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Contribução da teoria da terminologia
na elaboração de hiperdocumentos
com função de tesauro
Hagar Espanha Gomes
Consultoria independente
Maria Luiza de Almeida Campos
Universidade Federal Fluminense
Brasil
Introdução
O sucesso na exploração de uma base de dados depende, em larga escala, da capacidade do usuário manipular a terminologia da área de assunto na qual ele busca informação. Mais do que isto, depende de sua habilidade em relacionar os termos afins para poder navegar na base de dados e recuperar informações relevantes. Tradicionalmente, o tesauro documentário é o instrumento que o auxilia nessa tarefa. No entanto, apesar de ter surgido há pouco mais de 60 anos, este instrumento carece, ainda, de bases teórico-metodológicas seguras tanto em relação à forma do termo ou descritor, quanto em relação ao relacionamento entre eles.
Os princípios para organizar as classes e os campos conceituais e que podem ser aplicáveis a tesauros estão estabelecidos na Terminologia (WÜSTER, 1974*; WERSIG, 1973*, FELBER, 1984)*. No entanto, é a Teoria da Classificação que vai prover as bases para reunir as classes em Facetas (ou categorias gerais dentro de um universo de discurso), levando à organização do sistema como um todo. É a Faceta que vai permitir a reunião dos conceitos de mesma natureza já que dela derivam. Cabe, aqui, ressaltar o trabalho dos classificacionistas (especialmente do Classification Research Group - CRG, na Inglaterra, e DAHLBERG, 1978), e dos terminólogos da Escola russa de Terminologia, que postulam a abordagem sistêmica e o princípio de categorização (ou facetação) (KANDELAKI, 1970*, GORKOVA, 1980; LEICHIK, 1990).
A convergência de princípios e métodos nas áreas de Terminologia, Tesauro e Sistemas de classificação tem sido registrada na literatura, relacionando ora o tesauro com a terminologia (LESKA, 1981), ora o tesauro com a classificação (GOPINATH, 1987; GOPINATH & PRASAD, 1975; AITCHISON & GILCHRIST, 1972), ora a terminologia com a classificação (DAHLBERG, I. 1993; DZINCHARADZE, 1993; NEDOBITY, 1987; BUDIN, 1993). Em estudo recente, procurou-se identificar o núcleo comum de conhecimento para elaboração de sistemas de classificação, de tesauros documentários e de terminologia (CAMPOS, 1994). De fato, estes três campos do conhecimento se ocupam de conceitos e das relações entre eles. Para os terminólogos e para os classificacionistas está muito claro que a fundamentação teórica se apóia na Lógica; sua contribuição para a elaboração de tesauros documentários é decisiva porque ela fornece as bases para identificação, para a fixação e para a estruturação dos conceitos. E a definição - elemento ausente nos tesauros tradicionais - é o elemento intermediário fundamental entre o termo e seu significado. Nos tesauros tradicionais a definição é abordada somente como um elemento que auxilia o entendimento do termo; é empregada eventualmente, "nos casos de dúvida", quanto ao significado do termo, no campo de Notas de Aplicação. Já os tesauros que se pautam em base terminológica incorporam esta questão, havendo referência à organização de um "novo" instrumento onde se reuniriam um glossário e um tesauro em um único instrumento de representação e recuperação da informação, o Glossaurus (RIGGS, 1982), ou tesauro terminológico (GOMES et al. 1990; TÁLAMO, M. et al. 1992).
O Tesauro com definição em forma de hiperdocumento garante:
que o usuário se assegure do significado de cada termo utilizado no sistema de informação;
que conceitos específicos e/ou afins possam ser acessados a partir de um conceito inicial, ou seja, que o usuário possa, a partir de um conceito inicial, navegar pelo sistema em busca de outros conceitos que lhe pareçam adequados à busca da informação que ele necessita.
Hiperdocumento e classificação são inseparáveis. De fato, os terminólogos têm ressaltado a importância da terminologia na criação de bases de conhecimento (NEDOBITY (1986); BUDIN (1993); DZINCHARADZE, 1993), tendo em vista a orientação segura que a Teoria da Terminologia oferece para a identificação, fixação e sistematização dos conceitos. E sistematização é ordenação, classificação.
