação para a base de dados LILACS” (1988), e utilizando a linguagem documentária “Descritores em Ciências da Saúde” – DeCS.

A metodologia de Análise Documentária da BIREME para a base de dados LILACS é operacionalmente completa, principalmente, levando-se em consideração o DeCS como linguagem do sistema. Porém, a existência da Sub-Rede como organismo de coleta e tratamento para registro da literatura odontológica brasileira na base de dados LILACS é recente e a incorporação da metodologia de análise documentária do sistema BIREME/OPAS está sendo realizada à medida que novos registros vão sendo inseridos.

Para realizar a caracterização do perfil do indexador da Sub-Rede, os dez indexadores dos dez núcleos básicos receberam um Formulário de Identificação contendo 10 questões que abordam a identificação e formação profissional antes e depois da contratação no núcleo, outras atividades que realiza no núcleo e, principalmente, o relato de procedimentos para leitura documentária, suas dificuldades e fontes da experiência. Esse formulário foi preenchido por 8 Núcleos básicos e pelo Centro Coordenador – SDO/USP.

De modo geral, os indexadores da Sub-Rede Nacional de Informação em Ciências da Saúde são profissionais experientes, com boa formação educacional e vivência em sistemas de informação especializados. Nos núcleos esses indexadores realizam outras atividades além da indexação, com prioridade para atendimento ao usuário e busca bibliográfica em bases de dados, indicadores bastante positivos para a indexação, pelo contato simultâneo com a linguagem do usuário e do sistema.

As maiores dificuldades, apontadas pelos indexadores, são a identificação de conceitos e a tradução desses como descritores da linguagem utilizada pelo sistema. Contudo, possuem o domínio da estrutura textual de documentos técnico-científicos, uma vez que todos relataram a sequência de partes do texto quando fazem a leitura. Por outro lado, conforme dados coletados na entrevista, ficou evidente que, na identificação de conceitos, os sujeitos utilizam a exploração da estrutura textual sem quase nenhum questionamento como abordagem sistemática.

O fato de, também, apontarem a tradução dos conceitos para descritores da linguagem, como uma das dificuldades, nos leva a supor que ainda não dominam inteiramente a estrutura e funcionalidade da linguagem. Se considerarmos também que a associação com linguagem é uma das estratégias de compreensão do texto e que a linguagem é a única fonte de conhecimento prévio do indexador, então, certamente existem dificuldades sem o domínio dessa linguagem.

 

4. Estratégias do indexador na leitura documentária: abordagem metodológica para observação

Para observação das estratégias de leitura de indexadores da Sub-Rede Nacional de Informação na área de Ciências da Saúde (BIREME/USP/SDO) foram entrevistados quatro indexadores de tres núcleos básicos e do SDO/USP. Na prática de observação foi aplicada abordagem metodológica exploratório interpretativa (Grotjahn citado por Nardi, 1993) cujo instrumento de coleta utilizado foi o “Protocolo Verbal” ou “Pensar Alto”.

Dessa forma, o “Pensar alto” do informante é gravado e transcrito literalmente, produzindo protocolos verbais. Protocolos são geralmente definidos como relatos verbais dos processos mentais conscientes do informante. Em outras palavras, eles se referem ao “pensar alto” do informante enquanto realiza uma tarefa de qualquer natureza (Cavalcanti e Zanotto, 1993).

A técnica de Protocolo Verbal desenvolveu-se através dos procedimentos:

1. Seleção do Texto-Base: foi solicitada ao SDO/USP com a recomendação de que fosse um texto ainda não indexado por nenhum dos indexadores. O texto selecionado pela SDO/USPé da área de Periodontia publicado como artigo no periódico revista da Apcd sob o título de “Análise clínica das áreas doadoras de enxerto gengival livre”. Buscando melhor acompanhamento dos resultados, foi consultado um especialista da área de Periodontia para interpretação do conteúdo do artigo,

2. Seleção dos Sujeitos: foram selecionados quatro sujeitos a partir de critérios como o tempo de permanência no sistema e na atividade de indexação, acrescido, principalmente, do fator “habilidade em indexação”.

3. Conversa informal com os sujeitos: foram mencionados os objetivos da pesquisa e a preocupação de manter a identidade de cada um dos sujeitos oculta.

