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1988-2002
Presentación / Apresentação
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VII Simpósio (2000)
VIII Simpósio (2002)
Índice por autores

 

 

Terminologia e transferência de tecnologia

Guido Irineu Engel
Bristol Biscarra Neto
Universidade Federal do Paraná
Brasil

 

Resumo

O presente trabalho tem por finalidade discutir o papel do trabalho terminológico no contexto do processo de comunicação nas áreas de ciência e tecnologia, com vistas a aumentar a eficiência do processo na troca de experiências entre os seus participantes. Para tanto, são levantados alguns problemas (ruídos) no processo de comunicação técnico-científica e apresentadas propostas de solução à base da teoria geral da terminologia e, mais especificamente, discute-se como a normalização da terminologia pode contribuir para a maior eficiência no processo de transferência da tecnologia à base de exemplos de áreas especificas.

Finalmente o trabalho, além de outras propostas, aponta para a necessidade de recursos humanos devidamente preparados em terminologia para atuarem como intermediadores no processo de comunicação e transferência de tecnologia em nosso país.

 

I Introdução

O conhecimento científico e tecnológico é hoje um recurso estratégico para o desenvolvimento sócio-econômico de um país, pelo fato de exercer um impacto decisivo na produtividade e qualidade dos bens e serviços produzidos. Em face disto, a maior parte dos países adiantados investe maciçamente na produção de conhecimentos científicos e tecnológicos, de sorte que o número de cientistas atualmente existente supera o de todo o período histórico que nos precedeu.

A produção de novos conhecimentos está intimamente ligada à proliferação de novos termos, pois cada idéia precisa ser designada por um termo, a fim de poder ser comunicada ao público interessado, visto que o progresso numa área depende, em parte ao menos, do processo de transferência da informação. Acontece, porém, que os recursos lingüísticos disponíveis, sob a forma de raízes e afixos, estão muito aquém das necessidades atuais para a designação de idéias e conhecimentos produzidos. O processo da proliferação de termos, quando não controlado em seu desenvolvimento, leva a problemas de comunicação, cuja gravidade tende a se agravar.

O presente trabalho tem por finalidade discutir o papel do trabalho terminológico no contexto da comunicação nas áreas de ciência e tecnologia, com vistas a aumentar a eficiência do processo na troca de idéias entre os seus participantes. Para tanto, são levantados alguns problemas (ruídos) no processo de comunicação técnico-científica e apresentadas propostas de solução com base na Teoria Geral da Terminologia e, mais especificamente, discute-se como a normalização da terminologia pode contribuir para maior eficiência no processo da transferência da tecnologia. Neste contexto, a pesquisa terminológica é ilustrada com um exemplo de uma área específica.

 

II. O processo de comunicação

A comunicação pode ser definida como a transferência de informação ou de significados por meio de símbolos - lingüísticos ou não-lingüísticos (imagens, sinais óticos ou acústicos) - entre dois ou mais indivíduos. Analisando esta definição mais profundamente, verifica-se que o processo é composto de vários elementos. Entre estes destacam-se:

o emissor: é aquele que codifica uma mensagem para ser transmitida;

a mensagem: é o conteúdo da comunicação que o emissor quer transmitir ao receptor;

o canal: é o meio usado para transmitir a mensagem; em ciência e tecnologia é geralmente a linguagem escrita ou falada.

o receptor: é o indivíduo ou indivíduos para os quais o emissor destina a mensagem. Se o canal for a linguagem escrita ou falada, o receptor em ciência e tecnologia pode ser o leitor de um texto, o ouvinte de uma palestra ou o interlocutor.

A condição básica para a eficiência da comunicação é que emissor e receptor comunguem de um sistema de referência comum, isto é, os sinais utilizados devem ter para ambos o mesmo significado ou, no mínimo, significados semelhantes. Cada elo numa corrente de comunicação pode sofrer a influência de fatores que interferem, em maior ou menor grau, no processo de comunicação. Em termos gerais, os principais fatores que podem interferir no processo são: um sistema de referência comum insuficientemente estruturado, devido a diferenças individuais ou sócio-culturais entre os membros do processo; interferências na formação motora dos sinais ou em sua percepção sensitiva; erros de transmissão por parte do emissor; erros por parte do receptor ou perdas de informação provocadas por elos técnicos intermediários numa corrente de comunicação.

 

III. Problemas de comunicação em ciência e tecnologia

Na comunicação técnico-científica, o principal ruído é o sistema de referência comum insuficientemente estruturado entre emissor e receptor, de sorte que nem sempre os mesmos falam a mesma linguagem quando procuram comunicar-se. A seguir far-se-á uma exposição sucinta sobre os principais problemas que podem interferir na comunicação em ciência e tecnologia. Quanto a isto, será feita uma distinção entre falantes de um mesmo idioma e entre falantes de idiomas diferentes (por exemplo numa conferência para um público internacional).

Entre falantes de um mesmo idioma podem surgir os seguintes problemas de comunicação:

a polissemia: ocorre quando um termo é usado para designar dois ou mais conceitos, embora estes possam ter alguma semelhança entre si, se bem que não pertençam, necessariamente, ao mesmo sistema de conceitos. Exemplo:

Neste exemplo, o elemento comum é o de "estabelecer uma ligação entre dois pontos afastados" [1].

a sinonímia: ocorre quando dois ou mais termos do mesmo idioma designam o mesmo conceito. Exemplo [2]:

quase-sinonímia: se dá quando dois conceitos são tão semelhantes que se confundem os termos, de sorte que até profissionais os empreguem como sinônimos. Exemplo: curandeiro, charlatão [3].

a pseudo-sinonímia: não se trata de sinonímia, mas de uso equivocado de termos, dos quais se supõe que são sinônimos devido à falta de conhecimento profissional na área.

Exemplo: Elasticidade e plasticidade [4].

a homonímia: um termo que designa dois ou mais conceitos, entre os quais não há relação semântica. A homonímia só constitui um obstáculo à comunicação se ocorre dentro do mesmo campo de saber ou no mesmo sistema de conceitos.

