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Índice por autores

 

 

Desenvolvimento de um banco de termos estruturado
na área de gestão da produção: um tesauro e um glossário

Aurea Lucia Farias Barbosa Pordeus
Domingos Fernandes Campos
UFRN (Natal)
Brasil

 

A necessidade de um glossário e um tesauro terminológico na área de gestão da produção

A carência de um tesauro terminológico de Gestão da Produção vem favorecendo o uso impreciso e até inadequado da linguagem técnica; observa-se freqüentemente que um termo expressa diferentes conceitos ou que diversos termos expressam a mesma idéia. Em outros casos, um conceito amplo é confundido com um conceito mais estruturado e de abrangência mais restrita, como é o caso de uma filosofia sendo apresentada como uma técnica de produção. Mais grave ainda é observar que muitos conceitos ainda não estão bem claros para muitos, mesmo profissionais da área. Presencia-se, na verdade, uma mistura de conceitos que, muitas vezes, lembra uma "sopa de letras" ou, no caso, uma "sopa de termos".

Gestão da Produção é uma área que vem incorporando novas técnicas e modificando conceitos tradicionais, especialmente nos últimos vinte anos. As principais publicações de que se dispõe estão em língua inglesa. A multiplicidade dos conceitos e as traduções imprecisas aumentam o grau de dificuldade quando da definição terminológica em português. Mesmo em inglês, percebe-se a existência de termos diferentes para expressar o mesmo conceito ou um único termo para conceitos diferentes.

Apesar de ser uma área tradicional, diversos trabalhos publicados em português revelam inconsistências e imprecisões nas definições terminológicas, o que prejudica a disseminação e o aprofundamento de conhecimentos da área. Dispõe-se, em português, de um número limitado de obras, a maioria enfocando temas isolados, onde cada autor expõe conceitos usando uma linguagem livre, criando expressões, importando termos estrangeiros, contribuindo involuntariamente para uma indesejável proliferação de termos, deixando os leitores confusos e insatisfeitos.

O campo de conhecimento da Gestão da Produção não conta com um tesauro terminológico específico, segundo se pôde verificar em pesquisa realizada em bancos de dados nacionais e internacionais pelo Instituto Brasileiro de Informação e Tecnologia - IBICT, em maio de 1992, mediante solicitação dos autores. Segundo essa pesquisa, a área Engenharia de Produção, tema geral que engloba a Gestão da Produção, figura como item dentro de tesauros relativos a "Engenharia", "Relações Industriais" e "Engenharia e Tecnologia", tendo um tratamento superficial com relação às necessidades da área.

 

Objetivos do trabalho

O objetivo deste trabalho é apresentar um glossário e um tesauro terminológico, ambos em inglês e português, para o tema Gestão da Produção. O desenvolvimento de um tesauro e um glossário oferece inúmeras possibilidades de detalhamento, permitindo alcançar, subjacentemente, uma série de benefícios para a área da engenharia de produção, entre eles:

agilização do processo de disseminação da informação;

colaboração para a normalização da terminologia, facilitando o processo de comunicação e conhecimento;

identificação de termos técnicos nacionais e estrangeiros e sua correspondente definição em língua inglesa e portuguesa;

oferta, através de termos e linguagem técnica adequada, de informações atualizadas nos aspectos científico, tecnológico e gerencial, de uso comprovado na área;

recuperação sistematizada da informação, através da criação de uma base de dados;

estabelecimento de um conjunto de palavras-chave;

oferecimento de um instrumento valioso para a tradução automatizada;

maior facilidade de busca bibliográfica, já que se dispõe de uma estrutura de termos com suas relações explícitas (sinonímicas, de hierarquia e de associação).

 

Metodologia do trabalho

Para o desenvolvimento do trabalho foi utilizada uma metodologia que abarcou desde a necessidade de fixação dos limites do tema abordado até a consolidação do glossário e do tesauro. A figura 1 apresenta a metodologia empregada.

