Actas / Atas
1988-2002
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Índice por autores

 

 

Formação profissional:
tecnologia, terminologia e documentação

João Gomes dos Santos
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
Departamento Nacional
Brasil

 

Quando se fala em Formação Profissional é natural que as pessoas, em geral, a associem de imediato ao processo educativo. O que é correto. Nesta associação, ela deve estar preocupada com a tecnologia educacional, na medida em que deve elevar seu nível de desempenho e de racionalidade no uso dos recursos inerentes à consecução dos objetivos que persegue.

No entanto, esta percepção geral, embora correta, como já dito, é incompleta, pois ela também está diretamente associada a uma gama de outros processos que constituem o conteúdo de seus programas.

Trata-se de processos que proporcionam serviços ou produtos, orientados por tecnologias que igualmente precisam ser acompanhadas em sua evolução pela entidade de Formação Profissional e que caracterizam as diferentes ocupações de sua área de responsabilidade.

Esta ampliação da percepção inicialmente colocada permite concluir, pela diversidade de tecnologias associadas, ao processo educativo da Formação Profissional.

Particularmente no caso do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), entidade criada em 1942, através do Decreto-Lei n° 4.048, mantida e administrada pela indústria brasileira, a sua área de atuação, como indicada na sua própria denominação, compreende o setor secundário da economia.

Para desincumbir-se de suas responsabilidades no nível de exigências que o setor manufatureiro impõe, precisa acompanhar "pari passu" a evolução tecnológica dos diversos segmentos industriais que atende, dentro de seu nível de competência, fato que implica num extraordinário esforço.

Os seus objetivos institucionais, a saber:

a) realizar, em escolas instaladas e mantidas pela Instituição, ou sob forma de cooperação, a aprendizagem industrial a que estão obrigadas as empresas de categorias econômicas sob sua jurisdição, nos termos de dispositivos constitucional e da legislação ordinária;

b) assistir os empregados na elaboração e execução de programas gerais de treinamento do pessoal dos diversos níveis de qualificação, e na realização de aprendizagem metódica ministrada no próprio emprego;

c) proporcionar aos trabalhadores maiores de 18 anos a oportunidade de completar, em cursos de curta duração, a formação profissional parcialmente adquirida no local de trabalho;

d) conceder bolsas de estudo e de aperfeiçoamento a pessoal de direção e a empregados de excepcional valor das empresas contribuintes, bem como a professores, instrutores, administrativos e servidores do próprio SENAI;

e) cooperar no desenvolvimento de pesquisas tecnológicas de interesse para a indústria e atividades assemelhadas;

permitem situar o esforço organizacional em dois vetores:

Desenvolvimento de Recursos Humanos. (Objetivos indicados por a , b , c e d ).

Desenvolvimento Tecnológico (Objetivo indicado por e ).

Uma idéia do esforço institucional, com relação ao vetor Desenvolvimento de Recursos Humanos, pode ser expressa através da quantidade de matrículas operadas por intermédio de suas ações direta e indireta, esta através da atuação das empresas.

Quadro I: Matricula de 1985 a 1989

Período

1985

1986

1987

1988

1989

Total de matrículas

725.447

749.373

975.779

1.019.311

1.181.486

Fonte: SCOP-DN-DPEA/DDRH, 1989

 

A efetivação de 1.181.486 (um milhão, cento e oitenta e num mil, quatrocentas e oitenta e seis) matrículas, em 1989, ou seja, o atendimento dessa clientela, foi feita através de uma rede de mais de 550 unidades operacionais localizadas em todas as Unidades da Federação.

Quadro II: Unidades Operacionais do Sistema SENAI

Unidades
Operacionais

CFP (1)

ET (2)

CT (3)

UTO (4)

AT (5)

CEDEP (6)

CTEC (7 )

UM (8)

Total

.Próprias

168

17

54

7

9

3

11

264

533

.Em cooperação

10

-

10

0

0

0

0

4

24

Total

178

17

64

7

9

3

11

268

557

Fonte: DN/DPEA - Cadastro de Unidades Operacionais do Sistema Senai -1989
(Não inclui as Unidades mantidas através dos Acordos de Isenção).

1. Centro de Formação Profissional
2. Escola Técnica
3. Centro de Treinamento
4. Unidade de Treinamento Operacional
5. Agência de Treinamento
6. Centro de Desenvolvimento de Pessoal
7. Centro de Tecnologia
8. Unidade Móvel

A diversidade de programas desenvolvidos por essas Unidades atendeu, em 1989, a 1.050 títulos do universo ocupacional.

Quanto ao vetor Desenvolvimento Tecnológico, embora haja uma relação direta de cada tipo de Unidade Operacional com ele, podem ser ressaltadas as Escolas Técnicas e, principalmente, os Centros de Tecnologia, dada a sua atuação com ensaios, testes de laboratórios e pesquisas no âmbito de suas áreas de especialização.