Exemplo:

Entre falantes de idiomas diferentes podem surgir, além dos problemas mencionados para falantes de um mesmo idioma, ainda problemas relacionados com diferentes graus de equivalência entre conceitos dos dois idiomas. A comunicação só pode ser plenamente eficiente quando houver equivalência plena entre um conceito do idioma A e do idioma B, isto é, quando o conteúdo dos dois conceitos for plenamente coincidente. Na realidade, cada língua está sujeita, em seu desenvolvimento, a condicionamentos sócio-culturais distintos, motivo pelo qual as línguas diferem umas das outras quanto ao modo de divisão da realidade empírica em conceitos. Veja-se, para isto, as diferenças existentes entre países quanto aos sistemas econômicos, jurídicos, educacionais, etc. Assim, por exemplo, o significado da palavra "sindicato" não é o mesmo entre a República Federal da Alemanha e a República Democrática Alemã. Na primeira, "sindicato" é um órgão da classe dos trabalhadores, ao passo que na República Democrática é um aparelho político de aplauso; o mesmo acontece com o termo "empresa". Na República Democrática "empresa" é uma entidade que recebe ordens, em conformidade com um plano macroeconômico, enquanto que na República Federal é um instrumento altamente técnico de decisão gerencial [5].

 

IV. Soluções adotadas

1. Os precursores de Wüster

Os problemas acima apontados, sobretudo os relacionados com a transposição de mensagens de uma língua para outra, foram sentidos há muito tempo e afetam hoje não só os tradutores e intérpretes, mas também entidades como as empresas multinacionais, instituições supranacionais, como a ONU, a Comunidade Econômica Européia, a NATO ou, de modo geral, sobretudo áreas como a economia, a política, ciência e tecnologia.

Já relativamente cedo na história, em decorrência do avanço das ciências naturais, surgiu a necessidade de comunicação sobre assuntos sempre mais especializados e, conseqüentemente, sentiu-se a necessidade de criar e delimitar signos lingüísticos para a designação da estrutura conceitual das diversas ciências. Entre os precursores de terminologias sistemáticas citam-se Versalius (1514-64) na área de anatomia; Lavoisier e Bertholet (séc. XVIII) na área de química; Linneu (1707-78) em botânica e zoologia [6]. No século passado surgiu a necessidade da normalização de objetos, medidas, unidades, magnitudes, etc., com a qual está intimamente relacionado o problema da designação lingüística desses objetos e grandezas. No século passado a necessidade de comunicação entre especialistas tornou-se mais patente por ocasião de congressos internacionais realizados nas áreas de medicina, química e física.

Até o final do século XIX os lingüistas não desempenharam um papel decisivo nessas discussões. As linguagens profissionais (tecnoletos) não estavam no centro de seus interesses. Somente após a Primeira Guerra Mundial, o contato da lingüística com os tecnoletos se deu de modo mais formal, com as escolas superiores de estudos mercantis (Handelshochschulen) que, além das disciplinas econômicas, ministravam aulas também em línguas (linguagens profissionais), de modo a surgir, então, a lingüística econômica.

Os vários dicionários especializados, elaborados em diferentes áreas nas primeiras décadas deste século, também refletem a necessidade da comunicação técnico-científica sem ambigüidades. Destaque especial merece aqui o trabalho do engenheiro alemão Schlomann que, ao invés da elaboração alfabética convencional dos dicionários, introduziu a elaboração sistemática dos mesmos, onde o sistema de conceitos é o princípio ordenador das unidades lexicográficas [7].

 

2. A contribuição de Wüster

Um dos pesquisadores que mais se destacou na área da terminologia neste século foi o engenheiro austríaco Eugen Wüster (1898-1977), que fundamentou a Teoria Geral da Terminologia. Sua tese de doutorado com o título "Internationale Sprachnormung in der Technik, besonders in der Elektrotechnik" (1931) é a primeira exposição de uma teoria da terminologia. Nela expõe os princípios básicos da Teoria Geral da Terminologia. Esta obra também constitui a base científica para a elaboração de princípios terminológicos e dos métodos da lexicografia terminológica pela "International Standardization Qrganization" (ISA) antes da Segunda Guerra Mundial e pela "International Standardization Organization" (ISO) após a mesma. Em ambas as organizações Wüster desempenhou um papel decisivo.

2.1. A Teoria Geral da Terminologia

Wüster considera a Teoria Geral da Terminologia como um ramo distinto da ciência, uma área interdisciplinar entre a lingüística, a lógica, a ontologia, as ciências da informação e as áreas específicas [8]. Esta teoria trata da pesquisa dos conceitos e dos termos a eles associados. Mais especificamente, estuda a natureza dos conceitos e sua criação, as características dos conceitos, as relações entre os conceitos e sistemas de conceitos, a descrição de conceitos, a atribuição de termos a conceitos e, ainda, a natureza e a criação de termos [9].

2.2. Distinção entre a Teoria Geral da Terminologia e a Lingüística

Segundo Wüster [10], as diferenças entre a Teoria Geral da Terminologia e a Lingüística são diferenças de enfoque e dizem respeito tanto ao estado de uma língua quanto ao desenvolvimento da mesma.

a) Diferenças quanto ao estado de uma língua:

A Teoria Geral da Terminologia parte de conceitos e procura delimitá-los estritamente. O domínio dos conceitos é considerado como sendo independente do domínio dos termos. O conceito é o significado do termo. A conotação das palavras não existe para os termos. Para a maior parte dos lingüistas, entretanto, a palavra é uma unidade indissolúvel entre o conteúdo da palavra e sua forma. A palavra, além do sentido literal, tem também suas conotações, nuanças emocionais de significado que ela desperta. Esquematicamente, essas diferenças podem ser expostas da seguinte forma:

Triângulo semântico
(Modelo de palavra para os lingüistas)

Este triângulo foi introduzido por Gomperz (1908). De acordo com Felber [11], o mesmo foi usado por uma série de outros autores, como Dittrich (1913), Ogden (1923), Ullmann (1952), Knobloch (1956) e Baldinger (1959).