Figura 1 - Metodologia da Pesquisa

 

Delimitação do universo do trabalho

A área abordada foi a Gestão da Produção, que se caracteriza por constituir uma estrutura fluida, não apresentando fronteiras bem demarcadas. Há interpenetrações de assuntos associados, o que aumenta a complexidade do tratamento de termos. É difícil poder-se afirmar categoricamente até onde se deva explorar um assunto sem se invadir um tema de área afim.

Os assuntos enfocados são Sistemas e Filosofias de Produção, Planejamento e Controle da Produção, Gestão de Materiais e Gestão da Qualidade. Foi dada uma ênfase maior ao assunto Planejamento e Controle da Produção. O assunto em estudo constitui uma extensa área de conhecimentos que oferece condições de se compreender as questões básicas relacionadas ao processo produtivo, de se adquirir habilidade de aplicar ferramentas e técnicas à resolução de problemas práticos, e ainda, de permitir a aprendizagem de atitudes e abordagens visando a tomada de decisões, em face de situações complexas.

 

Coleta e classificação dos termos

Na etapa inicial, selecionaram-se os termos a partir de diversas fontes na literatura técnica especializada, textos, dicionários e glossários. Acumulou-se uma quantidade de termos e a partir daí, tentou-se agrupá-los por meio de uma característica comum, surgindo uma classificação. A abordagem predominante foi a indutiva e procurou-se sempre ter em mente os princípios da garantia literária e da garantia de uso.

Após a coleta de termos, procedeu-se à identificação das grandes categorias. Esta fase foi de elaboração lenta e exigiu uma longa maturação. Inicialmente foram identificadas três classes: Filosofia, Técnica e Sistema de Produção. Progressivamente, verificou-se que termos como programação, planejamento, aquisição, previsão não constituiam técnicas, embora parecessem a princípio. Uma técnica é composta de atividades que se orientam por algum procedimento pré-estabelecido. A atividade pura é algo mais abstrato, são os processos, operações e ações. No momento em que se estabelece antecipadamente uma seqüência de procedimentos para esses, não se tem mais uma atividade, evolui-se para uma técnica. A partir destas considerações, firmou-se mais uma classe de conceitos, a de Atividades.

Havia uma grande quantidade de termos com função de parâmetros, ou seja, indicadores característicos de um processo, usados para se comparar com padrões desejados, permitindo uma avaliação de desempenho. Criou-se inicialmente uma classe chamada Parâmetros de Planejamento para estes termos. Um outro grande contingente de termos que logo chamou a atenção foram aqueles que, de uma forma ou de outra, indicavam tempos ou datas. Decidiu-se classificá-los como Tempos, mas na tentativa de definir o que seria Tempos verificou-se que nenhuma das definições propostas era bem adequada a todos os termos integrantes da classe. Percebeu-se então uma característica comum aos Tempos e aos Parâmetros de planejamento: todos são quantificados ou, pelo menos, passíveis de quantificação. Diante desta evidência, decidiu-se fundir as duas classes em uma só classe denominada Quantidade.

Por critérios semelhantes, chegou-se à classe das Características, que são do que qualidades, condições, propriedades, atribuíveis ou atribuídas a conceitos.

Finalmente, restaram inúmeros termos que foram englobados numa categoria que se chamou de Entes. Esta compreende aqueles conceitos que correspondem a objetos concretos ou abstratos integrantes do processo produtivo não enquadrados nas classes já definidas. Desta forma, pôde-se enunciar sete grandes classes de termos do trabalho:

Filosofia - conjunto de considerações que tendem a reunir, numa ordem determinada, intenções e princípios fundamentais que, uma vez integrados, permitem que o sistema produtivo alcance objetivos determinados;

Formas organizativas - as variadas formas tecnológicas e organizacionais que as empresas, à luz de determinada filosofia, adotam na sua concepção e processo produtivo, no que diz respeito à organização da produção;

Técnica - sub-conjunto ordenado de atividades e parâmetros submetidos a uma filosofia que pode ser aplicado a um ou a vários sistemas de produção;

Atividades - funções e fases intrínsecas do processo produtivo;

Entes - elementos concretos ou abstratos integrantes do processo produtivo;

Quantidade - um conceito mensurável, propriedade, condição ou disposição passível de quantificação;

Característica - uma qualidade, condição, propriedade ou disposição atribuível ou atribuída a um ou mais conceitos.

