| A terminologia como um fator inibidor
da transferência da tecnologia
Aldo de Albuquerque Barreto
Instituto Brasileiro de Informaçãoem Ciência e Tecnologia
Brasil
Resumo
O trabalho mostra a terminologia como parte de um instrumental técnico dos sistemas de produção de estoques de informação. A transferência de tecnologia representa a transferência da informação que, uma vez assimilada, pode gerar absorção de conhecimento sobre determinado objeto, seu processo de produção ou de comercialização. A terminologia em sua racionalidade tecnicista é um instrumento redutor de linguagem. Reduzindo-se a linguagem do homem reduz-se sua capacidade criativa, seu potencial de pensar e de absorver novos conhecimentos. Reduz-se sua capacidade de absorver novas tecnologias.
O propósito deste trabalho é o de pensar, de maneira crítica, o relacionamento das novas tecnologias e sua transferência com a informação e a produção de conhecimento. Acredito que a produção de conhecimento se operacionaliza a partir do inter-relacionamento de sistemas de produção de informação e de sistemas de comunicação da informação (Figura 1). Entendo por sistemas de produção de informação todos os segmentos ou ações relacionadas com a produção de estoques de informação. O seu processamento técnico, a organização, e o armazenamento e o controle da informação, enquanto estoques estáticos. Os sistemas que se dedicam, unicamente, a produzir informação cumprem um importante papel na geração de conhecimento, mas por si só não produzem qualquer conhecimento. Produzem estoques de informação organizada para consumo imediato ou futuro. Entendo, ainda, por sistemas de comunicação ou de transferência da informação, todas as ações e processos relacionados com a disseminação, o acesso, o uso e, principalmente, com a assimilação da informação em diferentes contextos ou realidades, diferenciadas social, econômica, política e culturalmente. Figura 1
Produção de Conhecimento  O consumo da informação ou o seu uso, em si, não produz qualquer conhecimento. O conhecimento efetiva-se na medida em que se processa a assimilação da informação pelo receptor. A assimilação da informação representa o processo mental que induz a uma transformação no estado cognitivo do receptor da informação, seja por adição, modificação ou sedimentação de conhecimento anteriormente existente. A transferência de tecnologia envolve, para que seja efetiva, uma transferência de conhecimento que possibilita "conhecer" o objeto a que o conhecimento se refere, seu processo de transformação, sua forma de distribuição e comercialização. A transferência do objeto em si, com seus manuais, diagramas e normas de operacionalização não significa uma transferência de tecnologia. A transferência de tecnologia ocorre, e somente ocorre, quando se transfere o conhecimento de como criar o objeto e de como colocá-lo a serviço da sociedade. Este é o conhecimento que permite (re)inovar uma inovação e a sua conseqüente difusão. O conhecimento que caracteriza a transferência de tecnologia representa a assimilação da informação referente a esta tecnologia. A assimilação da informação, através de suas diversas representações simbolicamente livres, pode gerar o conhecimento que torna possível a absorção de uma idéia nova ou a sua transferência. Os sistemas de informação, ao produzirem seus estoques, estão orientados por uma racionalidade técnica, utilizando um instrumental bem definido e internacionalmente padronizado no (re)processamento da informação para organização e controle. Este (re)processamento da informação, do qual a terminologia é apenas um dos diversos instrumentos, reduz conteúdos de informação e representa uma violência simbólica contra o homem, sua capacidade de pensar, de se expressar através da linguagem, de ocupar seus espaços sociais. Todo o instrumental técnico que utiliza linguagens artificiais no (re)processamento da informação representa o exercício de um poder simbólico, redutor semiótico, redutor da própria capacidade humana em assimilar novas informações. A indústria de produção de informação (estoques) teve um desenvolvimento paralelo ao da sociedade industrial, e vem dedicando alta prioridade à produtividade e efetividade. O seu processo de "tratamento" da informação está fortemente direcionado para reprocessar conteúdos de informação, com um crescente e contínuo esvaziamento da linguagem natural do homem, com a finalidade de colocar maior e supostamente melhor quantidade de informação em menores e mais produtivos espaços de memória artificial. Esta ideologia da racionalidade e da técnica, da indústria que produz estoques de informação, procura retirar tanto quanto possível a entropia natural dos sistemas de produção de informação. A busca da ordem, em contraposição à desordem quantitativa e qualitativa na extensa atividade de produção de informação, tem sido a contínua procura dos que operam na área, para alcançar o almejado objetivo de maior uso, melhor relevância em sua comunicação com o usuário. No controle e organização do grande fluxo de geração de informação, a ordenação é sem dúvida uma meta coerente a ser desejada. Contudo, buscar este controle pela redução da linguagem implica em uma contradição lógica, em um efeito ordem-desordem. A redução da linguagem induz a uma entropia inaceitável quando reduz as condições do homem de existir socialmente em suas relações de comunicação. Afasta o homem de seu destino histórico. O conhecimento efetiva-se pela comunicação da informação que opera segundo uma racionalidade contextual e cognoscível. O receptor da informação vive em um mundo de múltiplos contextos, diferenciados, também, em sua sensibilidade para assimilar informações, novas informações, novas tecnologias. A ideologia da técnica e da produtividade, paradigma dominante da indústria de produção de estoques de informação, pode estar criando uma síntese fantasmagórica entre redução de linguagem, apetrechos eletrônicos, memórias magnéticas e redução do conhecimento. Bibliografia básica ADELMAN, I. Teorias de Desarrollo Económico , México, Fundo de Cultura, 1964. BARREIRO, J. Educación Popular y Processo de Concientización , México, Siglo Veintiuno, 1978. BARRETO, A de A. Mecanismos de Absorção de Novas Tecnologias , Rio, Eco/UFRJ, 1989. BELTRÃO, L. A Comunicação dos Marginalizados , SP, Cortez, 1980. CARNEIRO LEÃO et al. A Máquina e seu Avesso , Rio, Francisco Abes, 1987. COLOMER, E. El Pensamento Alemán de Kant a Heidegger , Vol; I e II, Barcelona, Eder, 1986 (alguns capítulos). ENGELS, F. 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