O modelo básico de palavra de Wüster, levemente simplificado por Picht [12], é o seguinte:

 

A parte superior do gráfico representa o domínio dos conceitos e a parte inferior representa a realidade perceptível. Um conceito (A) é realizado por uma série de objetos individuais (a1, a2, a3, a4), assim como o signo (B) é também o conceito geral de signos individuais de uma forma fônica ou escrita (b1, b2, b3, b4). O domínio dos conceitos é separado do domínio dos signos por um traço, sendo que o signo (B) é constantemente atribuído ao conceito (A).

2.2.1.2 Devido à primazia dos conceitos, ao terminólogo só interessam os termos dos conceitos, ou seja, as terminologias. Não lhe interessam as regras de flexão e a sintaxe. As regras gramaticais são assumidas da linguagem comum.

2.2.1.3 O modo de encarar a linguagem é sincrônico: o que importa ao terminólogo é o significado atual dos termos e o sistema de conceitos.

2.2.2 Diferenças quanto ao desenvolvimento das línguas

2.2.2.1 As terminologias são criações deliberadas: ao contrário da linguagem comum, onde a norma se baseia no uso da linguagem (padrão descritivo), na terminologia, onde o desenvolvimento autônomo da linguagem haveria de levar ao caos, a norma sobre o uso de conceitos e termos é fruto do acordo entre os terminólogos (padrão prescritivo), geralmente endossado por uma autoridade.

2.2.2.2 Visão internacional da linguagem

A normalização dos termos exige a adoção de princípios terminológicos e terminográficos. Estes foram e continuam a ser elaborados, com base na Teoria Geral da Terminologia, pela "International Organization for Standardization" (ISO) e, mais especificamente, pelo Technical Commitee 37", que dela faz parte.

2.2.2.3 Primazia da forma escrita em relação à forma falada
A forma escrita dos termos é unificada internacionalmente. Exemplos são o grande número de termos com raízes latinas e gregas, como a palavra "psicologia".

2.2.3. Outras diferenças

O trabalho do terminólogo não só parte dos conceitos, mas também encara todos os conceitos de uma área específica em sua relação com os demais conceitos, isto é, como membros de um sistema de conceitos. Isto leva à exposição sistemática da terminologia de uma área em dicionários técnicos, ao invés da exposição alfabética tradicional. A exposição sistemática toma possível a comparação de sistemas de conceitos numa área em duas ou mais línguas.

2.3. O conceito

De acordo com o exposto acima, verifica-se que o conceito ocupa uma posição central na Teoria Geral da Terminologia. No triângulo semântico e no desdobramento deste por Wüster, verificou-se a relação entre termo (palavra), conceito e a realidade extralingüística. Resta ainda verificar, de modo mais específico, o que Wüster entende por "conceito" quando diz que é o significado do termo e ilustrar o que entende por relação entre conceitos, a qual está na base dos sistemas de conceitos.

Felber [13] assim resume as ideias de Wüster sobre o conceito: o conceito é um construto mental representando um objeto material ou imaterial. Ele consiste de um agregado de características, que podemos perceber como sendo comuns a um número de objetos individuais. Estas características são usadas como meios de ordenação mental e para a comunicação. As próprias características também são conceitos. Os conceitos podem ser representações mentais não só de coisas ou seres, mas também de qualidades, ações, localizações, situações, ou relações. Além disto, dois ou mais conceitos podem ser combinados para a formação de um conceito composto. Exemplo: cosmos + nave = cosmonave.

2.4. Compreensão dos conceitos

O conjunto de características de um conceito, que possibilita uma reunião mental de objetos individuais e a delimitação mútua dos conceitos, constitui a compreensão do conceito. Picht (14) apresenta o seguinte exemplo:

MODELO SIMPLIFICADO DE COMPREENSÃO

Automóvel

Caminhão

Caminhão cisterna

 

 

 

1. veículo

 

 

2. propulsão
a motor

 

 

3. mecanismo
de direção


como em
1-3

 

 

4. projetado
para levar
carga

como em
1-4

 

 

5. transporta geralmente
líquidos

 

Os elementos 1-3, 1-4 e 1-5 constituem, respectivamente, a compreensão dos conceitos "automóvel", "caminhão" e "caminhão cisterna". Como ilustrado pelo esquema, as características constituem a base para a delimitação de conceitos semelhantes e, assim, constituem a base para a formação de sistemas de conceitos, como será visto abaixo.

2.5. Extensão dos conceitos

O conjunto de objetos individuais que têm as características do conceito em questão constitui sua extensão. Exemplo: Brasileiros são todos os indivíduos que têm a nacionalidade brasileira. Por extensão também se entende o conjunto de todas as espécies do conceito que tenham o mesmo grau de abstração.

Exemplo:

Neste exemplo são espécies: "espacial", "aquático", "aéreo" e "terrestre".

2.6. Sistemas de conceitos

Os conceitos de uma área do saber não podem ser vistos isoladamente, mas em suas relações com os demais conceitos. Somente assim é possível uma compreensão mais aprofundada dessa área. Um sistema de conceitos não é um mero jogo intelectual, mas uma classificação dos conceitos de uma área ou de parte dela, com base nas características dos conceitos envolvidos ou com base nas relações entre os objetos individuais (contigüidade) que são realizações dos conceitos. Num sistema, um conceito determinado revela suas relações com outros conceitos. Há vários tipos de relações entre conceitos. Entre elas citam-se as seguintes [15]:

1. relações lógicas

2. relações ontológicas

no espaço

no tempo

3. outras:

relação ontológica no tempo: como "antecessor-sucessor";

relação causal: "causa-efeito";

relação genética: "produtor-produto";

relação de transmissão: "remetente-destinatário";

relação instrumental: "ferramenta-aplicação da mesma";

relação funcional: "argumento-função".