Esta avaliação pôde ser confirmada a posteriori pelos trabalhos de Pugh apud Sager. Constatou-se que havia muita afinidade com a classificação já adotada no caso em estudo, o que ajudou a proporcionar mais segurança, sinalizando que a classificação empregada ocorria numa direção já consagrada.

 

Relacionamento entre termos

Após a obtenção dos termos e de sua classificação, explicitaram-se suas relações. Foi necessário estudar cada assunto abordado de forma a entender mais profundamente a questão e poder determinar o relacionamento entre os termos. Estes relacionamentos, no caso em estudo, são relativos à equivalência, superordenação, subordinação e associação. Alguns termos, na própria definição, já deixavam claro o relacionamento com outros. Houve casos, porém, que a cadeia, para um grupo de termos, foi construída e reconstruída diversas vezes, até se chegar a uma estrutura considerada satisfatória. Houve etapas particularmente complexas, como foi o caso da técnica Manufacturing Resources Planning - MRPII/ Planejamento dos Recursos da Manufatura e da atividade Scheduling/Programação, onde havia uma grande concentração de termos, alguns com definições não muito precisas. Noutros casos, os mesmos conceitos apareciam com denominações diferentes. Aprofundaram-se mais os estudos até poder-se estabelecer com segurança o tipo de relação.

Já no caso da atividade Logistics/Logística, havia inicialmente mais de duzentos termos. O princípio da garantia de uso precisou estar bem presente, pois de pouco adiantaria uma estrutura pródiga em termos que praticamente não se usa. Reduziu-se a cadeia, para contemplar os termos que realmente fossem de uso do público alvo do tesauro.

 

Seleção de definições, traduções e adaptações

Além do tesauro terminológico, este trabalho apresenta também um glossário, com definições de cada termo em inglês e português, procurando-se acrescentar a mais completa sinonímia possível. As fontes pesquisadas para a coleta das definições foram os conceitos emitidos pela literatura técnica geral da área, englobando livros, periódicos, glossários, anais de congressos e dicionários técnicos publicados sobre o assunto no Brasil e exterior. Inicialmente foi feito um levantamento dos contextos onde os termos estavam originalmente inseridos. Selecionaram-se as definições que pareceram mais adequadas ao público alvo. Preferiram-se as definições que retratassem concisamente o sentido integral do conceito, porém, em alguns casos, adotaram-se definições mais extensas em favor de um esclarecimento mais profundo.

As fontes pesquisadas, na quase totalidade, foram em língua inglesa, as definições em português são traduções e adaptações. Sempre que possível, os termos e expressões que já estavam em uso na língua portuguesa foram adotados. A experiência dos autores e os contatos informais com o setor produtivo contribuíram de forma significativa para as traduções e adaptações ao idioma português. Ainda quanto às adaptações sentiu-se, em muitos casos, a necessidade de se construir uma introdução às definições para adequá-las à forma e estilo próprios de um glossário técnico. Estes casos ocorreram com algumas definições que retiradas do contexto, pareciam ficar com pouco sentido. Em diversos casos foi necessário fazer uma composição de definições lançando mão de partes de definição de fontes distintas, de modo a se conseguir um sentido mais completo para o conceito. O critério para adoção de denominações de termos em português foi que tivessem respaldo na língua escrita, na literatura técnica ou que fossem de uso bem difundido na linguagem normalmente empregada por profissionais da área. Isto foi feito para minimizar a proliferação de termos estranhos à língua portuguesa. Utilizaram-se algumas expressões em uso na língua falada, mesmo que não figurassem nas fontes pesquisadas.

