| Atividades terminológicas do IBICT: subsídios ao desenvolvimento da área no Brasil Maria Carmen Romcy de Carvalho
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Brasil
Resumo
Apresenta as atividades de articulação, desenvolvimento de instrumentos e prestação de serviços de consultoria e treinamento de recursos humanos, desenvolvidos pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Propõe a ampliação das atuais atividades através do desenvolvimento de projetos cooperativos com instituições nacionais e estrangeiras para elaboração de metodologias e produtos terminológicos.
O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia -IBICT- criado em 1976, a partir da transformação do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, tem por finalidade promover o desenvolvimento da informação científica e tecnológica no País. Isto, na prática, significa que o Instituto deve, através de suas ações, contribuir para o fortalecimento e a consolidação de uma infra-estrutura de serviços de informação, configurada em uma rede articulada de bibliotecas, sistemas e serviços de informação e documentação, capaz de atender às demandas da comunidade científica, do setor produtivo e do setor governo. Para o alcance dessa missão o atual Plano Diretor do IBICT, que orienta suas ações para o período de 1990-94, define como prioritárias as seguintes linhas programáticas:
1 - Desenvolvimento e transferência de tecnologias de informação;
2 - Geração e manutenção de bases de dados;
3 - Elaboração de produtos e prestação de serviços de informação científica e tecnológica;
4 - Desenvolvimento de recursos humanos;
5 - Cooperação interinstitucional em âmbito nacional e internacional.
Desenvolvimento e transferência de tecnologias de informação Esta linha programática destina-se a elaboração de normas, padrões, metodologias e sistemas informatizados para o tratamento e a recuperação da informação especializada. Uma série de projetos e atividades vêm sendo desenvolvidos pelo IBICT, para utilização em seus próprios serviços e dotar as unidades de informação do País de instrumentos apropriados e compatíveis com a necessidade de agilidade, precisão e confiabilidade no atendimento aos usuários. Linguagens documentárias As experiências do IBICT na elaboração de tesauros incluem o desenvolvimento do Tesauro de Ciência da Informação, utilizado na Base de Dados em Ciência da Informação, e a tradução e a edição em conjunto com a Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica de Portugal, do Tesauro SPINES da UNESCO, utilizado na Base de Dados em Política Científica e Tecnológica, ambas mantidas pelo IBICT. A Classificação Decimal Universal (CDU), desenvolvida pela Federação Internacional de Documentação e Informação (FID), é ainda hoje o instrumento mais utilizado pelas bibliotecas brasileiras para a classificação do conteúdo dos documentos. Não são poucas as Sistemáticas e entradas do índice para a criação de suas linguagens de indexação e recuperação. Como editor nacional do CDU, o IBICT publicou em 1987 e 1988, respectivamente, a 2 a Edição Média da CDU e o índice alfabético, e a partir de 1989 iniciou a publicação da Série Extensões e Correções da CDU, em língua portuguesa, com o objetivo de manter atualizado o esquema editado em 87. Este trabalho conta com a colaboração voluntária de docentes universitários e outros profissionais de instituições de pesquisa, na revisão da tradução e na normalização da terminologia utilizada na CDU com a de uso corrente em sua área de atuação. Adiantando-se a mais um projeto anunciado pela FID, da qual é o membro nacional, o IBICT está iniciando um projeto de Tesaurificação da CDU que permitirá a utilização da CDU, como linguagem documentária para a indexação e recuperação de informações. O Tesauro CDU, gerenciado de forma automatizada, possibilitará a utilização de um único instrumento multidisciplinar para a indexação e a recuperação da informação armazenada em meio magnético, além de continuar servindo como instrumento para arranjo físico dos documentos. TECER Considerando que a qualidade na recuperação da informação requer o controle sistemático e minucioso da literatura indexada, e que o processamento automatizado da informação tem sido acelerado no Brasil, pela introdução da tecnologia dos microcomputadores ao trabalho das bibliotecas e centros de documentação, o IBICT, com o objetivo de facilitar a elaboração de tesauros, desenvolveu um sistema para operação em computadores de pequeno porte da linha IBM AT/XT. O sistema, conhecido comercialmente pelo nome de TECER, permite o gerenciamento de tesauros mono e poli-hierárquicos, utilização de até 4 idiomas, e a importação e exportação de dados em formato ISO 2709, o que facilita a integração de tesauros. O TECER é um sistema independente mas guarda compatibilidade com o Programa MICROISIS da UNESCO. Isto quer dizer que uma instituição que possua sua base de dados estruturada em MICROISIS e gerencie seu tesauro através do TECER pode, utilizando-se de um outro programa de computador desenvolvido pelo IBICT, realizar buscas na base de dados através da estrutura do tesauro. Este programa de buscas encontra-se em fase de documentação e estará brevemente disponível aos interessados. Normas e padrões As atividades de normas internas são organizadas no IBICT, através do Sistema de Normalização Técnica, instituído em 1988. Através deste sistema todas as atividades técnicas para a elaboração de produtos e prestação de serviços, assim como a geração de bases de dados são controladas por um conjunto de normas técnicas, desenvolvidas pelos profissionais do próprio Instituto. Com vistas a assegurar a compatibilidade com outras normas existentes, há uma forte preocupação de que as normas geradas baseiem-se em normas nacionais e internacionais já disponíveis. Estas normas, apesar de terem sido desenvolvidas para o ambiente específico das atividades do Instituto, estão disponíveis a outras instituições e especialistas interessados. Na área de terminologia, o IBICT traduziu a norma ISO 6156 - Formato para intercâmbio de dados lexicográficos e terminológicos - e a enviou à ABNT como contribuição