Destas relações, as mais importantes são as lógicas e as ontológicas.

2.6.1 Relações lógicas

As relações lógicas baseiam-se no fato de que uma parte das características são comuns, isto é, os conceitos são semelhantes. Essas relações são também chamadas de relações gênero-espécie. Exemplo [16]:

No exemplo acima, a relação entre os conceitos "Veículo" e "aquático" é dita vertical e a relação entre os conceitos "terrestre", "aquático", "aéreo" e "espacial" é dita horizontal [17].

2.6.2 Relações ontológicas

As relações ontológicas baseiam-se na contigüidade dos elementos que formam o sistema, isto é, no contato no espaço e no tempo. Tal como nas relações lógicas, distinguem-se aqui também as relações verticais e as horizontais entre os elementos. As relações ontológicas mais importantes são as existentes entre o todo e suas partes e as constatadas num sistema evolutivo (por exemplo, evolução biológica, processo de fabricação de produtos, evolução de uma língua). Segue um exemplo que ilustra a relação do todo com suas partes [18]:

Neste exemplo, a relação entre automóvel" e "motor" é vertical, ao passo que as relações entre "chassis", "motor", etc. são horizontais.

2.7. Função dos sistemas de conceitos

Como foi visto, a comunicação eficiente entre falantes de idiomas diferentes numa área específica só é possível se houver conceitos e sistemas de conceitos unificados. Estes são o fruto do trabalho terminológico. Para chegar a isto, o terminólogo, numa primeira instância, faz o levantamento dos termos de uma área em duas ou mais línguas, organiza-os num sistema, para depois fazer a comparação dos sistemas e verificar o grau de equivalência dos conceitos envolvidos. A função dos sistemas é, pois, a verificação do grau de equivalência dos conceitos.

Nos casos em que dois conceitos de dois idiomas diferem significativamente quanto ao seu conteúdo ou quando um conceito falta num dos idiomas, há três alternativas para a introdução desse conceito num idioma [19]:

a) Empréstimo do termo da língua-fonte ou sua tradução, sobretudo quando o conteúdo do conceito é, de modo especial, típico para a língua-fonte, e por isso, difícil de ser traduzido. Por exemplo, o termo "ombudsman" em português, como empréstimo do idioma sueco; "código de endereçamento postal", como tradução do termo "Postleitzahl" da língua alemã.

b) Criação de um termo adequado na língua-objeto. Exemplo: ao termo "Master-thesis" corresponde, em português, "Dissertação de Mestrado".

c) Criação de um equivalente explicativo. Este é um caso freqüente que se verifica na prática profissional do tradutor técnico. O mesmo pode até conter características de uma definição. Por exemplo, o termo inglês "denuclearization" poderia ser traduzido para o português como "criação de zonas livres de armas nucleares".

O problema da falta de equivalentes na língua-objeto é freqüente em países em desenvolvimento, que procuram assimilar conhecimentos ou tecnologias produzidos em países mais adiantados. A par disso, ocorre sempre que um novo conhecimento ou tecnologia deve ser exportado após sua produção no país de origem.

 

V. Terminologia e assimilação de tecnologia

A seguir será apresentado um exemplo prático para ilustrar como a Teoria Geral da Terminologia e, mais especificamente, a pesquisa terminológica, na qual se aplicam os princípios da Teoria Geral da Terminologia, pode contribuir para a assimilação da tecnologia de modo mais eficiente. O exemplo a ser abordado é da área do Serviço de Controle de Tráfego Aéreo. Segundo o "American Language Course" do "Air Training Command", dos Estados Unidos da América [20], esta área compreende um vasto cabedal de atividades, entre as quais citam-se, como principais, as seguintes:

1. Organização do Serviço de Controle de Tráfego Aéreo;

2. Navegação Aérea;

3. Auxílios para a Navegação;

4. Planos de Decolagem e Vôo;

5. Torres de Controle;

6. Radares;

7. Procedimentos de Tráfego Aéreo; e

8. Identificação de Aeronaves.

No presente trabalho é abordada uma atividade que se enquadra no item l, Organização do Controle de Tráfego Aéreo. Vamos supor que esta atividade constitua uma tecnologia originariamente veiculada em língua inglesa e que, agora, deva ser assimilada por alunos de escolas brasileiras para a formação de oficiais da Aeronáutica. O texto em língua inglesa, que faz parte do "American Language Course" do "Air Training Command", é o seguinte:

LANDING INFORMATION

Reading

This phase is the portion of the approach pattern which includes any holding or vectoring. Holding or vectoring is accomplished in the area of an airfield to a range of seven miles from the touchdown point on the inbound heading of the final approach at traffic altitude. The proper airspeed during this phase is one which normally would be used on the downwind leg of a visual pattern. During the initial approach phase the GCA operator normally gives the last weather, direction of landing, length of the runway, and other landing information. This information influences the determination of the airspeed and flap_setting for the final approach phase. If the ceiling and visibility are low, the airspeed and flap setting may be adjusted accordingly. [21]

No texto todos os termos técnicos estão sublinhados. Para facilitar a apresentação e torná-la menos extensa, apenas um termo será abordado de modo mais intenso de acordo com o que propõe a Teoria Geral da Terminologia. Esse termo será "downwind leg". No que diz respeito aos demais termos, será verificada apenas a definição em língua inglesa com base nas seguintes fontes:

UNITED STATES. DEPARTMENT OF DEFENSE. American Language Course . Series 4100. Lackland: Air Force Training Command, 2. ed., 1981.

HEFIIN, W A. ed. The United States Air Force Dictionary . Washington: Air University Press, 1956.

ESCOLADE COMANDO E ESTADO MAIOR DA AERONÁUTICA. Glossário de Termos Padronizados . Rio de Janeiro, 1962. (Esta obra também possui os termos em língua inglesa, com a respectiva definição e está baseada na International Civil Aviation Organization - ICAO - Doc. 8800, Vol II).