Mas a Teoria da Terminologia carece de método para sistematização completa de um domínio do conhecimento. A orientação da Norma ISO 704 - Princípios e Métodos da Atividade Terminológica e de seus derivados nacionais em alguns países permite apenas que se organize um campo conceitual, e não um sistema de conceitos mais abrangente, para uma área de assunto. O método de Faceta, desenvolvido na década de 30 pelo classificacionista indiano Ranganathan (1967) e continuado pelo Classification Research Group - CRG na Inglaterra (COATES, 1960; VICKERY, 1975), complementa a Teoria da Terminologia oferecendo bases seguras para o relacionamento dos conceitos de mesma natureza. Segundo este Método, as classes de conceitos podem ser reunidas em categorias que são as classes mais gerais de conceitos encontradas em qualquer domínio do conhecimento. Como afirma Dahlberg (1978),
"As categorias têm uma capacidade de estruturação: elas estruturam não apenas todos os elementos de nosso conhecimento como as unidades de conhecimento, elas fornecem ao mesmo tempo, com isso, o esqueleto, os ossos e os tendões para estruturação de todo o nosso conhecimento. Com seu uso consciente, então, o corpo de nosso conhecimento pode-se manter unido, pode-se movimentar e se manter flexível - e pode crescer organicamente". (p.34)
Na organização do hiper-documento seguem-se, portanto, a Teoria Geral da Terminologia e o Método da Faceta.
Tipos de definição
Os problemas da definição têm sido objeto de estudos diversos na língua geral. Na língua especializada, todavia, apenas recentemente ela começou a ser objeto de estudo sistemático.
Em 1982 o Groupe Interdisciplinaire de Recherche Scientifique et Appliquée en Terminologie (GIRSTERM), no Canadá, realiza um Colóquio Internacional de Terminologia sob o tema "Problemas da definição e da sinonímia em terminologia" com o objetivo de discutir as especificidades da definição em terminologia. Por exemplo, o quê definir? Como definir? Por que definir? A sinonímia dos termos se compara à sinonímia das palavras? Estas questões se apresentam no contidiano dos terminólogos no exercício de seu trabalho (CAMPOS, 1994).
Neste Colóquio, Dahlberg (1983, p.13) apresenta uma longa exposição sobre o caráter e os requisitos da definição terminológica. E faz à luz da Teoria do Conceito (DAHLBERG, 1975). Segundo esta Teoria, a definição terminológica seria a definição analítica/conceitual, pois ela incorpora os três elementos do conceito, a saber, o referente, as características e o tempo, ao contrário da definição nominal, que contempla apenas o termo e uma equivalência textual, e da definição extensiva, que incorpora apenas o referente e o termo.
"Definição conceitual (ou definição real) = df definição na qual o definiens contém as características de um referente nomeado pelo definiendum" (DAHLBERG, 1983, p.21).
Segundo sua Teoria, as características relevantes do conceito são, então, os elementos constitutivos da definição. O ponto principal no estabelecimento das definições dos conceitos está, portanto, na identificação das características. Ela fornece um padrão para definição, classificando-as conforme a categoria do conceito (definição genérica, partitiva, funcional) (DAHLBERG, 1983, p.22). A definição genérica permitiria identificar a categoria do conceito, a partitiva, os componentes do conceito definido, e a funcional insere o conceito como elemento integrador no contexto analisado, ou seja, ela permite que se identifique, na definição, a função/finalidade do conceito dentro da área em questão. Com isto, a definição terminológica forneceria a base para se estabelecer os sistemas terminológicos. É importante ressaltar, aqui, que, na Terminologia, a definição evidencia o conteúdo e não o significado do termo.
Para Dahlberg, como para Natanson (1983) e Drozd (1983), que participaram do Colóquio, a definição terminológica por excelência é a definição analítica.
Dahlberg, na verdade, é integrante de um grupo de estudiosos que já há algum tempo vinham dando à definição um objetivo mais prático, relacionado com as demandas da terminologia e à necessidade de tornar claras as definições técnicas e científicas, e não mais um objetivo de interesse estritamente filosófico. No campo da Terminologia temos o trabalho pioneiro de Wüster (1974*) e, no campo da própria Ciência, temos o movimento chamado operacionismo que, segundo Hegenberg, surge a partir de 1960, fruto direto do positivismo lógico defendido pelo Círculo de Viena, parente próximo do pragmatismo e do instrumentalismo.
"O operacionismo representa uma formulação recente de certos traços essenciais do método experimental e do empirismo de modo geral, caminhando em direção do pragmatismo e do instrumentalismo (Peirce, James e Dewey). A forma que Bridgman dá ao critério empírico de significado, embora original, tem muitos pontos de contato com o que Peirce afirma em seu "How to make our ideas clear". (HEGENBERG, 1974)
Ainda segundo Hegenberg, as definições procedentes deste movimento denominam-se "operativas".