ao estudo e elaboração de norma brasileira. O estudo mais aprofundado desta norma permitirá ao Instituto desenvolver um sistema para a geração de bancos de dados terminológicos em computadores de médio porte. Base de dados Na área de bases de dados, o IBICT mantém como apoio às suas atividades na área de terminologia as bases FONTE e LIDO. A base FONTE - Fontes Terminológicas produzidas no Brasil a partir de 1970 - é uma base referencial e conta cerca de 1500 registros de dicionários, glossários e vocabulários técnicos e normas terminológicas, produzidas pelas diversas Comissões de Estudos de Terminologia dos Comitês Brasileiros da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Esta base, atualmente estruturada em microcomputador, está sendo transferida para um computador de médio porte, de modo a que também possa ser acessada através da Rede Nacional de Comutação de Pacotes (RENPAC) da EMBRATEL. A base LIDO - Linguagens Documentárias - registra os tesauros e vocabulários controlados pelas unidades de informação no Brasil, em qualquer área de ciência e tecnologia. A base LIDO, além de informações técnicas sobre a linguagem, informa sobre o sistema e o equipamento utilizado para a gerência automática e as fontes de informação utilizadas para a construção da linguagem. Através da base LIDO, o IBICT presta informações sobre as áreas temáticas cobertas por tesauros, evitando que as unidades de informação duplicassem esforços em sua elaboração. Além destas, o IBICT mantém outras bases de dados multidisciplinares que atendem também o interesse da área de Lingüística e Terminologia, como a Base TESES, a Base EVENTOS e o Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas. As três bases de dados, além de estarem disponíveis para consulta via RENPAC, possuem produtos impressos, editados regularmente. Produtos e serviços Na linha de produção de glossários técnicos, seguindo a metodologia desenvolvida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e com o objetivo de fornecer instrumento de trabalho para a Rede de Núcleos de Informação Tecnológica que coordena, o IBICT está desenvolvendo um glossário de termos técnicos utilizados no Brasil na área de planejamento e gestão do setor tecnológico/industrial. Na tentativa de propor uma terminologia padronizada para a área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, o IBICT está desenvolvendo também um glossário a partir dos descritores que integram o Tesauro de Ciência da Informação. Como primeiro produto da base de dados FONTE, foi editado o Cadastro de Fontes Terminológicas em comemoração a este evento. Para a prestação de serviços, além das bases de dados produzidas pêlo IBICT, o Instituto mantém um serviço de acesso a bases de dados no Exterior, através do serviço INTERDATA da Embratel, e serviço de buscas a bases de dados disponíveis no IBICT em disco compacto e Guia de Fontes de Informação em Terminologia, e apresenta fichas de 46 bases de dados estrangeiras nas áreas de Terminologia, Tradução, Lingüística e áreas correlatas, que podem ser acessadas nos bancos de dados DIALOG, QUESTEL, ORBIT, STN, através do serviço de busca bibliográfica do IBICT. Desenvolvimento de recursos humanos Nesta linha programática, o IBICT tem tido, até o momento, uma atuação vinculada à transferência de tecnologias desenvolvidas internamente. Assim, têm sido ministrados cursos de curta duração, prestação de assistência técnica e consultoria sobre a utilização do Programa TECER. No momento, o IBICT analisa a possibilidade de, em conjunto com o Centre Jacques Amyot de Paris, executar, em futuro próximo, um programa de treinamento em terminologia e tradução técnico-científica. Cooperação interinstitucional Na linha de cooperação interinstitucional, o IBICT mantém intercâmbio com diversas instituições e organismos nacionais e internacionais, com o objetivo de participar de projetos conjuntos, absorver padrões e metodologias, prestar serviços e divulgar e obter informações sobre atividades em terminologia. Cabe ressaltar aqui a colaboração que o IBICT tem recebido e prestado às universidades brasileiras, dentre elas a Universidade de Brasília, Universidade Federal de Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Universidade de São Paulo. Dentre os organismos nacionais, o IBICT participa de duas Comissões de Estudo de Terminologia na área de Informática da ABNT. Em nível internacional, o Instituto é membro da Rede Ibero-americana de Terminologia, representa o Brasil nas atividades do Programa II da União Latina, colabora com o SIIT, o CEPAL/CLADES e INFOTERM, e estuda a possibilidade de tornar-se Centro Nacional de Serviços da TERMNET. Conclusão Como qualquer instituição do poder público, o IBICT tem sua atuação limitada pela escassez de serviços financeiros, materiais e humanos. Estas restrições, comuns à maioria dos países latino-americanos, no entanto, não devem inibir nossas atividades mas servir como fator de motivação e criatividade para a busca de esquemas cooperativos de atuação. Neste sentido tomamos a liberdade de apontar algumas possibilidades de trabalho conjunto em que estaríamos interessados em participar, quer no campo da pesquisa, quer no desenvolvimento de produtos e prestação de serviços:
alimentação da base FONTE, do IBICT, de forma cooperativa, através da participação direta de editores, comissões de estudo de terminologia da ABNT e outras instituições/empresas produtoras de fontes terminológicas;
desenvolvimento de um tesauro em ciência e tecnologia;
absorção e transferência da tecnologia disponível para a criação de bancos terminológicos e dicionários automatizados;
implantação e manutenção, de forma cooperativa, de bancos terminológicos em nível nacional e regional;
desenvolvimento e projeto de pesquisa em tradução assistida por computador;
colaboração para a instalação e funcionamento de um órgão no Brasil que se ocupe das questões de terminologia e promova o intercâmbio com estruturas semelhantes em países de expressão portuguesa;
consolidação da Rede Ibero-americana de Terminologia através da efetiva participação em seus programas.
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