Os termos e as respectivas definições em língua inglesa encontram-se nos anexos I e II do presente trabalho, juntamente com os termos correspondentes em língua portuguesa e a tradução das definições. O termo "downwind leg", como objeto principal de análise, será enquadrado, além disto, no respectivo sistema de conceitos para fins de verificação de sua relação com os demais conceitos do sistema. O anexo I diz respeito aos termos do sistema de conceitos que engloba o conceito "downwind leg" e o anexo II engloba os termos, definições e sua tradução, referentes aos termos restantes do texto em língua inglesa, acima apresentado.

A seguir é apresentado o sistema de conceitos que engloba "downwind leg":

O sistema de conceitos acima não é um sistema completo, pois somente retrata o essencial para fins de localização do conceito em pauta. Assim o sistema não fornece as subdivisões do conceito "take off procedures". Quanto ao conceito "landing procedures", apenas fornece a subdivisão do item "ground control approach" (GCA) e, dentro deste, apenas focaliza o "conventional rectangular pattern", e assim por diante. Analisando o sistema de conceitos, verifica-se que o conceito "downwind leg" é a segunda fase do conceito "initial approach phase", sendo precedido pela fase "45° entry leg" e seguido pelas fases "base leg" é "final turn".

O sistema de conceitos até aqui descrito é um sistema ontológico, de divisão do todo em suas partes e, mais especificamente, indica as diferentes fases de um procedimento (= descrição de processo). O gráfico seguinte retrata as fases do "initial approach phase", onde novamente aparece o conceito "downwind leg" e os conceitos envolvidos apresentam relações temporais [22]:

Com base na tradução das definições dos conceitos acima e nos termos equivalentes em língua portuguesa (anexos I e H), é agora possível desenvolver o sistema de conceitos nessa língua e dar a tradução do texto inicial em língua inglesa, que foi o ponto de partida da análise realizada:

Sistema de conceitos

 

Tradução do texto

Esta fase é a parte do padrão de aproximação que inclui qualquer espera ou vetoração. Uma espera ou vetoração é realizada na área de um campo aéreo em uma distância de sete milhas, do ponto de toque na proa de entrada da aproximação final em tráfego alto . A velocidade aérea apropriada durante esta fase é a mesma que normalmente seria usada durante a perna de vento de um padrão visual. Durante a fase de aproximação inicial, o operador de controle de aproximação de solo normalmente fornece a última condição do tempo, a direção de aterrissagem, a extensão da pista, e outras informações de aterrissagem. Estas informações influenciam a determinação da velocidade aérea e o ajustamento do "flap" para a fase final da aproximação. Se o teto e a visibilidade estiverem baixos, a velocidade aérea e o ajuste do "flap" podem ser regulados de acordo.

Com base no estudo das definições dos termos técnicos e de sua inserção nos respectivos sistemas de conceitos, é possível agora ao aluno de uma escola de formação de pilotos assimilar a tecnologia originalmente veiculada em língua inglesa: isto compreende em primeiro lugar a assimilação da terminologia e, a seguir, a assimilação da respectiva tecnologia.

 

VI. Conclusões

O presente trabalho partiu dos problemas de comunicação que surgem em ciência e tecnologia quando é deixado livre curso à disseminação vertiginosa de termos técnicos nas diferentes áreas do saber, sem a intervenção de princípios norteados para a criação de novos termos e para a normalização dos já existentes em linguagens específicas (tecnoletos). O problema da comunicação resultante, se já é grave para os falantes de um mesmo idioma, é ainda agravado quando falantes de idiomas diferentes procuram comunicar-se. Considerando que, por motivos políticos, não foi possível à comunidade das nações decidir-se por uma língua internacional única para a comunicação em ciência e tecnologia, a Teoria Geral da Terminologia, de Eugen Wüster, se propôs a solucionar este problema da comunicação partindo, num primeiro instante, dos conceitos, aos quais, num segundo Geral da Terminologia, de Eugen Wüster, se propôs a solucionar este problema da comunicação partindo, num primeiro instante, dos conceitos, aos quais, num segundo instante, são atribuídos termos. A seguir propõe métodos para a definição dos conceitos e para sua ordenação num sistema de conceitos, de acordo com as diferentes áreas do saber. A comparação dos sistemas de conceitos permite verificar o grau de equivalência entre conceitos de línguas diferentes, para então proceder à uniformização dos mesmos. Para todas essas etapas foram elaborados, por órgãos internacionais competentes e à luz da Teoria Geral da Terminologia, princípios terminológicos e lexicográficos internacionais. Desta forma, a Teoria Geral da Terminologia torna possível a normalização da terminologia já existente nas diversas áreas, e manter sob controle o processo da criação de novos termos no futuro. Com isto, fornece elementos para uma comunicação mais eficiente, pois contribui para a maior clareza das informações. Finalmente, alerta ainda o nosso país e os demais países em desenvolvimento para a necessidade urgente de normalização da terminologia nos respectivos idiomas nacionais, e para a criação de termos para conceitos para os quais não há equivalentes na língua nacional, como condição prévia para a assimilação plena dos conhecimentos veiculados em língua estrangeira.

 

VII. Sugestões

Diante do fato de que a pesquisa terminológica é ainda praticamente inexistente em nosso país, são apresentadas, a seguir, algumas propostas para inserir o nosso país nos esforços da comunidade internacional nessa nova linha de pesquisa:

1) Criação de uma instituição para a coordenação das atividades terminológicas a nível nacional.

2) Celebração de um convênio com Portugal, para que nosso país tenha acesso aos dados terminológicos já elaborados em língua portuguesa no seio da Comunidade Econômica Européia.

3) A nível de universidades:

conscientização dos pesquisadores das diferentes áreas para os problemas de comunicação sem o respaldo de uma pesquisa terminológica abrangente;

introdução de cursos de terminologia a nível de graduação e pós-graduação, não só na área de letras, mas também em outras, onde os problemas de comunicação são mais prementes;

elaboração e execução de projetos de pesquisa terminológica;

cooperação com outros órgãos nacionais e internacionais para o intercâmbio de dados terminológicos.