"A idéia fundamental que norteia o operacionismo é simples, a saber, a de que não conhecemos os significados de um conceito a menos que possamos especificar as operações que foram realizadas, por nós ou por outrem, ao aplicar o conceito a qualquer situação concreta".
Desta forma, as definições operativas revelam a maneira de aplicação dos conceitos dentro de um dado contexto (uma área de assunto), ou como se dá seu uso e que, mais tarde, Dahlberg denomina de funcional, esta definição conceitual.
Gorkova (1980) apresenta ainda duas abordagens para as definições conceituais: a epistemológica e a pragmática. A abordagem epistemológica seria adequada aos conceitos básicos, gerais, da ciência. Para os conceitos específicos, bastaria uma definição pragmática, ou uma "explicação adequada". Kandelaki (1970*) desenvolve este princípio, que parece nortear a Escola russa de Terminologia.
Na organização de uma base definitória para a área de Agroecologia percebe-se que a definição analítica, epistemiológica, soluciona parte das questões que envolvem o entendimento do conceito. De fato, a definição epistemiológica e a definição pragmática são complementares para as terminologias de uma área técnica. As definições genérica e partitiva descrevem o conteúdo de um conceito, porém quanto à aplicabilidade do conceito dentro da área em que está definido, é a definição funcional/operativa que permite desempenhar aquele papel.
Observa-se, então, que os diferentes modos de definir leva a tipos de definição diferenciados. Não é possível privilegiar-se somente um tipo de definição, porque os conceitos de uma área de assunto são de níveis diversos - conceitos gerais e específicos, e de natureza categorial diversa - objeto, propriedade, processo.
É preciso, portanto, chegar a um modelo de enunciado capaz de atender às especificidades da área e permitir a navegação em um hiperdocumento. Para tanto, a forma definitória deve ser determinada tanto a partir do nível do conceito, como, principalmente, de sua natureza categorial, para que se obtenham os elementos necessários à caracterização do conceito e, quando pertinente, sua função, numa dada área de assunto. Em cada caso, deve-se tentar identificar os modelos mais apropriados de definição.
Assim, observa-se no desenvolvimento do trabalho que, em um base definitória, que tem por finalidade auxiliar o usuário no entendimento dos conceitos que envolvem seu fazer diário, a definição deverá ser construída de tal forma que contenha não apenas elementos da definição genérica e partitiva, mas também elementos de natureza funcional/operativa, em uma única descrição do conceito, pois ela revelaria não apenas o posicionamento do conceito no sistema, como também a descrição de fatos que envolvem tal conceito.
A identificação dos tipos de definição para a terminologia de uma área não é suficiente para os fins deste estudo. É preciso considerar que o texto precisa ter todos os elementos relevantes para a navegação e que eles devem estar expressos na definição, para preencher a função do tesauro, que é a de orientar o usuário na busca de idéias afins.
Sistematização das definições
Um dos postulados da Teoria Geral da Terminologia é que os conceitos de uma área de assunto constituem um sistema de conceitos, ou seja, os conceitos se definem uns em relação aos outros. Na preparação do hiperdocumento este postulado se revela da maior importância pois o critério para estabelecer os nós da navegação são as características dos conceitos que, por sua vez, são também conceitos e estão devidamente definidos.
O termo - seja como característica de um conceito, seja como conceito a ser definido - deve figurar da mesma forma e isto exige eventualmente ajuste na redação. Ao mesmo tempo, cada vez que um conceito participa como característica em uma definição, é preciso recorrer à sua definição correspondente para torná-la harmônica com o novo conceito relacionado.
Num tesauro tradicional as relações são evidenciadas por códigos junto aos termos. No hiperdocumento, as relações são feitas a partir da presença de seu nome na definição, seja na parte relativa à diferença específica, seja na parte operativa.
O método para estabelecer as definições de forma sistêmica é do estabelecimento do conjunto de conceitos interrelacionados segundo seu conteúdo. Eles formam um "cluster", podendo, neste contexto, ser denominados campo conceitual.
Resultados práticos
A experiência na elaboração do hiperdocumento que aqui é relatada se limita apenas às definições genéricas relativas a objetos, a processos e a propriedades. A definição partitiva é bastante complexa e deve ser objeto de comunicação futura.