 

O tesauro

O tesauro elaborado consta de 856 termos, 640 dos quais descritores e 216 não descritores. Para informatizar e permitir a recuperação automática do tesauro, utilizou-se o software TECER, (IBICT, 1989). O TECER é um sistema de elaboração de tesauros em microcomputador e foi desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Com a ajuda do TECER, foi criado um tesauro bilíngüe (inglês e português) e polihierárquico, ou seja, um termo específico pode-se ligar a mais de um termo genérico. Todos os termos foram classificados em um sistema com sete categorias. Diversos tipos de relatórios de saída podem ser gerados através do sistema TECER. Escolheram-se, para apresentação neste trabalho, três relatórios de saída listados por ordem alfabetica do termo em inglês.

a. Saída total, não ordenada por categoria, apresentado a totalidade dos termos armazenados, em inglês e português. Este relatório é importante para se ter acesso à denominação de todos os termos com as respectivas traduções.

Ex. abc analysis/análise abc
abc classification/classificação abc
abnormal demand/demanda extraordinária
absortption costing/apropriação de custos por absorção
acceptable quality level/nível de qualidade aceitável
acceptance sampling/aceitação de amostragem
acceptance sampling plan/plano de aceitação de amostragem
accuracy/precisão
aquisition cost/custo de aquisição
action message/mensagem de ação
action plan/plano de ação

b. Saída total, ordenada por categoria, onde se apresentam todos os termos pertencentes a cada categoria. Esta saída mostra os termos também em inglês e português.

Ex. Categoria : filosofia
automation/automação
continuous improvement/melhoramento contínuo
just in time/justo a tempo
pull system/filosofia de "puxar"
push system/filosofia de "empurrar"
total quality management/gestão da qualidade total

c. Saída estruturada, não ordenada por categoria. Nesta, todos os termos são listados alfabeticamente com suas relações de equivalência, hierárquicas e associativas. A cadeia derivada do termo virá apenas em inglês.

Ex. (6777) negotiation/negociação
TG1 project planning
TG2 project management
TE1 positional negotiation
TE1 principled negotiation
TE2 win-win
Negotiation é o termo consultado. TG1 é o termo mais abrangente imediato a negotiation. TG2 é o mais abrangente imediato a TG1. TE1 é o termo imediatamente mais restrito a negotiation (no caso, existem dois) e TE2, o restrito relativo a principled negotiation. Observe-se que apenas os termos descritores vêm precedidos por um código entre parênteses.

Além dos relacionamentos já explicitados no exemplo, há o TR que é termo relacionado ou associado ao descritor. Jidoka, poka-yoke e total quality management são termos associados a just in time.

 

O glossário: integração e compatibilidade com o tesauro

O glossário é bilíngüe (inglês e português) e apresenta 856 termos pertinentes e representativos da área de Gestão da Produção. Trata-se de um glossário ordenado alfabeticamente, onde cada verbete é acompanhado da definição em inglês, em seguida, da denominação do termo e definição em português.

Para uma grande quantidade de termos, adotaram-se definições precisas e concisas. Houve casos porém em que se empregaram definições mais extensas a fim de proporcionar ao usuário um melhor entendimento do conceito. Outra preocupação que se teve foi pesquisar a sinonímia dos termos, escolhendo o mais usado para apresentar o enunciado da definição, adotando-se o sistema de remissiva para os demais. Apresentam-se também as siglas usadas para muitos termos.

Procurou-se elaborar um glossário e um tesauro perfeitamente compatíveis. O glossário construído apresenta as definições dos termos que, no tesauro, são descritores. Os termos não descritores do tesauro correspondem, no glossário, às siglas e à sinonímia apresentada e documentada no sistema remissivo.