4) A nível de empresas e administração pública:

conscientização para a problemática da comunicação na ausência de uma terminologia normalizada;

criação de centros terminológicos, em convênio com as universidades, para a coleta da terminologia existente, ordenação dos dados em sistemas de conceitos para sua ulterior normalização e registro em bancos de dados terminológicos;

criação de centros de tradução para a importação e exportação de tecnologia.

 

[1] PICHT, H. Los términos. Actas. 1. Seminário Nacional de Terminologia. 11 a 15 de abril de 1983. Universidad Simon Bolívar, Caracas, Venezuela, 1984, p. 109-131.

[2] PICHT, H. Los términos, p. 115.

[3] PICHT, H. Los términos, p. 116.

[4] PICHT, H. Los términos, p. 116.

[5] Revista SCALA, 3 de abril de 1990, p. 16.

[6] PICHT, H. Breve história y situación actual de la teoria, la investigación y la practica terminologicas. Actas. 1. Seminário Nacional de Terminologia. 11 a 15 de abril de 1983. Universidad Simon Bolívar. Caracas, Venezuela, 1984, p. 24-32.

[7] PICHT, H. Breve história ..., p. 25-27.

[8] WUSTER, Eugen. Die Allgemeine Terminologielehre. Ein Grenzgebiet zwischen Sprachawissenschaft, Logik, Ontologie, Informatik und Sachwissenschaften. Per.: Linguistica (Der Haag), 1974, H. 119, p. 61-106.

[9] FELBER, H. Theory of terminology, terminology work and terminology documentation. Interaction and worldwide development. In: Fachsprache, l (1-2): 1979, p .20.

[10] WUSTER, E. Einfuhrung in die Allgemeine Tenninologielehre und tertninologishe Lexikographie. Wien/New York, Spriner Verlag, 1979, p. 1-5.

[11] FELBER, H. Terminology manual. Paris, Unesco/Infoterm, 1984, p. 100.

[12] PICHT. H. Los términos. Actas..., p. 109.

[13] FELBER, H. Terminology manual , p.103.

[14] PICHT, H. El concepto en terminologia . Actas..., p.57.

[15] PICHT, H. Actas, p. 80 e 99.

[16] FELBER, H. Terminology manual , p. 136.

[17] PICHT, H. El concepto en terminologia, p. 90 ss.

[18] PICHT, H. El concepto en terminologia, p. 91.

[19] ARNZT, R., PICHT, H. Einfuhrung in die ubersetzungsbezogene Termkologiearbeit. Hildesneimer Beitrage zu den Erziehungs - und Sozialwissenschaften. Studien - Texte - Entwurfe. Hildesheim, Zurich, New York, Olms Verlag, 1982, p. 144.

[20] UNITED STATES. DEPARTMENT OF DEFENSE. American Language Course. Series 4100. Lack-land: Air Force Tranining Command, 1981, unidades 3901-12.

[21] UNITED STATES. DEPARTMENT OF DEFENSE. American Language Course. Series 4100. Lack-land: Air Training Command, 1960, p. 95.

[22] UNITED STATES, American Language Course, 1960, p. 212.

 

Bibliografia

ARNZT, R, PICHT, H. Einfühntngin die ubersetzungsbezogene Terminologiearbeit. Hildesheimer Beitrage zuden Erziehungs - und Sozialwissenschaften. Studien - Texte - Entwurfe. Hildesheim, Zurich, New York, Olms Verlag, 1982,238 p.

ESCOLA DE COMANDO E ESTADO MAIOR DA AERONÁUTICA. Glossário de Termos Padronizados. Rio de Janeiro, 1962.

FELBER, Helmut. "Theory of terminology, terminology work and terminology documentation. Interaction and worldwide development". In: Fachsprache, í (l-2):20-32,1979.

FELBER, H. Terminology manual. Paris, Unesco/Infoterm, 1984.426 p.

HEFLIN, W A. ed. The United States Air Force Dictionary. Washington, Air University Press, 1956.

DE SAUSSURE, Ferdinand. Cours de Linguistique Générale. Lausanne, Paris, 1916.

UNTTED STATES. DEPARTMENT OF DEFENSE. American Language Course. Series 4100. Lackland: Air Force Training Command, 2. ed., 1981.

UNTVERSIDAD SIMON BOLÍVAR. Actas del Primer Seminario Nacional de Terminologia. 11 al 15 de abril de 1983. Caracas, Venezuela, 1984.402 p.

WUSTER, E. Einführungin die Allgemeine Terminologielehre und terminologishe Leixkographie.Teil1: Textteil; Teil 2: Bildteil. Hrsg. Technische Universkat Wien. Wien/New York, Springer Verlag, 1979.

WUSTER, Eugen. Die Allgemeine Terminoiogielehre. Ein Grenzgebiet zwischen Sprachmssenschaft, Logik, Ontologie, Informaük und Sachwissenschaften. Per.: Linguistica (Der Haag), 1974, H. 119, p. 61-106.

 

ANEXO I

Glossário referente ao sistema de conceitos que envolve "downwind leg":

Air traffic control 1. The control of air traffic to promote its safe, orderly, and expeditious movement. 2. Usually capitalized. An activity providing this service. (The U.S. Air Force Dictionary)

Controle de tráfego aéreo. 1. O controle do tráfego aéreo para promover seu movimento seguro, ordenado e diligente. 2. Geralmente em maiúsculas. Uma atividade que proporciona este serviço.

Landing. The complete action of bringing an airbone airplane down to the surface and bringing it to a stop, including the approach or approaches, the touchdown, and the landing roll. (The U.S. Air Force Dictionary)

Pouso. A ação completa de trazer um avião transportado pelo ar para o solo e de fazê-lo parar, incluindo a aproximação ou aproximações, o toque no solo e a rolagem de pouso.