Instrumentação, Têxtil e Confecção, Construção Civil, Metal Mecânica, Solda, Alimentação, Transporte, Madeira e Mobiliário, Mecânica de Precisão e Gemologia são áreas já cobertas pela atuação dos Centros de Tecnologia do SENAI.

Diante de um cenário como este e que tende a ampliar-se quantitativa e qualitativamente, é fácil perceber o nível de esforço despendido pela Entidade para acompanhar a evolução que grassa na sociedade contemporânea, a fim de apresentar um desempenho compatível com as exigências do mercado.

Acrescente-se a esta situação o esforço necessário para superar as deficiências de fontes de geração e de informação tecnológica que ainda caracterizam a região latino- americana.

O acesso à informação sempre foi fundamental para o trabalho desenvolvido pelo SENAI. Portanto, não é recente a sua preocupação com a informação nova. De fato, o que é recente é o desdobramento de seus esforços no sentido de acompanhá-la, em face da maior velocidade imposta às mudanças no cenário científico e tecnológico.

Dentre as resultantes desse desdobramento de esforços, é conveniente salientar, considerando-se a natureza dos eventos aqui organizados, algumas particularidades do trabalho realizado no sentido de prover o SENAI com um Sistema de Documentação e Informação dinâmico, eficiente e que funcione integrado ao seu processo produtivo como elemento facilitador para a consecução dos objetivos institucionais já citados.

Desde 1983, o SENAI conta com o Grupo de Trabalho de Documentação. Atualmente esse grupo é constituído por técnicos de Documentação dos Departamentos Regionais do Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (CETIQT) e do Departamento Nacional (DN). E é coordenado pela Divisão de Pesquisas, Estudos e Avaliação do DN.

Reúne-se geralmente duas vezes por ano, com o objetivo de fazer estudos e apresentar propostas para o desenvolvimento dessa área na Entidade, já tendo logrado significativos ganhos, inclusive quanto à instalação de novas Unidades de Documentação.

No âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), do Governo brasileiro, através de Convênios com a Secretaria da Ciência e Tecnologia da Presidência da República (SCT-PR) e com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), o SENAI já conta com a atuação de dois centros de informação especializada.

São eles:

Núcleo Setorial de Informação Têxtil e de Confecção Industrial, organizado pelo Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (CETIQT), no Rio de Janeiro;

Núcleo de Informação Tecnológica em Mobiliário e Madeira, organizado pelo Centro Tecnológico do Mobiliário (CETEMO), em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.

Através de uma ação cooperativa com o Departamento de Assistência a Média e Pequena Indústria (DAMPI), órgão da Confederação Nacional da Indústria (CNI), esses núcleos estão, já há algum tempo, desenvolvendo glossários na sua área de especialização, como é o caso do Glossário Têxtil e de Confecção, inglês-português, editado em 1986.

O desenvolvimento terminológico compreende um processo e, portanto, é dinâmico, na medida em que encerra linguagens apropriadas às áreas do conhecimento humano que se encontram em contínua evolução.

O acompanhamento desse processo é amplamente importante para o SENAI, como já dito. Por um lado, como agente de pesquisa e de geração de tecnologia e, por outro, como agente de desenvolvimento de recursos humanos que precisa satisfazer necessidades cognitivas, dentre as quais a terminologia da área de formação é de capital importância.

O esforço necessário para empreendimentos dessa natureza é, por suposto, de todos conhecido. A reunião de equipe multidisciplinar, envolvendo documentalistas, especialistas ocupacionais e especialistas da formação profissional, dentre outros, tem sido o instrumento utilizado pelo SENAI.

Com esse mesmo objetivo, porém já com a preocupação da informatização, atualmente o SENAI ousa desenvolver uma metodologia de tesauro para a Formação Profissional da indústria. A palavra "ousa" está aqui colocada com muita propriedade, pois a criação de um tesauro ainda representa um enorme desafio pelas dificuldades que encerra e pela grande complexidade desse tipo de trabalho.

A evolução para o tratamento conceitual da informação, a criação de uma sintaxe que proporcione as relações terminológicas e que considere as diversidades semânticas influenciadas pelas diferentes culturas regionais do País, apresenta-se como uma tarefa de difícil realização, mas, nem por isso, impossível.

Ela resultou de um trabalho cooperativo juntamente com o Ministério do Trabalho e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), dentro do projeto de automação do Sistema de Informação da Formação Profissional.

Atualmente, o SENAI tem um grupo de trabalho para o desenvolvimento do tesauro na sua área de competência. Alguns integrantes desse grupo estão presentes a estes eventos e poderão, na medida das necessidades, oferecer outras informações sobre o assunto.

 

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