Apenas em raríssimos casos, permaneceram no glossário alguns termos que ficaram sem tradução para o português. Estes casos ocorreram em situações em que não havia equivalência entre termos-fontes e termos-alvos ou quando havia abundância de termos em inglês para o mesmo conceito e não havia a mesma abundância em português.

 

Dificuldades no desenvolvimento do trabalho

A elaboração deste trabalho ensejou um conjunto de dificuldades que têm como marco inicial a inexistência de fronteiras claras entre os assuntos abordados e áreas subjacentes. Enumeram-se a seguir as principais dificuldades que surgiram na elaboração do Tesauro e do Glossário.

 

Dificuldades na elaboração do tesauro

A atividade de elaboração de tesauros é essencialmente intelectual. Procura-se, a partir da análise semântica dos termos, definir relações entre eles e agrupá-los de acordo com a estrutura conceitual do campo de conhecimentos que está sendo analisado. Toda esse processo envolve uma tarefa complexa de verificação e controle para que se evitem inconsistências. O relacionamento entre os termos apresenta, em muitos casos, um considerável grau de complexidade, agravado pelas poli-hierarquias existentes, o que exigiu o aprofundamento dos assuntos de maneira a possibilitar a configuração de um encadeamento satisfatório.

A fase de classificação dos termos em categorias exige permanentemente uma investigação do significado profundo de cada classe adotada. Acrescente-se a existência natural de áreas de intersecção entre algumas categorias. Durante esta fase, pôs-se em xeque, muitas vezes, o significado profundo de cada classe de termos, bem como as fronteiras de cada uma. Em muitos casos houve dificuldades na decisão de se classificar termos como filosofia ou característica. Por exemplo, a diferença entre filosofia e característica reside exatamente em quê? Filosofia diz respeito a conjunto de considerações, intenções e princípios. Característica diz respeito a uma qualidade, condição, propriedade, disposição. É quase como se as características fossem parte de filosofia. Classificaram-se como características todos aqueles termos que pareciam filosofias mas tinham uma significação mais restrita. É o caso dos termos Competitive orientation/Orientação competitiva, Zero defect/Defeito zero.

Uma outra fronteira muito procurada foi entre atividade e técnica. Chegou-se à conclusão de que a técnica é composta de atividades pré-estabelecidas, seqüenciais. A classe atividade é mais abrangente, mais livre. Assim, Planning/Planejamento é uma atividade, mas Critical path method/Método do caminho crítico é uma técnica de planejamento.

Muita ponderação foi necessária para se distinguir claramente entre alguns entes e algumas técnicas. Mas ao fim de um período de reflexão, concluiu-se que técnica é um processo de elaboração e que o resultado dessa elaboração é um ente. Por exemplo, Bill of material/Lista de materiais é um ente, mas é o resultado da aplicação de uma técnica. Chega-se à lista de materiais através de procedimentos pré-estabelecidos (técnicas), mas o resultado é claramente um ente. Aflorou uma convicção: a técnica dá uma idéia dinâmica, enquanto que o ente não transmite a mesma idéia. É o caso de Budget/Orçamento, que é o produto de muitos cálculos de previsão de receitas e despesas, logo, um ente. O processo de elaboração Budgeting/Orçamentação é uma atividade. Dúvida semelhante surgiu entre técnica e quantidade. A técnica é dinâmica, a quantidade é o produto. Earned value/Avanço é quantidade mas Earned value chart/Gráfico do avanço é técnica.

Outra dificuldade na hora de classificar foi quando se tinha entes qualificados. Havia uma tendência a pensar que Independent demand/ Demanda independente, Industrial products/Produtos industriais poderiam ser características, mas não exatamente características e sim algo caracterizado e este "algo" nada mais era do que um ente. Concluiu-se que um ente caracterizado não deixa de ser ente.

O trabalho de classificação poderia ter sido grandemente facilitado se houvesse sido adotado um número menor de categorias. A intenção foi refinar a estrutura quando houvesse condições para tal. Incrementou-se a complexidade da elaboração em benefício de se chegar a uma estrutura terminológica mais detalhada, mais refinada e mais didática. Com a classificação em 7 categorias, atendeu-se às necessidades previstas no início da elaboraração deste trabalho.