Takeoff. 1. The complete action of getting an air vehicle into the air; specif., in reference to a fixed-wing airplane, this action which begins with the start of the takeoff rim and ends when the airplane is considered safely in the air; an instance of this action. 2. In a restricted sense: The action involved when the aircraft actually loses contact with the surface and becomes airborne, as in "from the moment of takeoff. Said esp. of both-wing airplanes and helicopters. (The U.S. Air Force Dictionary)

Decolagem. 1. A ação completa de pôr um veículo aéreo no ar; de modo específico, com referência a um avião de asas fixas, a ação que começa com o inicio da aceleração de decolagem e termina quando o avião é considerado como estando no ar de modo seguro; um exemplo desta ação. 2. Num sentido restrito: a ação envolvida quando o avião realmente perde o contato com o solo e se torna aéreo, como na expressão "a partir do momento da decolagem". Dito especialmente tanto de aviões com asas fixas, como de helicópteros.

Instrument landing system. A system for guiding aircraft during a final approach by means of directional radio transmitters indicating the direction of the runway and the angle of the glide path, and by means of radio marker beacons indicating for the aircraft positions along the approach path. (The U.S. Air Force Dictionary)

Sistema de pouso por instrumentos. Um sistema para guiar uma aeronave durante a aproximação final por meio de transmissores direcionais de rádio, que indicam a direção da pista de pouso e o ângulo da trajetória de planeio; além disto, sinais balisadores de rádio indicam à aeronave as posições ao longo da linha de aproximação.

Ground control approach. 1. An instrument approach for a landing in response to radio directions from a controller observing the aircraft through a radar set. 2. The equipment used to control an aircraft in this approach. (ICAO)

Aproximação controlada de solo. Uma aproximação para pouso controlada por instrumentos que funcionam ao responder às direções de rádio, fornecidas por um controlador que observa a aeronave através de um aparelho de radar. 2. O equipamento usado para controlar uma aeronave nesta aproximação.

Air surveillance. The systematic observation of the air or of a given sector of airspace by electronic, visual, or other means for the purpose of locating aircraft or guided missiles, tracking them, and reporting whatever data is obtained. (The U.S. Air Force Dictionary)

Vigilância aérea. A observação sistemática do ar ou de uma parte dada do espaço aéreo por meios eletrônicos, visuais ou outros, com o fim de localizar aeronaves ou mísseis teleguiados, segui-los ou relatar quaisquer dados obtidos.

Conventional rectangular pattern. It is a ground control approach traffic pattern for a landing procedure which is used on most days. It is divided into four phases: the initial approach, the final approach, the pre-landing phase and the touchdown and landing roll. (American Language Course).

Padrão convencional retangular. É um padrão de tráfego de aproximação controlado do solo para um procedimento de pouso e que é usado na maior parte das vezes. Divide-se em quatro fases: a aproximação inicial, a aproximação final, a fase de pré-pouso, o toque e a rolagem de pouso.

Straight-in approach. An approach made without circling or flying a pattern. (The U.S. Air Force Dictionary)

Aproximação direta. Uma aproximação feita sem círculos ou sem que um outro padrão de aproximação seja voado.

Initial approach. The approach of an aircraft preparatory to beginning landing procedure. (The U.S. Air Force Dictionary)

Aproximação inicial. A aproximação de uma aeronave preparando-se para iniciar o procedimento de pouso.

Final approach. The last leg of a landing pattern, or the last heading flown by an aircraft before touchdown, during which the aircraft is lined up with the runway and is held to a fairly constant speed and rate of descent. (The U.S. Air Force Dictionary)

Aproximação final. A última perna de um padrão de pouso, ou a última proa voada por uma aeronave antes do ponto de toque, durante a qual a aeronave é alinhada com a pista e é mantida a uma velocidade e a um rateio de descida quase constante.

Pre-landing phase. That portion of the pattern flown after breaking out of the overcast until just before contact is made with the runway. It is the period of transition from instrument flying to visual flying. During this phase, the changeover form controlled flight by the GCA operator and visual flight by the pilot should be gradual, with the pilot continuing to follow instructions given by the controller. (American Language Course)

A fase de pré-pouso. É aquela parte do padrão voado, após irromper da camada de nuvens até o momento imediatamente antes de estabelecer contato com a pista. É o período de transição do vôo por instrumentos para o vôo visual. Durante esta fase, a passagem do vôo controlado pelo operador de aproximação de controle do solo para o vôo visual pelo piloto deve ser gradual, sendo que o piloto deve continuar a seguir as instruções dadas pelo controlador.

Touchdown. The part of a landing made at the moment when the landing gear touches the landing surface. (The U.S. Air Force Dictionary)

Toque. A parte do pouso realizada no momento em que o trem de aterrissagem toca a superfície de pouso.

Landing roll. The landing run of an airplane with a wheeled or tracked landing gear; the distance covered in such a run. (The U.S. Air Force Dictionary)

Rolagem de pouso. A corrida de pouso de uma aeronave com o trem de pouso baixado e redondo; a distância coberta por tal corrida.

Leg. 1. One segment or part of an entire flight or trip by air. 2. Any of the segments, as between turnings, of a pattern flown or traced in the air by an aircraft. (The U.S. Air Force Dictionary)

Perna. 1. Um segmento ou parte de um vôo inteiro ou viagem pelo ar. 2. Qualquer um dos segmentos, como entre ângulos, de um padrão voado ou seguido no ar por uma aeronave.

Downwind leg. That portion of the approach parallel to, but 'm the opposite direction to the landing. (American Language Course)

Perna de vento. Aquela parte da aproximação paralela ao pouso, mas em direção oposta.

Base leg. The portion of the approach at a right angle to the landing direction on the downwind side of the airfïeld. (American Language Course)

Perna base. É a parte da aproximação em ângulo reto para a direção de pouso do lado a favor do vento de um campo de aviação.