A atividade terminológica com finalidade de elaborar hiperdocumento com função de tesauro se desenvolve em dois momentos: o primeiro é relativo ao conceito/termo: consiste na identificação do conceito, fornecendo as bases para sua organização no interior da faceta, e na identificação de sua relação com conceitos de outras facetas; o segundo momento é o de redação da definição: ela deve revelar aquela organização bem como as relações entre os conceitos.
Nos exemplos a seguir será dada ênfase à questão da redação, tendo em vista a finalidade desta comunicação.
Mecanismos para permitir a navegação dentro e fora da faceta
Na identificação do conteúdo são considerados elementos relevantes as características de cada conceito definido. Numa definição genérica estes elementos são, primordialmente, a característica que posiciona o conceito no sistema (genus proximum) e as demais características que especificam o conceito (differentia specifica). Na definição operativa - ou melhor, naquela parte da definição de natureza operativa -, outras características são identificadas (causa/efeito, sucessão no espaço ou no tempo, função, etc.)
A presença do genus proximum permite, apenas, que a navegação se dê do específico para o geral. É necessário, no entanto, que o sistema permita a navegação do geral para o específico. Isto poderia ser resolvido pelo software, mas optou-se pela adição de uma sentença, junto ao conceito geral, indicando os conceitos específicos imediatamente inferiores, quando necessário, para tornar o texto mais informativo e a navegação mais simples para o usuário.
Por exemplo, ao final de cada conceito geral, adiciona-se uma sentença do tipo: "As técnicas de manejo integrado de pragas são: Controle biológico de pragas e Controle cultural. Empregam-se, também, dispositivos mecânicos como Armadilha luminosa". Desta forma, são indicados os conceitos específicos Controle biológico de pragas (que contém outros conceitos específicos indicados numa sentença semelhante) e Controle cultural, bem como o conceito associado Armadilha luminosa. Se os primeiros são procedimentos (e, portanto, da mesma natureza que o conceito geral Manejo integrado de pragas), este último - Armadilha luminosa - é um agente do processo de controle, o qual, no entanto, não tem um nome específico, como, por exemplo, "controle mecânico", o que não impede que se chegue a aquele conceito.
Há casos em que a definição não pode ser feita pelo genus proximum, mas sim pelo genus supremum, isto é, por meio do emprego de palavras que o designam, como "Propriedade", "Processo" por exemplo. Os termos constantes desta forma de definição são apenas aqueles que denotam as características especificadoras e o acesso, na navegação, só pode ser feito nestes termos, já que a palavra inicial da definição não é um termo, mas uma palavra ou expressão da língua geral. O meio para o acesso a estes termos gerais numa navegação do geral para o específico não pode, portanto, ser efetivada, a não ser através da respectiva Faceta. A navegação do específico para o geral, se houver cadeia, será, como nos demais casos, pelo genus proximum.
O "vocabulário geral" empregado nas definições pelo genus supremum deverá ser identificado no futuro e seu emprego devidamente disciplinado para que possa ser também normalizado e facilitar a busca eventual na base por meio de palavras significativas.
Os exemplos a seguir referem-se a três categorias conceituais, a saber, Objetos, Processos e Propriedades.
Definição de objetos
A definição terminológica em princípio é genérica, ou seja, inicia-se com o genus proximum. Com isto, pode-se identificar a cadeia lógica (em inglês: chain) e os renques (em inglês: array). Quando se trata de conceitos relativos a objetos é possível iniciar a definição com o termo do conceito imediatamente superior (ex.1). Se o conceito for de alta generalidade, a palavra inicial pertence à língua geral (ex.2)
Exemplos:
(1) planta companheira
genus proximum: planta
differentia specifica: cultivada em consorciação com outra com a qual entra em sinergia.
(2) armadilha luminosa
genus proximum: dispositivo
differentia specifica: empregando lâmpada fluorescente que emite grande parte de sua energia na faixa do ultravioleta, justamente nos comprimentos de onda mais favoráveis à atração dos insetos durante a noite.
Obs.: Não se pode dizer que "dispositivo" seja o gênero mais próximo. De fato, é uma palavra da língua geral, empregada com seu significado usual, de "mecanismo ou conjunto de meios para se obter um determinado fim". Com isto, fica evidente que não há tempo super-ordenado na hierarquia e, portanto, não há cadeia.
Para fins de navegação, no entanto, esta definição não inclui um termo importante, ligado a este termo definido, que é "controle de pragas" e que seria o componente operativo. A definição acima descreve o que é e como funciona a armadilha luminosa, mas não informa, de modo claro, sua finalidade, que é "controle de pragas" (em geral), ou "controle de insetos" (em particular).