4. Familiarização com a tarefa do “Think Aloud” (“pensar alto”) através de “Instruções aos Sujeitos”: Antes da Aplicação do Protocolo Verbal ou Pensar Alto, foi feita uma familiarização com a tarefa utilizando um texto contendo “Instruções aos Sujeitos”,

5. Gravação do “pensar alto” durante a leitura do texto-base: Antes de começar a gravação, foi entregue ao sujeito o texto-base lembrando que é preciso pensar alto durante toda leitura e exteriorizar seus processos mentais.

6. Entrevista retrospectiva: com o objetivo de esclarecer alguns pontos considerados obscuros pelo pesquisador.

7. Transcrição dos Protocolos Verbais dos sujeitos: As transcrições foram feitas de maneira a destacar a compreensão dos sujeitos, suas dúvidas, equívocos, identificação e selecão de termos.

 

5. Resultados da observação de estratégias do indexador na leitura documentária

Com a gravação do “pensar alto” durante a leitura e entrevista retrospectiva dos quatro sujeitos indexadores entrevistados, foi possível a transcrição literal completa em texto escrito e, em seguida, a análise dos dados coletados

Considerando-se, que as estratégias metacognitivas listadas por Brown e associadas à Norma e ao Manual de Indexação da BIREME, são as mais representativas para a leitura com fins documentários, a discussão dos resultados finais obtidos realizou-se a partir dos seguintes aspectos:

sequência de operações (aspectos) da leitura dos sujeitos;

manter em mente o seu objetivo de representar o texto para futura recuperação;

exploração de seu conhecimento de estruturas textuais;

identificação de aspectos importantes da mensagem para seleção de conceitos

domínio da linguagem do sistema como conhecimento prévio;

sequência de operações (aspectos) da leitura dos sujeitos; A seqüência de operações, sintetizada a partir dos dados coletados na entrevista dos quatro sujeitos, revelou pela análise numérica que todas as operações foram utilizadas pelos sujeitos. Observou-se que cada sujeito possui um padrão de sequência repetindo a mesma sequência mais de uma vez durante a leitura, porém, os padrões utilizados não são semelhantes entre um sujeito e outro. Essas constatações revelam que a leitura feita pelos sujeitos é metacognitiva e que dominam a estrutura textual do artigo científico para ir direto às partes do texto em que identificaram aspectos importantes da mensagem.

manter em mente o seu objetivo de representar o texto para futura recuperação;
O objetivo de leitura do indexador é representar o texto para futura recuperação pelo usuário do sistema. O fato de que os sujeitos não tenham mencionado este objetivo durante a identificação dos conceitos na leitura do texto nos leva a considerar que os propósitos da política de indexação do sistema devem estar diretamente vinculados à importância de representação para a recuperação em todas as orientações e treinamentos dos indexadores e, principalmente, que o indexador, além da indexação, faça o atendimento ao usuário em estratégias de busca nas bases de dados.

exploração de seu conhecimento de estruturas textuais;
Os resultados demonstram que embora alguns sujeitos tenham explorado, de forma completa, a estrutura textual e tenham sido meticulosos ou mesmo rápidos não significa que o resultado da exploração resulte na identificação de conceitos e, ainda, que esses conceitos sejam compatíves com a linguagem do usuário. O domínio da estrutura textual deve facilitar a exploração de modo a garantir a estratégia de identificação de conceitos.

identificação de aspectos importantes da mensagem para seleção de conceitos
A constatação mais importante é a de que os indexadores consideram o Resumo como principal fonte de identificação de conceitos e, provavelmente, desconhecem a correlação de conceitos e sua identificação em partes específicas dos texto.

A observação da sistemática de identificação de conceitos na leitura dos sujeitos demonstrou o uso de diferentes estratégias mas sem uma sistemática constante. A falta de uma sistemática de identificação é coerente com a falta de um padrão de sequência de operações observado no início da análise.

Os resultados apontam que a identificação de conceitos pode depender do domínio do indexador na exploração da estrutura textual, ou seja, a combinação de estratégias de identificação de conceitos com o domínio da estrutura textual pode garantir que os termos extraidos sejam mais representativos e, ao mesmo tempo, compatíveis com a linguagem de recuperação.

domínio da linguagem do sistema como conhecimento prévio;
O resultado obtido nos leva a ressaltar que a linguagem do sistema pode ser considerada um aspecto importante na leitura dos indexadores.

Na observação da sequência de operações, os indexadores, durante a leitura, fizeram “associação com linguagem” em diferentes momentos, mas sempre próxima (antes ou depois) da “identificação de conceitos”. Considerando-se que o indexador não é o especialista, o domínio do assunto se faz pela linguagem do sistema e, assim, é utilizada como conhecimento prévio. De acordo com a fundamentação teórica, a recuperação do conhecimento prévio é feita como estratégia de compreensão da leitura.