Turn. The motion involved when a moving vehicle, such as an airborne airplane, changes its heading. (The U.S. Air Force Dictionary)

Curva. O movimento envolvido quando um veículo em movimento, como uma aeronave no ar, muda de proa.

 

ANEXO II

Glossário referente aos termos do texto analisado:

Holding. Wait for instructions to land or proceed along a route, the meanwhile maintaining a more or less constant altitude near a specified position or location. (The U.S. Air Force Dictionary)

Espera. Espera por instruções para pouso ou para prosseguir ao longo de uma rota mantendo, no meio tempo, uma altitude mais ou menos constante, próximo a uma posição ou localização especificada.

Vectoring. The action of the verb "vector". (The U.S. Air Force Dictionary)
Vetoração. A ação do verbo vetorar".

Vector. 1. To guide a pilot, navigator, aircraft, or missile from one point to another within a given time by means of a vector communicated to the craft. 2. To instruct a pilot on what heading to take. Note: Vectoring is usually done from the ground, or from a mother aircraft. Factors in vectoring are bearing, wind drift, altitude, and usually speed. (The U.S. Air Force Dictionary)

Vetorar. 1. Guiar um piloto, navegador, aeronave ou míssil de um ponto para outro dentro de um determinado tempo, por meio de um vetor comunicado à aeronave. 2. Instruir um piloto sobre qual posição tomar. Nota: Uma vetoração é geralmente feita do solo, ou de uma outra aeronave. São fatores de vetoração a direção, a velocidade do vento, a altitude e, geralmente, a velocidade.

Heading. 1. In air navigation, the horizontal direction in which an aircraft is pointed, i.e., the direction of its longitudinal axis, usually expressed as an angle measured clockwise from some reference line, such as true north, to the longitudinal axis. 2. In a broader sense, direction. (The U.S. Air Force Dictionary)

Sentido. 1. Em navegação aérea, a direção horizontal para a qual uma aeronave aponta, isto é, a direção do seu eixo longitudinal, geralmente expresso com um ângulo medido no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, partindo de uma linha de referência, tal como o norte verdadeiro, ao eixo longitudinal. 2. Em sentido mais amplo, direção.

Inbound. Corning in, as in "inbound traffic" (The U.S. Air Force Dictionary)

Proa de chegada. Vindo para o pouso, como em "tráfego que chega".

Altitude. 1. The elevation of an object above a given level, as above the sea or ground, esp. as indicated or determined by instruments, corrections, or calibrations, and expressed in linear measure. 2. The vertical distance between any point in the atmosphere or air and a reference point on the earth's surface. (The U.S. Air Force Dictionary)

Altitude. 1. A elevação de um objeto acima de um certo nível, como acima do mar ou solo, especialmente como indicado ou determinado por instrumentos, correções ou calibrações e expresso em medida linear. 2. A distância vertical entre qualquer ponto na atmosfera ou ar e um ponto de referência na superfície terrestre.

Visual approach pattern. An approach pattern by an IFR flight when either part of all an instrument approach procedure is not completed and the approach is executed in visual reference to terrain. (ICAO)

Padrão de aproximação visual. Um padrão de aproximação por um vôo controlado por instrumentos, em que parte de todo o procedimento de aproximação por instrumento não é completado e a aproximação é executada em referência visual ao terreno.

Weather. The state or condition of the atmosphere with respect to temperature, humidity, winds, etc. (The U.S. Air Force Dictionary)

Condição meteorológica. O estado ou condição da atmosfera com respeito a temperatura, humidade, ventos, etc.

Airspeed. The speed of an aircraft, measured along its longitudinal axis, relative to the air through which it moves either on the ground or k the air, or in the case of a wind tunnel, relative to the stream of air in which it is immersed, esp. as indicated or determined by instruments, corrections, or calibrations, and expressed in statute miles per hour or in knots. (The U.S. Air Force Dictionary)

Velocidade aérea. A velocidade de uma aeronave, medida ao longo de seu eixo longitudinal, relativa ao ar através do qual ela se move tanto em terra quanto no ar, ou no caso de um túnel de vento, relativa ao fluxo do ar em que ela está imersa, especialmente como indicada ou determinada por instrumentos, correções ou calibrações, e expressa em milhas hora ou em nós.

Flap. Any control surface, such as a speed brake, dive brake, dive-recovery brake, or the like, used primary to increase the lift or drag on an airplane, or to aid in recovery from a dive. (The U.S. Air Force Dictionary)

"Flap". Qualquer superfície de controle, tal como um freio de velocidade, freio de mergulho, freio de recuperação de mergulho, ou algo semelhante, usado principalmente para aumentar a suspensão ou a tração em um avião, ou para auxiliar na recuperação de um mergulho.

Ceiling. 1. The height above the ground or water of the base of the lowest layer of cloud below 6,000 metres (20,000 feet) covering more than half of the sky. 2. The maximum height at which an aircrew or passengers can fly, either with or without special equipment. 3. A. An overcast of clouds above a given area limiting vertical visibility. B. The height of the lower surface of such an overcast. C. Clearness in the air for looking upward. (The U.S. Air Force Dictionary)

Teto. 1. A altura, acima do solo ou água, da base da mais baixa camada de nuvens abaixo de 6.000 metros (20.000 pés) cobrindo mais da metade do céu. 2. A altura máxima na qual uma tripulação aérea ou passageiros podem voar, tanto com ou sem equipamento especial. 3. A. Uma camada de nuvens acima de uma determinada área limitando a visibilidade vertical. B. A altura da superfície mais baixa de tal camada. C. A claridade no ar, quando olhamos para cima.

Visibility. The ability, as determined by atmospheric conditions and expressed in units of distance, to see and identify prominent unlighted objects by day and prominent lighted objects by night. (ICAO)

Visibilidade. A habilidade, tal como determinada pelas condições atmosférica e expressas em unidades de distância, para ver e identificar objetos sem luminosidade de dia e objetos iluminados proeminentes de noite.

 

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