O sistema Tecer, utilizado para a construção do tesauro, apresenta algumas limitações que podem trazer dificuldades para o usuário. Seria desejável que o sistema fizesse cópias automáticas de segurança dos arquivos, antecipando-se a possíveis problemas durante um processamento e dispusesse de maior flexibilidade para geração de relatórios.

 

Dificuldades na elaboração do glossário

A elaboração de um glossário requer uma pesquisa criteriosa de forma a se conseguirem definições esclarecedoras para os termos. Na construção deste glossário, o número de fontes pesquisadas intensificou a complexidade de elaboração. Houve a preocupação e o cuidado de se pesquisarem diversos textos para cada assunto, adotando-se para definições os contextos mais elucidativos. Em muitos casos, foi necessário proceder-se a uma composição entre as diversas definições encontradas de forma a se conseguir uma satisfatória.

A fase de tradução e adaptação das definições resultou extremamente custosa. Realizaram-se pesquisas exaustivas de contextos na literatura em português. Mantiveram-se inúmeros contatos com profissionais de áreas afins e do setor produtivo, para se adotarem as expressões normalmente em uso.

Segundo Nakayama (1990), ao se realizarem as atividades de tradução e adaptação da terminologia, surgem vários problemas e dificuldades resultantes de um contato lingüístico e cultural entre duas civilizações distintas. Traduzir significa efetuar uma transferência lingüística do termo-fonte para o termo-alvo, da língua-fonte para a língua-alvo. Na tradução podem surgir diversas situações, que vão desde a equivalência exata entre o termo-fonte e o termo-alvo, até a inexistência de equivalência entre esses. Há diversos estágios intermediários como: sinonímia no termo-fonte, no termo-alvo e/ou em ambos, empréstimos, e outros.

O caso que não apresenta dificuldade para a tradução é quando existe equivalência exata entre o termo-fonte e o termo-alvo. A tradução é imediata. Por exemplo, Automation/ Automação, Forecasting/Previsão, Network/Rede, Resource/Recurso. Quando na tradução, não existe equivalência entre o termo-fonte e o termo-alvo, faz-se uso amplo de adaptação. Exemplos: Lead time/Tempo de espera, Commonality/Propriedade das partes comuns e muitos outros.

 

Conclusões e recomendações

O objetivo fundamental desta trabalho é apresentar o desenvolvimento de um banco de termos estruturado para o tema Gestão da Produção. O produto elaborado constitui uma contribuição útil para a disseminação de conhecimentos sobre o tema Gestão da Produção, vindo também precisar melhor a linguagem utilizada comumente na área. Uma pesquisa dessa natureza configura um sistema aberto. É possível chegar-se a um outro banco de termos seguindo-se a mesma metodologia. Isto ocorre por conta das possibilidades diferenciadas de delimitação do universo do trabalho, hierarquização dos termos e grau de detalhamento de cada assunto, levando à adoção de um maior ou menor número de conceitos.

O surgimento, nos últimos anos, de novas terminologias dentro do âmbito da Engenharia de Produção, como a Gestão da Qualidade Total, Manufatura Integrada por Computador, Manufatura Celular, Tecnologia da Produção Otimizada, entre outras, faz ver que ainda não houve tempo para consolidar as novas linguagens. Não necessariamente, os termos representam uma nova tecnologia, apenas uma outra forma de enfocar o tema.

O estudo realizado abre um vasto campo para novas pesquisas. A realização deste trabalho pode servir como ponto de partida para o desenvolvimento de temas associados. Com este objetivo, podem-se enumerar:

refinamento da estrutura do tesauro;

estabelecimento de novas relações entre os termos;

padronização das definições do glossário;

reorganização do glossário por tema de Gestão da Produção.

 

Bibliografia básica

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