 

6. Avaliação do processo de leitura documentárias em estudo de caso: conclusões

A síntese dos resultados obtidos e analisados nos leva a concluir que a avaliação do processo de leitura documentária em estudo de caso apresentou resultados indicativos de que as estratégias de leitura dos indexadores são metacognitivas porque utilizam a linguagem documentária adotada pelo sistema (DeCs) e têm, principalmente, o domínio da estrutura textual dos documentos de Odontologia, embora não façam uso de abordagem sistemática para identificação de conceitos

Em estudo de caso realizado com a Sub-Rede Nacional de Informação em Ciências da Saúde Oral (convênio USP/BIREME/KELLOG) para observação da pratica de leitura documentária, verificou-se, pela entrevista com Protocolo Verbal, que os 4 sujeitos utilizam estratégias metacognitivas; realizam a identificação de conceitos utilizando diferentes estratégias, mas sem uma sistemática constante e que tanto a linguagem, quanto a estrutura textual, são os elementos de domínio dos sujeitos.

Esses resultados obtidos nos levam a concluir que durante a leitura, os indexadores não tem em mente a correlação entre conceitos e sua identificação em partes específicas do texto, ou seja, evidenciando o desconhecimento de que determinadas partes do texto como “Conclusões”, “Material e Métodos” e assim por diante, teriam seus respectivos conceitos.

Com os subsídios destacados da Norma ISO e do Manual de indexação da BIREME podemos inferir que o ítem “Leitura” é tratado de forma parcialmente similar no que se refere ao exame de partes do documento.

Obviamente a Norma é bem mais sucinta que o Manual, mas em síntese, os dois estão empenhados na orientação quanto ao exame de partes do documento. As diferenças começam a existir, entre o Manual e a Norma, justamente na Identificação de conceitos.

Como já foi destacado, a Norma considera a Identificação de conceitos como uma “abordagem sistemática” do texto através de questionamento e o Manual evidencia a seleção de conceitos através do exame de determinadas partes do texto, sem contudo, propor uma estratégia de identificação. Tal como a Norma, o Manual também não relaciona a identificação de conceitos com a leitura do documento, fato também constatado nos resultados de estratégias de leitura usadas por indexadores durante a leitura documentária.

Por outro lado, existe o domínio da estrutura textual como outra estratégia que, relacionada à identificação de conceitos, poderia oferecer uma abordagem melhor sustentada para não só oferecer agilidade à leitura documentária como também assegurar uma uniformidade de procedimentos ao tratamento temático de informações.

Com base nos resultados obtidos na gravação do Protocolo Verbal realizado pelos sujeitos da pesquisa, pudemos concluir que muito esporadicamente eles utilizaram a estrutura textual como estratégia para realização da leitura durante a indexação. Isso ficou bem claro se observarmos as tabelas de “Identificação de conceitos e partes do texto” e verificarmos de que partes da estrutura textual eles fizeram a identificação.

Os resultados indicam que, tanto o sujeito 1 que leu apenas o título do artigo, resumo e material e métodos, quanto o sujeito 2 que seguiu praticamente todas as divisões do texto desde o título até a conclusão, identificaram a maioria de seus conceitos em poucas partes do texto, notadamente no Resumo. Tais resultados, nos leva a concluir que não tiveram o domínio da estrutura textual, talvez por não terem conhecimento de como pode ser feita a sua exploração para identificação de conceitos.

Dessa forma, e de acordo com as fontes citadas, a leitura documentária deve ser bem estruturada para realizar a “identificação de conceitos”, ou seja, a definição dos termos escolhidos para representar o documento, porque os produtos da leitura documentária (índices e resumos) devem satisfazer a necessidade de demanda da comunidade usuária.

Isto demonstra a necessidade de sistematizar um método de identificação de conceitos e avaliar sua eficácia. A proposição para a continuidade será, portanto, a elaboração de um modelo de leitura documentária combinando estratégias de exploração de estruturas textuais e de abordagem sistemática para identificação de conceitos. Para isso, pretende-se realizar estudo de caso com outro serviço de indexação e efetuar mais entrevistas com outros indexadores para melhor assegurar os resultados obtidos e, em decorrência, produzir uma avaliação com o respaldo da fundamentação teórica sobre Leitura.

 

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[1] Síntese do Relatório final do Projeto Integrado de Pesquisa 96/98 do CNPq (Processo 300067/93-3).

 

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