A presença desta expressão, na definição, permite que o usuário vá para o termo controle de pragas para identificar outras formas de controle, se assim o desejar. A definição revista poderia ser, então:
"Dispositivo de controle de pragas empregando lâmpada fluorescente que emite grande parte de sua energia na faixa ultravioleta, juntamente nos comprimentos de onda mais favoráveis à atração dos insetos durante a noite". Com esta inclusão, o conceito "Armadilha luminosa" fica relacionado ao conceito "Controle de pragas". Esta solução, porém, não é ad-hoc. Segundo o método de Faceta, o Processo "controle de pragas" está associado com o Agente, que é "armadilha luminosa". Poderia estar associado a um resultado, ou produto, mas não é o caso. Este raciocínio é válido para todo o processo de estruturação dos termos.
Obs.: Como a palavra inicial da definição não é um termo, ela não é iluminada.
Definição de processos e propriedades
Quando se trata de conceito pertencente ou à categoria Processo ou à categoria Propriedade, a definição se inicia, via de regra, respectivamente pelas palavras "processo" ou "propriedade". No primeiro caso, outras palavras usuais como "fenômeno", "operação", "ação", "atividade", "método", pertencentes à categoria Processo são, também, empregadas, conforme o caso. E palavras como "habilidade", "capacidade", "modalidade", são empregadas para conceitos relacionados a Propriedades. Neste caso, a definição genérica se inicia pelo genus supremum e não pelo genus proximum.
Para a ordenação dos conceitos deve-se, tanto quanto possível, iniciar a definição pelo nome do conceito super-ordenado mais próximo (genus proximum). Quando isto não for possível, deve-se procurar identificar a Faceta (ou classe mais geral dentro da língua especializada), a qual iniciará a definição, no lugar do genus proximum.
Exemplos:
(1) sistema de cultivo
genus proximum: práticas e procedimentos integrados de cultivo
indicação dos conceitos específicos: São sistemas específicos de cultivo: a consorciação, a rotação, o cultivo em aléias.
Obs.: "cultivo" é um termo da base e está definido, por isso está iluminado, permitindo que o usuário vá para este conceito para identificar cultivos específicos, se o desejar. "Práticas e procedimentos" são palavras da língua geral e não são, portanto, estritamente falando, genus proximum, mas é o nome da Faceta. Isso indica que se trata de um termo geral. A sentença adiconal inclui os termos específicos para permitir a navegação do genérico para o específico.
(2) consorciação
genus proximum: sistema de cultivo
differentia specifica: de várias culturas simultaneamente na mesma área,
componente operativo: com o objetivo de aproveitar sinergicamente as propriedades das plantas e alcançar uma produção eficiente e fortemente ecológica.
(3) rotação
genus proximum: sistema de cultivo
differentia specifica: de várias culturas em sequência na mesma área,
componente operativo: aproveitando as propriedades de cada uma para manter as condições de fertilidade do solo bem como a conservação do solo.
(4) cultivo em aléias
genus proximum: sistema de cultivo
differentia specifica: de espécies florestais em fileiras, distantes de 2 a 4 metros, no início da plantação,
componente operativo: para produção de madeira, alimentos e também para melhorar a fertilidade do solo fornecendo cobertura morta.
Obs.: Os exemplos (2), (3) e (4) permitem que a navegação se dê em direção ao termo geral, que é "sistema de cultivo". Os demais termos iluminados se referem a conceitos associados, os quais são também objeto de definição.
(5) sustentabilidade
genus proximum: capacidade
differentia specifica: de recuperação de um sistema que pode ser melhorado através da diversidade do próprio sistema.
Implantação do hiperdocumento
Foi utilizado o software ASKSAM, que possui um módulo de hipertexto. As definições levantadas na literatura constituíram um registro, com estrutura mínima, que inclui todas as definições levantadas para cada termo. Após a análise conceitual e a ordenação dos conceitos foi possível selecionar ou, na maioria das vezes, redefinir um conceito. Foi organizado, então, o arquivo definitivo, no qual cada termo constitui um único registro. Foram iluminadas as características de cada conceito que também foram consideradas conceitos, ou seja, que também estavam definidas.
O sistema de conceito, ainda em processo de organização, deverá ter uma parte sistemática para que o usuário tenha uma idéia completa do campo de abrangência da base, embora o acesso direto a um dado termo seja possível, já que o software de recuperação de informação.
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